Planos para 2016

Chegamos no momento do ano que naturalmente começamos a pensar em nossos planos para os próximos 12 meses. Sejam planos pessoais ou no trabalho é o momento que todo mundo se pergunta: é hora de uma mudança?

Encontro-me neste momento já algumas semana e discutindo o planejamento 2016 no meu trabalho e notei algo: há uma urgência e ansiedade incrível em sempre planejamos mudanças. Quando planejamento virou sinônimo de mudar? De fazer diferente, romper com o status atual, saltar para um novo platamar ou estilo de vida/rotina que não é praticado agora? Emagrecer, fazer mais esporte, implementar Happy Friday no escritório, lançar um aplicativo, mudar o perfil da carteira de clientes. Lógico que toda ação necessita de um plano, mas plano não necessariamente provica modificações.

Em meu exercício omecei a ponderar os fatores externos, a desaceleração atual que vivemos compondo um cenário cheio de incertezas ao mesmo tempo em que somos bombardeados com notícias e capas de revista dizendo que “É o momento das Startups! Pessoas estão abrindo seu negócio e atraindo milhões em investimento”, “Adolescentes programam e lançam app revolucionário”, “X empresa lança novo produto/serviço e revoluciona seu negócio”, “Profissional de sucesso larga tudo e inventa uma nova (e melhor) maneira de ganhar dinheiro”.  Títulos como estes colaboram para criar uma sensação absurda de que estamos parados, não estamos fazendo nada, estamos ficando para trás. Se você não está revolucionando, você não tem utilidade.

Com esse incomodo saí para pesquisar e conversar com pessoas do mercado para entender: devo atender esse chamado coletivo da revolução ou não é bem assim? Consegui respostas interessantes.

A primeira veio desde texto “Why Am I not a maker” da engenheira Debbie Chachra que discute o quanto nossa cultura está supervalorizando os “fazedores” desequilibrando o mercado e as aspirações pessoais fazendo com que outras funções tão essenciais como ensinar, manter e até ajustar e corrigir parecam menos atrativas.

A leitura desse texto veio a calhar com uma conversa com um grande amigo meu, também sócio de uma empresa de serviços dentro da área do marketing digital que disse: “A ideia, o primeiro passo do fazer você já fez. Você já criou, já revolucionou. O correto agora é pegar o que voc6e revolucionou e transformar em situação. Dá robustês ao seu feito, fazendo ele ganhar corpo, solidez, vida própria.”

Por mais que esse discurso se pareça com o algo que o Mestre Yoda falaria, no resumo é: mudar efetivamente precisa de rompimento, ajuste e manutenção para que a mundança possa ser efetivamente uma nova realidade. Senão, caimos no efeito sanfona (sim o mesmo que dietas sem plano de manutenção podem causar). Ou até pior, podemos provocar o efeito sanfona involuntariamente porque simplemente achamos que não estamos satisfeito com o rompimento que provocando anteriormente, podendo ser letal.

Em termos práticos: não rompa nada agora (eu sei, estou correndo o risco de parecer uma astróloga aqui); se estamos encarando um cenário com um pouco mais de incerteza que o normal, porque você vai deixar de dar atenção e cuidar o que te trás a principal fonte de investimento/renda para depositar energia em uma nova explosão que vai consumir muito de você em um curto espaço de tempo.

Sendo assim, no momento decidi não olhar tanto para capas de revistas que diz que “Startups é o hype”, mas sim ver mais negócios resilientes como o que a Viviane Duarte, sócia do Plano Feminino, descreveu em um ótimo post em sua timeline no Facebook:

Para as Empreendedoras Anônimas, de todo coração.

Toda madrugada uma Dona Maria se levanta para preparar quitutes fresquinhos para os seus clientes. Pelas ruas, muitas Marias, Aparecidas, Augustas e Sônias transitam com suas sacolas. Roupas, acessórios, maquiagens, vasilhas de plástico, lingeries. Muitos as conhecem como sacoleiras, outros as chamam de mascates. São guerreiras, sobreviventes.

Talvez estas mulheres nem saibam o significado da palavra empreendedorismo. Talvez elas imaginem que esta labuta faça parte da vida e que estão apenas se virando para pagar o aluguel, o curso de computação para o filho, o prato cheio no final do dia e nem sequer imaginam a força que carregam em suas sacolas. Fortes. Insistentes.

Muitas destas mulheres fazem a palavra empreender ter muito mais sentido. A maioria – longe dos holofotes, das cadeiras da universidade e cursos de MBA – está transformando não só as suas vidas, mas a de dezenas de pessoas à sua volta. Incansáveis. Não, elas não querem aumentar a escalabilidade de seus negócios. Nem tão pouco criar um modelo de franquia e expandir. Elas querem estar exatamente onde estão. Querem pagar as suas contas com o que acreditam fazer de melhor.

Estas são mulheres que se esvaziaram delas mesmas e se encheram de fé, de coragem e propósito. E não, o objetivo nunca foi, e talvez nunca será, sair dos arredores de sua comunidade. Mas sim, proporcionar felicidade e um pouco mais de conforto aos seus. Com os seus negócios elas estão trocando os móveis de suas casas, vestindo melhor a criançada, fazendo negócios com a Dona Luiza do Magazine e um churrasquinho no fim de semana. Elas pagam suas contas em dia. Têm os seus nomes como o maior patrimônio e honram sua palavra. São supermulheres. Lindas de viver. Inspiradoras.

Quando cruzar com uma mulher dessas nas ruas, pare. Admire. Observe. Aprenda.

Vai ver que elas têm brilho nos olhos e uma esperança que faz a gente sufocar. Vai perceber que toda a energia destas mulheres vai te fazer pensar o que tem feito da vida com tanto nas mãos. E então você vai suspirar. E talvez renovar suas esperanças de que é possível fazer muito com pouco. E enquanto você estiver indo para casa pensando nisso e dormir com a imagem destas mulheres na cabeça, elas estarão se preparando para o dia seguinte. Para o despertar na madrugadinha, com sorriso no rosto. Anônimas. Realizadas.

Felizes. ‪#‎Diadoempreendedorismo‬ ‪#‎empreendedorismofeminino‬‪#‎todamulhertemumplano‬

E você? Quais seus planos para o ano que vem?


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Sylvia Ferrari

Relações Públicas formada pela Escola de Comunicações e Artes da
Universidade de São Paulo com especializações em Branding e Gestão Estratégica de Negócios pela Fundação Getúlio Vargas. Escreve e fala sobre seriados intensamente aqui nos MinasNerd e em sua newsletter The S Files.