Quem é você atrás da máscara? Síndrome do impostor, mulheres e ciência

Você já vivenciou o sentimento de que você não merece estar onde está? Que você não é inteligente o suficiente? Que você não é competente e sim uma fraude e que as pessoas vão descobrir algo que denuncie sua incapacidade?

Caso sim, você apresenta a síndrome do impostor, que é observada com frequência no ambiente universitário, principalmente na pós-graduação. Homens e mulheres apresentam a síndrome do impostor, só que as mulheres vivenciam isso com mais intensidade, fazendo com que muitas desistam da carreira científica e optem por carreiras menos competitivas.

Eu soube da existência dessa síndrome quando li o primeiro capítulo de um livro que abordava o papel das mulheres na ciência há poucos anos. A identificação foi imediata, como se fosse um capítulo inteiro dedicado a mim “Para Isabelle, com carinho”. Desde então, pude reconhecer os momentos em que a síndrome do impostor invade meus pensamentos e isso foi um dos primeiros passos para diminuir a influência desta síndrome na minha vida profissional.

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Primeiro passo: identifique o fantasma da síndrome dos impostor

Expor os sentimentos, que fazem com que você se sinta uma fraude, aos colegas pode auxiliar imensamente no processo de superar a síndrome do impostor. Esta atitude também pode ajudar as outras pessoas a perceberem que também sofrem com isso. Por isso, conversem, comuniquem e também discutam sobre isso em aulas de graduação e pós-graduação. Na Universidade onde trabalho, esse tema é abordado já no início da pós-graduação.

Primeiro passo: identificar, segundo passo: destruir. Seguem abaixo, alguns conselhos para superar a síndrome do impostor:

1) Evite se comparar com outras colegas de carreira, essa atitude potencializa a síndrome;

2) Faça um arquivo que contenha elogios de outras pessoas em relação ao seu trabalho, leia os comentários quando sua síndrome estiver em alta;

3) Assuma que seu sucesso é fruto de sua capacidade;

4) Diga o que você sabe, quando não souber de alguma coisa, admita sem culpa e investigue depois;

5) Entenda que cometer um erro é diferente de ser uma fraude;

6) Tenha ação! A síndrome do impostor é anulada quando produzimos.

7) Converse com mentoras sobre os desafios que elas encontraram durante a carreira científica. Lembre-se sempre que elas também são mulheres como você e não seres imortais com superpoderes! (seria muito mais divertido).

Agradecimento:

Tamiris Santos Pessoa pela revisão de texto.


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Isabelle Tancioni

Sou veterinária, cientista, hipster, Tiki, nerd, geek. Gosto de comics, música, cartoons, animais, plantas.