Resenha: Guitar Hero Live – agora é de verdade!

Lembro bem quando lá em 2006 tive contato com o primeiro Guitar Hero, no Playstation 2. Na época, não tive a oportunidade de experimentar na guitarra, mas, não por isso, jogar no controle me deixou COMPLETAMENTE obcecada. Passei pelo Legends of Rock, World Tour, GH V e, finalmente, Warriors of Rock. Nessa época, perto de 2010, a concorrência com o Rock Band apertou, lembram? E o último GH foi OK – sem novidades expressivas na jogabilidade, nos gráficos ou na evolução, admito que o gosto pelo jogo deu aquela esfriada. Bom, o tempo passou e agora, em dezembro de 2015, Papai Noel e Activision nos trazem mais um lançamento da franquia.

Lançado para PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One (no qual joguei), Wii U e iOS, GH Live -agora sim!- vem por um caminho BEM diferente do Rock Band, com uma jogabilidade nova e uma proposta bem direta: agora vai ter que aprender a tocar MESMO, caras.

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PQP! A guitarra

Até então, a guitarra era basicamente sempre a mesma: cinco botões coloridos imitando, mais ou menos, a dinâmica do joystick. Agora, encontramos um controle com seis botões, enfileirados em três colunas de dois botões cada (um em cima do outro). Com isso, o jeito de tocar se tornou mais desafiador e, na minha opinião, mais parecido com o instrumento de verdade.

Nada de bolinhas coloridas caindo na tela! Agora você tem apenas botões pretos e brancos que representam, respectivamente, a fileira de cima e a de baixo, e botões meio a meio, que funcionam como pestanas. E aí, se vira, meu bem! Você vai se divertir aprendendo a jogar de novo, a se acostumar com a nova sequência e acelerar esses dedinhos.

Dica de amiga: seja paciente na hora de calibrar. Tive a sensação de que a precisão melhorou bem e, por isso, sua guitarra precisa estar bem ~afinadinha~. Fiquei anos sem jogar e comecei Guitar Hero Live no modo “regular” (o terceiro em nível de dificuldade, seguido por avançado e expert) e olha, não foi muito fácil. Acho que ninguém vai sentir assim TANTA diferença entre os modos regular e avançado – e é no expert que o demônio toma conta. Boa sorte!

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Tem pessoas de verdade!

Sim! E é lindo! Por dar tchau à clássica Judy Nails e ser você mesma aqui. O jogo é apresentado em primeira pessoa e, agora, você olha para a plateia e para o resto da sua banda enquanto faz seu show. Você verá alguns roadies entregando a guitarra na sua mão, vai trocar de instrumento de vez em quando e catar algumas paletas por aí.

Agora, o jogo não tem mais animações e é filmado com pessoas de verdade. Antes de entrar no palco, você conversará um pouco com os outros músicos e os verá em ação, assim como a plateia, que vai cantar e vibrar junto com você.

E prepare-se para sentir a pressão: se você começar a errar muito, o público e a banda vão perceber – e vão te julgar MUITO!!!! Gritos, vaias, objetos arremessados, o baterista mandando você tocar direito e o vocalista pedindo desculpas pela sua péssima atuação. Quer dizer…

Aliás, aqui vale ressaltar um avanço no que diz respeito à diversidade de gênero: você vai encontrar boas personagens femininas durante as apresentações. Tem menina negra, branca, oriental, tem hippie, rockeira, estilo spice girl, metaleira; tem mulher como roadie, como DJ, como produção. Reforço a palavra “avanço” porque a representação ainda é tímida e as músicas de artistas e bandas masculinas são maioria, mas foi grata a surpresa de encontrar bandas completamente formadas por diversos tipos de mulheres.

As músicas

Inicialmente, o jogo deve ter umas 40 músicas e,na minha percepção, o pop e pop rock dominam, bem diferente do último GH que jogamos há alguns anos. Tem Arctic Monkeys, Rihanna, Paramore, One Republic, Jack White, Katy Perry e mais alguns. A princípio, foi um pouco estranho ouvir a voz, sei lá, da Avril Lavigne, sair da boca de uma vocalista que não era ela, mas nada que atrapalhe a experiência. Os gêneros são mais ou menos variados e misturam hits atuais com músicas que, de fato, têm a guitarra melhor trabalhada e explorada.

E aí o esquema é mais ou menos o mesmo de sempre: você toca um set de três, quatro ou cinco músicas de cada vez e vai desbloqueando os shows seguintes à medida que conclui cada um. O chato é que como a quantidade de músicas é relativamente pequena, provavelmente você vai tocar todas bem rápido. E aí, não tem muito jeito, o negócio é tentar jogar em modos cada vez mais difíceis.

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Guitar Hero TV

Por último, a grandissíssima novidade do jogo. O modo TV funciona como streaming e você precisa de internet. Quero adicionar aqui que se a sua internet for lenta, a conexão pode ser complicada e falhar várias vezes até você conseguir se logar.

Bem, funciona assim: o jogador tem acesso a canais que ficam passando clipes o tempo todo. Assim, não há como escolher exatamente o que tocar, você vai jogar o que estiver passando ali naquele momento. Quanto mais você toca, mais pontos acumula e vai ganhando posição em um ranking mundial de jogadores, além de ganhar uma espécie dinheiro virtual para desbloquear itens. Essa parte, na minha opinião, deve compensar o repertório restrito do Live, já que a proposta é que as músicas sejam atualizadas regularmente.

O jogo é bom, desafiador em uma boa medida – não vai te entediar, mas você também não vai querer quebrar a guitarra na parede. Quem tem iPhone consegue baixar um microfone para o jogo pelo Guitar Hero Live Companion App, que funciona via USB.

Faltou um pouco mais de rock e as possibilidades não demoram muito a se esgotar. O preço também é alto: o pacote com o jogo, uma guitarra e acessórios pode custar até R$ 600 (Papai Noel não está sabendo lidar com esses ~tempos de crise~). De qualquer maneira, é muito divertido e mantém aquele espírito de juntar a galera pra jogar, comer uma pizza e ter a sensação de que você sabe mesmo tocar guitarra.


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Aline Pereira

Mestre Pokémon e jornalista. Amante do cinema (e da pipoca com manteiga), compro camiseta de super-herói na seção infantil e nas horas de tédio tento mover objetos com o poder da mente. (Tô no Twitter @alineperr)