007 Contra Spectre e o possível fim da era Daniel Craig

E lá se vão 24 filmes em pouco mais de 50 anos. Contando com trilhas sonoras de arrebentar e seis atores diferentes para interpretar o papel do agente secreto mais conhecido da história do cinema. Porém, a era de Daniel Craig como James Bond pode ter chegado ao fim.

A franquia deu um reboot em 2006 com Cassino Royale a primeira história sobre o agente escrita por Ian Fleming, o cabeça por trás de tudo e também o primeiro filme de Craig. Nele vemos Bond encontrar seu grande amor, mas perdê-la de forma trágica devido a sua linha de trabalho e ter que conviver com essa dor. A partir daí podemos dizer que Bond inicia sua derrocada, enfiando os pés pelas mãos nas missões e tentando a todo custo aliviar essa perda de alguma forma.

Em Quantum of Solace (o mais fraco dessa quadrilogia) James consegue vingar a morte de Vesper, mas descobre que uma organização poderosa é a responsável por outros ataques similares e decide não parar por aí. Tais eventos o perseguem até Skyfall e o agente se vê obrigado a enfrentar seu passado para conseguir derrotar aqueles que querem derrubar o MI6. Agora em 007 Contra Spectre James Bond vai descobrir a razão de tudo o que tem acontecido de ruim em sua vida e por um ponto final nessa rede de criminosos.

Numa clara intenção de emular os clássicos títulos da franquia, utilizando de várias referências, o filme acaba ficando aquém do esperado. A ideia de unir a história dos quatro filmes, mesmo sendo muito válida, sofre de problemas estruturais de roteiro que não tiveram como serem sanados, tendo em vista que provavelmente esse não deveria ser o conceito original. Logo, tentam enfiar goela abaixo do espectador uma trama morna na esperança de que todas as cenas de ação e romance compensassem as falhas e bem, funciona, até certo ponto.

É inegável o fato que se trata de um filme de entretenimento e as cenas de ação são as mais mirabolantes possíveis, fazendo com que o espectador se segure na cadeira do cinema com tantas reviravoltas, perseguições, explosões e lutas dentro de helicópteros. Porém, o arco principal, aquele que conduz e deveria selar os demais sub-plots, deixa muito a desejar e tem nome: Christoph Waltz.

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Christoph Waltz e Léa Seydoux em cena de 007 Contra Spectre

O vilão que surge como sendo o cabeça da organização Spectre é tão insosso e apático que não é possível sentir nada por ele além de pena por ter aceitado um papel tão fraco. Waltz não consegue criar uma ligação vil com Bond, como deveria ser, e fica parecendo que ele é apenas um louco qualquer que teve uma ideia megalomaníaca comprada por muitos poderosos espalhados pelo planeta. Todavia, como ele conseguiu reunir e convencer tantas pessoas, não se sabe.

Outros aspectos do longa permanecem bem fiéis ao conceito da franquia como os carros e as mulheres. Monica Bellucci faz uma participação ínfima e poderia ter sido melhor aproveitada do que apenas ser a “esposa troféu” de alguém com informações a partilhar. O mesmo pode ser dito de Dave Bautista que possui uma única fala em todo o filme. Já Léa Seydoux destoa bastante das costumeiras Bond Girls (assunto que será tratado melhor num próximo texto.)

A atriz possui uma presença em tela que nos faz grudar os olhos nela e de fato acreditar nesse romance impossível entre os dois. Ela convence não somente como par do Bond, mas também no papel de antítese a tudo aquilo ao qual o agente vem renegando por tanto tempo. O tal sopro de liberdade que James sempre desejou, mas nunca soube verbalizar.

Por fim, 007 Contra Spectre entrega um filme dentro de todos os parâmetros da franquia e que não se arriscou a ser mais do que correto, lhe rendendo um posto menor no ranking abaixo de títulos como Cassino Royale e Skyfall. De toda foram, vale a diversão e principalmente ouvir a belíssima canção de Sam Smith “The Writing’s on The Wall”.


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Melissa Andrade

Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão. E sempre disposta a aprender muito mais. Por isso é Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado. Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.