Por que mais filmes de Jogos Vorazes é uma má ideia

É isso aí que você leu, a saga Jogos Vorazes pode ganhar novos filmes em breve. De acordo com o vice-presidente da Lionsgate, Michael Burns, há sim uma chance de que a série ganhe algumas prequels, que são histórias que se passam antes da “original”. No caso, provavelmente serão filmes que vão contar histórias sobre tributos e arenas que vieram antes de Katniss.

“A franquia vai continuar”, confirmou Michael Burns, dizendo que os fãs mais jovens, que são o público alvo, sentiram falta das grandes arenas do primeiro e do segundo filme. Com a intenção de dar ao público o que ele quer, é capaz de a Lionsgate não largar uma de suas maiores franquias e resolver falar de outros jogos, como os Massacres Quartenários.

E isso é uma má ideia.

Nós não somos ingênuos, sabemos que a Lionsgate é uma grande produtora de Hollywood que tem como objetivo principal lucrar com seus filmes. Nunca acreditaria que eles resolveram produzir Jogos Vorazes simplesmente porque acharam que a mensagem do livro devia ser passada adiante. É uma história boa, com muitos fãs e que lucraria ainda mais no cinema, e é natural que eles não queiram deixar Jogos Vorazes ir embora agora, mas ao fazer filmes sobre os jogos antigos a Lionsgate perde uma das críticas principais de sua história e se torna exatamente o que foi criticado nos longas.

Primeiro, podemos pensar um pouco no porquê de os dois últimos filmes terem feito menos sucesso que os dois primeiros. Há muitas pessoas que dizem que é porque o público alvo não entende a mensagem e, ao querer algo com mais “ação e entretenimento”, se torna exatamente as pessoas que a série critica. Acredito que tenha disso sim, mas pode ser também porque dividir o livro A Esperança em duas partes foi uma ideia ruim. Hollywood agora insiste em dividir sua última adaptação em duas partes, só que nem toda história precisa disso, que foi o caso de A Esperança.

Não é que não existam outras histórias interessantes em Panem para serem contadas, mas Jogos Vorazes nunca foi sobre os jogos ou as arenas, a franquia fala sobre armações políticas, propaganda, sociedade do espetáculo… A história vive mostrando como os tributos eram usados como objetos e entretenimento para manter uma sociedade quieta – os que morriam na arena eram sortudos, porque os vitoriosos poderiam acabar tendo que servir às vontades do Presidente Snow pelo resto da vida.

Suzanne Collins não escreveu a série porque achava divertida a ideia de crianças se matando em uma arena. Ela passa uma mensagem, faz uma crítica muito importante; independente dos problemas que os livros e os filmes tenham, ela consegue passar uma mensagem bem forte em um livro voltado para adolescentes. Quando a Lionsgate decide fazer mais filmes focando nos outros jogos, qual é a mensagem? Qual é o sentido? Eu sei que tem muita gente curiosa para ver os jogos do Haymitch, mas além da vontade de vermos novamente um personagem conhecido, por que fazer um filme sobre isso?

A Lionsgate já tinha mostrado que não ia fazer justiça completa à crítica quando passava mais tempo preocupada com o triângulo amoroso do filme do que com outros aspectos. Eles são uma produtora de Hollywood, eles precisam vender, então é óbvio que surgiram momentos de romance água com açúcar que não existiam no livro. A velha história do “desapontada, mas não surpresa”.

Nós sabemos que Katniss foi a única pessoa em 70 anos a ser uma ameaça verdadeira para a Capital, então é óbvio que o filme não mostraria uma tentativa de rebelião que deu errado. Portanto, os filmes seriam basicamente o que o público mais jovem quer: arenas com adolescentes ficando loucos e se matando para sobreviver. Gente, se vocês quiserem ver isso Battle Royale está logo ali (e se a sua vontade é ver violência, é só pegar o mangá*). Expandir o universo da história não é má ideia, contanto que você não perca a mensagem principal no caminho.

Quando a Lionsgate decide fazer uma série de filmes sobre os jogos só para agradar ao público, ela acaba se tornando a Capital, fazendo jogos atrás de jogos para entreter os telespectadores. É óbvio que o filme não está matando ninguém, destruindo famílias ou aterrorizando a população, mas toda a mensagem que o filme se propunha a passar se perde porque eles “querem agradar os fãs”. Além do mais, sabemos bem que, quando uma franquia se estende demais, as chances de ela se perder no caminho são muito grandes.

Não tem problema ficar empolgado porque sua saga favorita vai voltar à ativa, mas acho interessante pararmos para pensar que, por dinheiro, a Lionsgate não vê que se torna exatamente o que seu próprio filme estava criticando.

*P.S.: Eu não tenho nada contra Battle Royale, muito pelo contrário, gosto até mais do que de Jogos Vorazes; apenas quis dizer que, se a vontade é ver algo mais violento, talvez a história japonesa agrade mais.


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Clarice França

Connect to Database. Origem: Reino do Sonhar. Classe: Radialista, escritora e amante de histórias. Reputação: Campeã do Labirinto e de Kirkwall, Heroína de Ferelden, Herdeira de Andraste, Comandante Shepard, Paragade, Dovahkiin, Witcher, Dobradora de Fogo, Targaryen e Corvinal.