Madalena Schwartz: a senhora que fotografava a contracultura queer na ditadura

A fotógrafa Madalena Schwartz é conhecida principalmente pelo seu trabalho envolvendo transformistas da série Crisálidas. A fotógrafa também tem um extenso repertório de retratos de celebridades, incluindo intelectuais, escritores, músicos, atores e artistas plásticos.

fotografas_Madalena
Madalena Schwartz e gatinho

De origem judaica, Madalena Schwartz nasceu em Budapeste, em 1921. Emigrando para Buenos Aires em 1934, quando fugia do nazismo, órfã de mãe e acompanhada de seu irmão menor, para morar com o pai em um gueto de judeus húngaros. Em 1960, já casada e com dois filhos, se muda para São Paulo. No Brasil, dividia a administração da lavanderia Irupê com o marido. Começou a fotografar em 1966, aos 45 anos, quando ganhou uma câmera fotográfica de presente de um dos filhos.

Já no ano seguinte ganhou sua primeira menção honrosa em um salão fotográfico. A partir de então teve suas imagens publicadas em diversas revistas, como Cláudia e Vogue, colaborou com a Editora Abril e com a TV Globo, durante as décadas de 70 e 80, até 1991. No mesmo período, participou de diversas exposições ao redor do mundo, começando pela exposição individual no MASP em 1974, seguindo para exposições individuais e coletivas pelo mundo. Parou de fotografar nos últimos anos de vida em função de um problema cardíaco, passando a se dedicar à escultura, criando figuras retorcidas e agoniadas, até sua morte em 25 de março de 1993.

O centro de São Paulo dos anos 60 e 70 era muito parecida com o centro de São Paulo de hoje, lotado de teatros e casas noturnas de resistência. Madalena frequentava esses espaços e acabou por conhecer e documentar a vida noturna e a contracultura da época. A série Crisálidas, que teve exposição no Museu da Diversidade ano passado, mostra fotos dos grupos Secos & Molhados e Dzi Croquetes.

A fotógrafa se interessava pelo apelo estético andrógino dos grupos, mais do que seu apelo político. São apenas pessoas bonitas. As fotos eram feitas majoritariamente em um estúdio improvisado no apartamento de Madalena, no Copan. O fato de as fotos serem “feitas em casa” explica a proximidade que sentimentos ao olhá-las. As pessoas retratadas são o que são, da forma como querem ser e se mostram junto aos fortes contrastes das fotografias e da vida durante a ditadura.

Crisálidas5 Duas pessoas andróginas riem. Uma transformista maqueia outra.

Para ver mais fotos, veja a galeria de Madalena do IMS.


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Deborah Happ

Formada em Midialogia, pela Unicamp, com mestrado em Estética e História da Arte, pela USP. Faz umas artes quando dá, escreve por necessidade.