O livro que eu queria dar de presente para todas as amigas

Por Giovanna Cartapatti

De bobeira, eu estava passeando pela livraria, procurando alguns quadrinhos feitos por mulheres ou com protagonistas mulheres. Como sempre, bateu aquela total desilusão em não me sentir representada pela única mulher na capa hiperssexualizada que estava ali. Quando ia dobrando a esquina rumo à próxima prateleira, me chamaram a atenção vários arabescos coloridos e a frase “poder das garotas” e eu mal podia acreditar que eles estavam ali, naquele espaço que parecia inabitável por alguém do gênero feminino.  

Capitolina: o poder das garotas vol. 1, lançado no dia 17/10, reúne textos publicados na revista on-line Capitolina e artigos inéditos. No total, são 41 autoras que falam, sob uma perspectiva feminina, de corpo, sonhos, artes, viagens, relacionamentos e outros temas comuns ao dia a dia de qualquer pessoa.

Para quem ainda não conhece, a Revista Capitolina é uma publicação eletrônica e independente, construída por e para jovens que não se sentem representadas pela mídia e criam, por meio de seus textos, um movimento de debate e acolhimento. Apesar do foco em adolescentes, as matérias da revista logo, todo o conteúdo do livro são direcionadas a todas as pessoas que querem entender mais sobre a questão de gênero e como ela se manifesta em diversas áreas da vida.

O livro trata de forma didática e leve pautas densas, como identidade de gênero e autoflagelação, por exemplo. É uma coletânea para se aprofundar e desconstruir-se também. Afinal, por mais inserida no feminismo que você possa estar, nem sempre se tem a chance de aprender o que é ser trans ouvindo ou lendo uma pessoa trans, ou ainda o que é sofrer gordofobia pela vivência de quem passa por isso por muitos anos. E a aprendizagem do livro não se limita ao “ler” e “absorver” informações: em meio aos temas, surgem páginas fazendo convites para desenhar, contar histórias, fazer receitas e, de um modo geral, se conhecer melhor.

As editoras da revista, Clara Browne, Lorena Piñeiro e Sofia Soter, têm muitos motivos para se alegar: a leitura  desperta o sentimento de irmandade e cumplicidade em quem lê, o que dá um grande check nos desejos apresentados logo na introdução do livro. O tom de conversa e as cores presentes na obra jogam leveza no ar e aliviam as tensões da sociedade com uma dose de fé na transformação.

Ao terminar de ler, sobraram duas coisas em mim: mais esperança no mundo e a vontade de sair presenteando todas as meninas incríveis que eu conheço com um exemplar junto a um bilhetinho que diz “você não está sozinha”.

Giovanna Cartapatti tem 21 anos, é jornalista e trabalha como social media. Passa metade do dia criando conexões e usa a outra metade para fazer planos e salvar o mundo.


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.