Estatísticas mostram que as mulheres jogam muito. E o que isso significa?

Um estudo fresquinho do Pew Research Center mostrou que a maior parte das pessoas com consoles são mulheres: 42% das pessoas que declararam possuir sistemas de jogos – como Xbox e PlayStation se identificaram como mulheres, enquanto apenas 37% se identificou como homem. Apesar de diferir de uma pesquisa similiar realizada no início desse ano pela Eletronic Software Association que mostrava uma disparidade de gênero onde 59% das pessoas que se identificavam como gamers eram homens e só 41% das mulheres clamava esse título, o resultado caminha lado a lado com a pesquisa britânica que explodiu cabeças no ano passado, onde as mulheres constituíam 52% da audiência de games.

Mas o que esses números representam na vida real? Muita coisa e nada, ao mesmo tempo. Pode significar que a amostragem era falha, que homens preferem jogar no PC (eu também prefiro!), ou que as mulheres simplesmente se recusam a aceitar a alcunha de gamer porque sofrem bastante preconceito nesse meio, ou por simplesmente não se importarem com isso. O estudo britânico, por exemplo, levou em consideração jogos mobile e dificilmente minha irmã viciada em Candy Crush e Farm Heroes Saga se identificaria como gamer.

O fato é que por mais falhas que as estatísticas sejam, o número de mulheres no cenário de videogames está aumentando. A Brasil Game Show desse ano, por exemplo, estimou que 40% do seu público seria feminino e pelo que vi por lá, arriscaria dizer que foi um pouco acima disso. Eu vi menininhas ostentando orgulhosas as camisetas com os dizeres “Gamer Girl” vendidas no estande oficial do evento e sinto que, por maior que seja o choro, nós ocuparemos esse espaço.

Por mais que a maioria dos streamers, jogadores profissionais e YouTubers ainda seja composta de homens, isso se dá meramente pela dificuldade em desconstruir o preconceito em relação à mulheres nesse meio. Apesar de ser um cenário em crescimento há vários anos, foi somente em 2015 que o Brasil viu a primeira mulher conseguir uma vaga em uma equipe profissional de League of Legends – e foi só no mês passado que a primeira mulher conseguiu passar pela seleção da equipe CNB e-Sports Club. É importante lembrar também que a brasileira com a maior pontuação no Gamescore do Xbox é uma mulher.

Desafiando as estatísticas, se esses casos parecem isolados é porque são. Muitas mulheres optam por usar apelidos neutros, mutar o microfone nas chamadas e não identificar seu gênero por medo de assédio. Se o processo seletivo para uma equipe profissional de e-sports já é complicado, imagina ter que passar por ele com uma comunidade que xinga, assedia, duvida do seu potencial e ainda por cima quer definir o seu role. Ser mulher já é jogar no hard. Ser uma mulher gamer é jogar no nightmare.

Mas nós conseguimos. E vamos mudar isso.


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