Star Wars na Mesa Proibida I: X-Wing

Enquanto 17 de dezembro não chega, que tal experimentar um jogão analógico que nos transporta através do hiperespaço para uma galáxia muito, muito distante?

Vem cá, cês não acham a transmidiatização um troço loco?

Filme tem que virar livro, HQ, videogame, animação, peça de teatro, musical, ópera, RPG, jogo de tabuleiro. É uma estratégia vencedora numa sociedade voltada para o consumo, mas, se fosse só uma questão de consumo, objetos licenciados — como collectibles, material escolar e chinelos — seriam mais que suficientes para saciar a ânsia da galera de se identificar com o universo ficcional de, digamos, Star Wars. Mas essa intensa transmidiatização de que eu tou falando parece atender a uma vontade de consumir histórias, e não objetos. A gente não se contenta mais em curtir as narrativas apenas em seus suportes originais. Queremos prolongar, reproduzir ou recriar uma experiência que nos agradou, cativou ou emocionou.

Jogos de cartas, miniaturas e tabuleiro não são famosos por desenvolver narrativas, embora alguns não só o façam como tenham sido criados especificamente com essa intenção. No entanto, quando bem projetados e desenvolvidos, esses jogos analógicos são excelentes reprodutores ou recriadores de experiências.

Daí que, para esquentar os motores antes da estreia de uma continuação oficial da saga Star Wars que as pessoas da minha geração estão esperando há 38 anos, tou convidando vocês a experimentar um jogo analógico inspirado na franquia.

Oi? Cê prefere jogar Battlefront? Saque a blaster, amiga. Se eu atirar primeiro, pó dexá que a gente corrige a cena na pós-produção.

Star Wars: X-Wing

Fantasy Flight (original)/ Galápagos Jogos (no Brasil)

Design e desenvolvimento: Jay Little, Adam Sadler, Brady Sadler e Corey Konieczka.

Jogo de miniaturas colecionáveis, de regras concisas, elegantes e acessíveis ao público que não está acostumado à complexidade dos jogos de miniaturas tradicionais. Reproduz em cima da mesa os dogfights entre os vários caças e fragatas da Rebelião e as naves de pequeno porte do Império Galáctico.

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Como é que funciona

X-Wing é ideal para duas jogadoras, mas pode ser jogado por até quatro pessoas. Um lado fica com a Rebelião; o outro com o Império. Cada facção monta sua esquadrilha com as naves, os pilotos e o armamento que quiser, mas a formação é limitada por um número predeterminado de pontos (geralmente 100). Você pode colocar Luke, Vader, Han ou Chewie em campo, mas também há pilotos do universo expandido de Star Wars, como Wedge Antilles, e alguns ilustres e desconhecidos “pilotos recém-saídos da Academia”. A jogadora que tiver investido menos pontos em sua esquadrilha tem a iniciativa. Em caso de empate, o Império sempre leva a vantagem.

As jogadoras posicionam suas naves em lados opostos da área de combate. A partida é estruturada em fases bem claras: escolher a manobra que cada piloto de cada nave fará, mover as naves segundo a ordem inversa de iniciativa e escolher qual será a ação preparada pelo piloto, atacar o inimigo segundo a ordem de iniciativa se houver alvos legítimos dentro do alcance das naves, resolver os ataques e assim por diante.

As manobras são escolhidas em segredo, usando-se os discos de manobra: você pode optar, por exemplo, por seguir com a nave em linha reta três unidades de movimento ou fazer uma curva fechada à direita de duas unidades. Existem réguas para todas as unidades de movimento e todas as direções e intensidade de curvas.

xwing_tableAs ações dos pilotos costumam ser executar manobras extras especiais — como a característica pirueta dos TIE, por exemplo –, mirar, esquivar-se ou se concentrar, preparando-se para, na troca de tiros, aumentar o dano causado nas naves adversárias ou escapar do fogo inimigo.

As bases das naves indicam o arco de tiro de seu armamento principal, e o alcance máximo dos disparos é determinado por mais uma régua. Os ataques são resolvidos jogando-se dados de ataque e defesa. O sistema é simples: símbolos de esquiva nos dados de defesa cancelam símbolos de impacto nos dados de ataque. Sobrando impactos, isso é revertido em dano à nave. Naves dotadas de escudos resistem mais tempo que as naves que não têm essa sorte.

O objetivo da partida pode ser simplesmente eliminar todas as naves adversárias ou cumprir alguma meta especificada por uma missão, como escoltar uma nave neutra para fora da área de combate, por exemplo.

A experiência

As partidas duram de 60 a 90 minutos e geralmente são tensas. Prepare-se.

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Dois impactos contra uma esquiva: ooops!

Não basta decidir o que você quer que seus pilotos façam: é preciso imaginar o que a adversária fará, onde as naves dela provavelmente estarão após se moverem, e o que você poderá fazer para pegá-la de surpresa. Portanto, não é um jogo fácil para pessoas que têm visão espacial pouco desenvolvida, mas isso não quer dizer que seja impossível para essas pessoas jogá-lo.

Da primeiríssima vez que me sentei à mesa para jogar Star Wars: X-wing, eu não fazia ideia do que esperar do jogo, em termos de mecanismos e regras, mas, como eu costumava jogar o videogame X-wing vs TIE-fighter em priscas eras, fiz certas suposições antes da partida começar. Imaginei que os X-wing tivessem bons escudos, que os TIE e A-wings fossem rápidos e manobráveis, que o Y-wings fossem lentos, mas tivessem canhões iônicos que poderiam desabilitar temporariamente outras naves. Star Wars: X-wing não me decepcionou: reproduziu em cima da mesa exatamente o que eu esperava que as naves fizessem.

Dica

Vocês vão precisar de espaço, e isso não foi um trocadilho. Arranjem uma mesa grande, para que a área de combate seja pelo menos um quadrado com 90 cm de lado e ainda sobre espaço para organizar os componentes do jogo, que são vários, nas áreas de preparação rebelde e imperial. Jogadoras experientes cobrem a área de combate com uma espécie de tapete de borracha vulcanizada: isso aumenta consideravelmente o atrito entre a base acrílica das miniaturas e a mesa, reduzindo a chance de deslocamentos involuntários e acidentes.

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Disco de manobras do A-Wing: curva acentuada à direita.

Quero jogar, #comofaz

É um jogo de miniaturas. Você começa com uma caixa básica, daí vai aumentando sua esquadrilha adquirindo expansões.

Com a caixa básica Star Wars: X-wing – Jogo de miniaturas, já dá para sair jogando. Contém um X-wing e dois TIE, cartas de piloto, armamento e melhorias, as regras, os discos e réguas de manobra, marcadores variados, cartas de dano e os dados de ataque e defesa. Também apresenta três missões com objetivos variados para vocês experimentarem e peças especiais — como asteroides, por exemplo — exigidas por algumas missões.

A caixa básica custa em torno de 160 reais.

Expansões: As naves também são disponibilizadas em pacotes individuais que você pode adquirir para aumentar sua esquadrilha. Preços variados. A Galápagos já trouxe para o Brasil os X-wings, Y-wings, A-wings, a Millenium Falcon, os TIE-fighters, TIE-interceptors, TIE-advanced (é, o do Darth Vader) e a Slave I.

A Fantasy Flight tem muitas outras opções, se você quiser se arriscar a importá-las, inclusive a nova caixa básica com as naves inspiradas em O despertar da Força. Eu, por exemplo, curto bastante a YT-2400 e o TIE-Phantom.


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

MC Zanini

Profissional do texto no Zombie Dodo Studio, mãe, RPGista e peã de tabuleiro.