Marcas da Guerra – As novas mulheres em Star Wars

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Escrito por Chuck Wendig, Star Wars – Marcas da Guerra (Star Wars – Aftermath) chega ao Brasil em novembro pela Editora Aleph, semanas antes do lançamento do novo filme da franquia. O Despertar da Força já causou bastante rebuliço na internet por trazer uma mulher e um negro em destaque no pôster do filme. O que diriam esses supostos fãs ao lerem Marcas da Guerra?

O primeiro livro da trilogia do novo cânone é recheado de… mulheres! Do lado do Império, temos a almirante negra Rae Sloane, que aparece em Rebels e Um Novo Amanhecer, e que de longe não deve nada no quesito inteligência e estratégia para ninguém. Ela comanda as últimas naves de combate do Império, depois da destruição da Estrela da Morte e quer reestruturar um Império em ruínas.

Do lado da Aliança Rebelde, que agora é a Nova República, a piloto Norra Wexley é uma personagem maravilhosa. Quando seu marido é levado pelos asseclas do imperador por ajudar na rebelião, ela deixa o filho Temmin com a irmã e a esposa (!) e parte para ajudar na linha de frente. Norra lutou na Batalha de Endor, pilotando uma das naves que ajudou a destruir a Estrela da Morte. Agora, de volta ao seu planeta Natal, busca reencontrar o filho e construir novamente um lar. Porém, as coisas não saem como planejado e ela precisa voltar para a luta. A galáxia ainda não é o local seguro que eles precisam, e ainda há um Império a ser combatido. Além disso, ao chegar a Akiva, ela buscava apenas seu filho, e encontrou a missão de salvar o capitão Wedge Antilles das garras do Império.

Norra é interessante porque, em primeiro lugar, é mãe. E não temos mães desde Amidala, que, convenhamos, não teve tempo de criar seus filhos. Durante o livro, Norra precisa enfrentar Temmim, o filho que deixou para trás quando partiu em busca de uma galáxia melhor para viver. A todo momento, o relacionamento deles é pontuado por essa questão, e ela demonstra que faria tudo de novo, se isso fosse garantir um futuro melhor para ele, mesmo que tenha conquistado a antipatia do garoto por isso. Em segundo lugar, ela é uma piloto destemida, capaz de manobras incríveis e que sente as naves como poucas pessoas o fazem. Além disso, ela luta pelo que acredita todos os dias. Juntar-se à Rebelião foi sua maneira de mostrar ao mundo que não ficaria calada diante das atrocidades do Imperador.

Sem falar, é claro, na irmã de Norra, Esmelle, que é casada com outra mulher. Ambas foram responsáveis por cuidar de Temmim durante a guerra, e são um casal tranquilo e apegado ao planeta Akiva, onde vivem. Não têm interesse na Rebelião ou no Império, só buscam viver suas vidas, sem chamar atenção.

Por último, temos Jas Emari, a caçadora de recompensas Zabrack. Jas estava em Endor, durante a batalha, com a incumbência de eliminar a Princesa Leia. Ao perceber que o Império perdia a batalha, mudou de lado e passou a trabalhar para a Nova República. Ela vai para Akiva eliminar um alvo do Império, importante para a política e com um preço alto sobre sua cabeça. Jas é determinada, forte, inteligente e rápida. Tudo o que uma caçadora precisa. Porém, trabalha sozinha e não tem amigos. Pelo menos não até encontrar o estranho grupo que Wendig junta em sua história, que luta para destruir os últimos resquícios de um Império totalitário.

Além dessas personagens incríveis, que por si só já valem a leitura, o livro traz o outro lado da Guerra Civil, que não aparece nos filmes. A libertação dos planetas sob o comando do Império e a devastação deixada pela guerra ficam escancarados na história. São mostrados povos que ficam à mercê da sorte após serem libertados, povos escravos e povos que lutam contra o Império da maneira que conseguem. As marcas que a guerra imprime nos “danos colaterais” são chocantes e trazem à tona uma faceta de Star Wars que George Lucas ignora nos cinemas.

Um grande exemplo, além da família despedaçada de Norra, é Sinjir, um ex-agente do Império, que trava uma luta interior constante entre o que acreditava e o que vive. Ele é um desertor do Império que ainda não está convencido de que é um Rebelde. Sinjir trabalhava buscando falhas e traições nos imperiais e, por isso mesmo, conseguiu ver o lado mais podre de toda a estrutura. Agora, ele precisa decidir de que lado está, e conviver com as vidas que destruiu.

Chuck Wending consegue abordar diversas questões em seu livro, que é uma obra fácil de ler (pelo menos depois que você se acostuma com a narrativa em terceira pessoa do presente) e que agrega um pouco mais de diversidade ao universo de Star Wars como poucos livros e quadrinhos o fizeram antes. Por ser o primeiro livro publicado que se passa entre os episódios VI e VII, os fãs podem esperar várias surpresas e uma história recheada de ação, batalhas espaciais e, é claro, personagens maravilhosas.

E, os fãs #mimimi que aguardem. Vai ter negra no comando das naves do Império SIM, vai ter uma piloto muito foda arrasando nas missões SIM, e vai ter MUITA MINA nesse universo. Porque, é aquela coisa, representatividade importa, e muito.


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Gabriela Colicigno

Leitora desde criança, jornalista, booktuber e apaixonada por palavras, é viciada em chocolate, computador e livros de fantasia.