Resenha: Os primeiros passos fora do vault 111 em Fallout 4

Este texto foi escrito pela leitora Natalle Moura. Quer colaborar também? Envie seu texto para danirigon@minasnerds.com.br!

Criado pela empresa Bethesda Games Studio, Fallout 4 é um jogo para PC, Xbox One e PS4 que faz parte da franquia Fallout. No game, a 2ª Guerra Mundial e os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki geraram o aproveitamento da energia nuclear para a tecnologia, diferindo do que conhecemos atualmente – robôs com inteligência artificial, armas laser e gama, por exemplo – e foram consequência também para uma retaliação mundial: a guerra nuclear.

Os Estados Unidos, ambiente dos jogos, foram devastados. Parte da população conseguiu se esconder em vaults, refúgios no subsolo preparados para esse tipo de catástrofe, e sobreviveu os piores anos. Aqueles que não conseguiram se proteger, morreram ou sofreram mutações com a radiação. Essa é a base para os jogos da franquia. Em Fallout 4, o jogador é sobrevivente do vault 111, em Boston, Massachusetts. E é aí que começa a história.

O vídeo para explicar e ambientar o momento do Fallout 4, tecnologia e guerra. Vem com sua frase icônica, que perdura em todos os Fallouts: “War never changes” (A guerra nunca muda, em tradução livre).

***AVISO: A partir daqui, o texto pode conter pequenos spoilers. Se você não gosta, não continue!***

A primeira bomba nuclear caiu em 2077, momento em que o personagem principal consegue entrar no vault com sua família. Eu escolhi jogar como mulher e me deparei primeiro, no banheiro, me olhando no espelho. É nessa interface que escolhemos o perfil do nosso personagem. Achei extremamente interessante que neste Fallout eles finalmente colocaram mais peso na aparência feminina. Aliás, a franquia sempre permitiu escolher o sexo do personagem, o que já conta bastante se compararmos com os jogos em geral, mas no 4 melhoraram as funcionalidades de aparência.

Personagem negra em Fallout 4
Nessa captura de tela mostro os nomes interessantes que deram aos estilos de cabelo. Finalmente podemos ter mulheres negras com penteados maravilhosos!

Criei minha personagem e pude alterar a aparência do meu marido também, que estava ao lado, no banheiro. Terminando isso, descobri que minha família era maior que o esperado: eu tinha um filho recém-nascido. A partir daí o jogo desenrola em uma entrevista para meu acesso a um vault para garantir minha sobrevivência a uma possível catástrofe nuclear. Escolhi meu nome e meus atributos.

Antes de começar a jogar Fallout 4 tive acesso, no subreddit específico do game, aos nomes que o meu robô pessoal (sim!) é capaz de pronunciar. São dezenas de nomes, mas os que me chamaram mais a atenção foram: Furiosa (sim, do Mad Max!) e Cherry Bomb (homenagem à música das Runaways). Confira aqui a lista completa de nomes – incluindo nomes absurdos e engraçados! Optei por Cherry Bomb.

Fallout é um jogo bem diverso: é RPG por conter modificações de atributos (força, carisma, sorte) e missões, é um jogo de mundo aberto (podemos ir para qualquer lugar sem nos atrelar a uma só missão), é jogo de tiro (tanto em primeira pessoa como em terceira pessoa), é um jogo sci-fi, survival, casual e por aí vai. É possível jogar do jeito que você quiser. Eu escolhi fazer uma personagem carismática, perceptiva e inteligente. Depois disso, escuto a televisão noticiando um acontecimento terrível e em seguida, todos correndo na rua. O jogo se desenrola e acabamos eu e meu marido, com meu filho nos braços, entrando no vault 111. A partir daí é só sofrimento.

Explosão em Fallout 4
Arrepiei com esse momento. É impossível evitar a imersão nesta hora.

***Fim dos spoilers!***

Minha experiência com esse jogo até agora me fez repensar o quanto estamos despreparados para uma catástrofe dessas, no que a tecnologia é capaz de fazer e, também, no quanto a empatia (ou a falta dela) é capaz de mudar o mundo.

Como mulher, me senti representada por poder jogar com um modelo de personagem que eu pude escolher (pude ser negra, asiática, caucasiana, latina, escolher meu biótipo e cabelo), vestir roupas e armaduras que são coerentes (não há hipersexualidade se eu não optei claramente por isso) e perceber diferenças até em falas de acordo com meu sexo, aparência e modo de agir.

A tradução (apenas escrita, não dublada) para o português ficou fenomenal. Observei pouquíssimos erros de tradução e fiquei maravilhada sobre como mantiveram até xingamentos e adaptaram expressões da nossa língua.

Esse é um exemplo da tradução para o português de Fallout 4.
Esse é um exemplo da tradução para o português.

E a música, sempre bem marcada na franquia, se superou. A rádio clássica toca clássicos famosos como “A Cavalgada das Valquírias” de Richard Wagner, “O Lago dos Cisnes” e as famosas sinfonias de Beethoven, por exemplo. A rádio alternativa toca clássicos do rock antigo, passando por Bing Crosby e Nat King Cole. É possível ouvir as músicas selecionadas pela Bethesda no Spotify.

Para quem nunca jogou um Fallout, recomendo começar agora. Para quem já está acostumado, esse jogo superou os anteriores e me surpreendeu positivamente. Vi, por exemplo, que os raiders (invasores) foram ainda mais humanizados: é possível ouvi-los conversando sobre a vida, dificuldades e comida, por exemplo. Podemos também ter relacionamentos com nossos companheiros de viagem, independente de sexo e raça!

Infelizmente, o preço do jogo está salgado, mas vale a pena caso você possa comprar. A Wasteland está como deveria ser: cheia de desconfiança, desafios a cada passo e totalmente modificável conforme o jogador progride.

Deixo aqui o trailer oficial de lançamento, em que finalmente mostraram o modelo feminino e sua voz, para te ambientar e trazer aquele frio na barriga. 😉


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Dani Rigon

Tradutora/redatora, viciada em livros, gamer e chefona da Impetus e-Sports. Gosta de gatos, sorvete e sotaque inglês. Se arrepende muito de ter vendido seu N64.