Nerdiversidade – “Liberdade é um direito de todos os seres sencientes!”

Oizinho! Essa é a primeira postagem do nosso cantinho da Nerdiversidade então cabe aqui explicar a proposta dessa editoria e a origem do nome que também foi o nome da nossa mesa redonda na FestComix onde discutimos diversidade, representatividade e inclusão LGBT, queer, não-binarie e de modo geral o direito de todes a ter respeito e um lugar no mundo, especialmente no meio nerd, por isso no título vai a frase conhecido do Optimus Prime “Liberdade é um direito de todos os seres sencientes!” (e também por que sou fã de Transformers, não dos filmes do Bay por favor).

E sobre o nome Nerdiversidade? Bem, estava perto do evento e queriamos um nome pra mesa, eu adoro trocadilhos bobos e me veio Nerdiversidade, o que eu achei bobo e soltei meio que na brincadeira e o pessoal curtiu (pra minha surpresa).

Então de certo modo esta editoria segue abordando os temas discutidos na mesa redonda, temas importantes e que precisam ser discutidos pois ainda estamos longe de um cenário justo e que favoreça as pessoas por igual independente de gênero, orientação sexual e outras características pertinentes a cada pessoa e que fazem cada pessoa ser quem é.

Aqui abordaremos representatividade na cultura nerd falando de casos positivos e negativos, falaremos sobre direitos LGBT, falaremos sobre a diversidade no conceito de gênero questionando a sociedade cisnormativa e heteronormativa, falaremos sobre personalidades em destaque no meio nerd que não se enquadram no padrão cis/hetero.

Portanto sejam bem-vindes ao nosso cantinho e esperamos muito que vocês gostem do que apresentarmos aqui!

Agora um pouquinho sobre as editoras pois é nossa primeira vez escrevendo aqui, estreia do site, tudo de bom então, bora lá!

Euzinha… Cecilia Souza Santos – conhecida como Cecihoney ou Ceci Favo de Mel

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Mulher trans, lésbica, casada, madrasta de uma adolescente. Trabalho com pixelart para videogames ( minha page: https://www.facebook.com/Cecihoneypixels/ ) e com isso fica indicado que adoro games retrô, também sou louca por mechas (robôs gigantes), naves, veículos militares, armaduras mecânizadas, magia e fantasia. Sou fã e colecionadora de Transformers (novamente, nada de filmes do de Bay!! ).

Minha vivência como trans e lésbica foi conturbada e cheia de perguntas, dúvidas e desafios, com informações bagunçadas na internet, grupos conflitosos e claro a transfobia nossa de cada dia inclusive claro, nos ambientes nerd.

E agora minha parceira na editoria Ariel:

Sobre ser mulher trans e gamer.
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Olá, pessoal. Meu nome é Ariel, eu tenho 21 anos e sou uma mulher trans. Sim, trans, de transexual. Isso significa que quando eu nasci, falaram pra mim “é um menino, é um menino”, e conforme os anos foram se passando, eu fui percebendo que “pera, eu não sou exatamente isso que vocês dizem que eu sou. Eu sou uma menina!”, e a partir daí comecei a tocar minha vida e passar pela minha transição, mas isso já lá aos 20 anos!

Ser uma mulher trans no mundo dos games é bem complicado. Existe uma naturalização muito forte de que “um homem que se passa por mulher é shema”, e isso acaba caindo em cima das mulheres trans diversas vezes, porque ainda sim não somos vistas como mulheres pra algumas pessoas, e começam a nos chamar de termos pejorativos e transfóbicos.

Algo que eu também notei é que as pessoas começaram a duvidar da minha capacidade de jogar por ter transicionado. “Ah, mas agora você é mulher, você não vai conseguir jogar bem como antigamente”, e bom, a minha capacidade de jogar não está atrelada ao meu gênero.

É muito engraçado quando chego em alguns espaços, que predominantemente são de homens (porque o mundo dos games ainda é um mundo voltado para homens), e rola aquele desconforto, aquelas piadas, aquelas transfobias que nos afetam, de dizerem que “estou jogando bem porque não sou mulheres de verdade”, e eu sou mulher de verdade sim. E não é porque você é uma mulher trans ou cis que você não vai saber jogar algo bem. Na maioria dos casos, é pura questão de prática.

Por fim, essa é só uma palhinha da minha apresentação. Também tenho uma página: https://www.facebook.com/gritodasereia. Espero que vocês acompanhem o Nerdiversidade e que se sintam confortáveis aqui! Beijos da sereia! 

 


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Cecihoney

Mulher trans, lésbica, bruxa que trabalha com pixelart pra games e vive com a cabeça em robôs, naves e engrenagens. Transfã, retrô/indie gamer e parte de uma fusão permanente! Dividida entre lacinhos rosas e armamentos pesados :3