Star Wars – O Despertar da Força | O clássico do mundo nerd volta com tudo!

Cerca de 30 anos depois da destruição da segunda Estrela da Morte, os Rebeldes conseguiram restaurar a República, porém simpatizantes do Império se juntaram em um grupo chamado A Primeira Ordem para derrubar o governo. O filme começa com o piloto Poe Dameron (Oscar Isaac), da Resistência,  no planeta Jakku, encontrando um mapa que eles acreditam que irá levá-los até Luke Skywalker (Mark Hamill), o último Jedi, que está desaparecido há anos. A Primeira Ordem ataca o planeta e Poe precisa entregar o mapa a BB-8 a fim de evitar que caia nas mãos dos vilões. Na jornada do droide, ele é encontrado por Rey (Daisy Ridley), uma catadora de lixo que acaba entrando numa aventura para ajudar a Resistência.

O filme foi feito pensando no público novo e antigo. Ao mesmo tempo que as referências e os personagens mais amados da série estão presentes, os personagens novos são igualmente carismáticos e muito bem trabalhados. Por mais que as entradas de Han Solo (Harrison Ford) e Leia (Carrie Fisher) sejam marcantes, o filme sabe que não pode fazer o elenco antigo ser o foco principal, então J. J. Abrams não falha em nos dar novos personagens interessantes.

É evidente que O Despertar da Força segue uma fórmula antiga que nasceu lá com Uma Nova Esperança. Antes de assistir a esse novo filme eu li uma entrevista com George Lucas na qual ele dizia que Star Wars era como poesia: precisava rimar. E sim, o episódio VII rima com o IV. Mesmo tendo muitos momentos parecidos com o outro episódio, O Despertar da Força se reinventa, adicionando o melhor da tecnologia do cinema atual, que não estava presente nos episódios antigos. Imagino que parte do motivo para manter uma linha parecida com a trilogia original tenha sido a grande rejeição pela qual a segunda trilogia passou.

Ver Rey como personagem principal foi incrível e Daisy Ridley, a atriz inglesa, estava excelente. Rey é uma personagem forte, nunca precisa ser salva e, mesmo que esteja com medo e em desvantagem, ela é uma guerreira que continua buscando sobreviver. Só consigo pensar na importância que essa personagem terá para as novas fãs da saga (falei mais sobre Rey aqui). Não só isso, mas Star Wars deixa de ser um universo masculino, com apenas uma mulher no meio de homens. Leia ainda está lá, agora como general, Phasma (Gwendoline Christie) está entre os vilões e Maz Kanata (Lupita Nyong’o) assume um papel de mentora, parecido com o de Yoda. Ainda há espaço para mais representação, porém quando olhamos para os outros filmes, podemos ver o avanço.

Há alguns pontos que foram deixados de lado, como a própria participação apagada de Phasma, o que é uma pena, além de certos momentos exagerarem no fanservice e no fator “vamos chocar os fãs”. Queria ter visto mais da força do dark side e em alguns momentos até me pareceu um pouco apagado, mas o filme flui tão bem, tanto na parte de enredo quanto nas partes técnicas, que mesmo com alguns defeitos O Despertar da Força começa com o pé direito uma trilogia com muito potencial. Então, por favor, se não foi ver ainda, vá, porque vale muito a pena.

Abaixo, comentários com spoilers (muitos spoilers mesmo!).

Como mencionei, o episódio VII rima com o IV e até o novo trio dos heróis lembra muito o original. Rey é a personagem principal, que vai passar pela jornada do herói, assim como Luke fez anos atrás. Poe, em vários momentos, lembra Leia, mandando a informação vital por um droide e resistindo às torturas do inimigo. Finn (John Boyega), assim como Han, é o personagem que cai de paraquedas na história e, por seus próprios motivos, acaba se juntando aos heróis.

A cena em que Rey tem as visões e conversa com Maz é provavelmente uma das melhores do filme, mostrando que, por mais durona que Rey seja, ela é humana, e dando muitas indicações acerca de seu passado misterioso. Para mim, Rey já sabia da Força que tinha e a família que tinha que “esperar” estava relacionada a isso; afinal, ela diz para Maz que não quer passar por isso “de novo”. “De novo” o quê? J. J. Abrams, nos conte no episódio VIII, por favor.

Agora a hora da opinião nada popular: adorei Kylo Ren (Adam Driver) exatamente por todas as suas falhas. Kylo é mimado, faz birra, tem acessos de raiva desnecessários… No começo, isso me incomodou num vilão que parecia ser tão forte a ponto de parar um tiro no ar, mas com a revelação acerca de sua origem, tudo pareceu fazer mais sentido. Kylo é um personagem que tem muito potencial e é o primeiro que vemos que se sente tentado pelo lado da luz, pois até agora só vimos Jedi lutando para não se tornarem maus – então vai ser muito interessante ver um oitavo episódio no qual ele tente se manter como vilão enquanto Rey será treinada como Jedi.

E é ótimo que o personagem que “rima” com Darth Vader (David Prowse/Sebastian Lewis Shaw/Hayden Christensen) seja todo falho como Kylo é. Ninguém nunca conseguiria substituir Vader, então ao fazer um personagem que tem esse objetivo J. J. Abrams vira o jogo e mostra nisso sua maior fraqueza. Até mesmo por esse conflito não fiquei tão incomodada com o final: enquanto Rey aceita sua missão, Kylo mergulha em dúvidas. Espero que em um próximo episódio Rey tenha mais dificuldades, para não parecer “fácil demais”. Realmente espero que Kylo tenha um arco muito bem feito nos próximos episódios, porque ele pode facilmente cair de um dos personagens mais complexos da série para apenas um chato.

Agora vamos falar do elefante na sala: a morte de Han Solo. Matar um dos personagens mais amados da série é arriscado e tenho minhas dúvidas quanto à necessidade disso. A princípio, me parece que foi só pelo fator choque, porém talvez isso tenha mais relevância do que imagino – pode ser, sim, a continuação de um ciclo: assim como Anakin teve que encarar Obi Wan (Ewan McGregor), e Luke teve que enfrentar Vader, Kylo, em sua tentativa de definitivamente ir para o lado sombrio, precisava matar o pai; mas agora, claro, é tudo especulação da minha parte. De qualquer forma, assistir a esse momento me lembrou de todo o sofrimento por que passo sendo fã de Game of Thrones.

Antes de fechar esse assunto, quero registrar o quão linda a fotografia estava, principalmente nessa parte da morte de Han Solo: a luz avermelhada, que antes disputava espaço com a azul, foi tomando todo o cenário momentos antes de Kylo matar o pai. Naquele momento, o lado das trevas venceu e tudo no filme mostrou isso. É um detalhe, mas são esses detalhes que enriquecem ainda mais a experiência do filme.

O final, com a breve aparição de Luke, foi perfeito. Luke deixou de ser o herói que faz a jornada e aparece como o mestre, uma espécie de Obi Wan, e assim se cumpre mais um ciclo do universo de Star Wars. Definitivamente a força despertou e veio com tudo. Que venham os próximos filmes!


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Clarice França

Connect to Database. Origem: Reino do Sonhar. Classe: Radialista, escritora e amante de histórias. Reputação: Campeã do Labirinto e de Kirkwall, Heroína de Ferelden, Herdeira de Andraste, Comandante Shepard, Paragade, Dovahkiin, Witcher, Dobradora de Fogo, Targaryen e Corvinal.