Top Hits Ciência 2015: Algumas das melhores produções científicas do ano que passou.

Iniciamos 2016! E graças a nossa divisão temporal em anos, somos tomados por essa sensação de recomeço e que também serve como momento de reflexão sobre o ano que passou. Então, para começar bem o ano, vamos relembrar juntos os extraordinários acontecimentos científicos de 2015.

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Uma nova espécie Hominídeo: Homo naledi

Em artigo publicado na revista eLife, Berger e colaboradores descreveram a nova espécie, Homo naledi, encontrada em escavações realizadas na caverna Rising Star na África do Sul. Cientistas descobriram aproximadamente 1550 fosseis pertencentes a no mínimo 15 indivíduos.

O diagnóstico diferencial que permitiu a “criação” dessa nova espécie, se deu através da comparação das dimensões do crânio, mandíbula e arcada dentária dos fosseis encontrados com as outras espécies de hominídeas. Homo naledi apresenta espaço cranial pequeno em comparação aos Homo sapiens. Estima-se que o cérebro destes indivíduos tivesse o tamanho de uma laranja. Sua massa corporal também era comparativamente menor que a de nossa espécie variando entre 39.7 kg e 55.8 kg.

Esta foi a maior coleção de fósseis encontrados pertencentes à mesma espécie. Entretanto, a idade destes fósseis permanece desconhecida. Desta maneira, 2016 pode trazer mais novidades e responder importantes questões referentes à evolução dos seres humanos.

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“Marca d’água” em Marte

Em Setembro a NASA (The National Aeronautics and Space Administration) nos EUA, chamou atenção do mundo todo ao prometer a divulgação de uma das maiores novidades dos últimos tempos, e eles não decepcionaram. No dia do tão esperado anúncio, a NASA mostrou fortes evidencias de que água salgada em estado líquido flui nos dias de hoje em Marte.

Mas porque esta evidencia é tão importante e tão revolucionaria? Existe uma frase bastante conhecida entre os astrônomos e astros cientistas: se quiser procurar vida fora da Terra, siga a água (“follow the water”). A descoberta foi recebida com imenso entusiasmo e veio confirmar o que cientistas há anos suspeitavam.

Os dados apresentados pela NASA mostram indícios de que sais hidratados podem ser observados na forma de estrias escuras nas encostas de montes (foto). A presença desta água salgada foi detectada de forma intermitente, já que os córregos formados nas rochas mudam de forma sazonal e desaparecem em montes mais frios. Contudo, a notícia foi suficiente para acender as esperanças de encontrarmos vida, ainda que microscópica, em Marte.

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Transplante de face

Um dos procedimentos médicos mais formidáveis de 2015 foi realizado por cirurgiões do Langone Medical Center na Universidade de Nova York. A operação foi o transplante facial mais complexo e extenso da história, com duração total de 26 horas e mais de 100 pessoas evolvidas, entre médicos, enfermeiros e técnicos.

O paciente, Patrick Hardison, 41, era bombeiro em 2001 quando sofreu graves queimaduras na face depois que um teto em chamas caiu sobre ele e derreteu sua mascara de proteção. O doador foi David Rodebaugh de 26 anos, possuía tipo sanguíneo, estatura, peso, cor de pele e cabelos compatíveis com o do paciente. Atualmente, Hardison apresenta boa recuperação, sem sinal de rejeição da face e melhoria da fala e aquisição de movimentos faciais.

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Flibanserin, o “viagra” feminino

O ano de 2015 representou um marco no tratamento da falta de libido feminino. A Anvisa dos Estados Unidos, Food and Drugs Administration (FDA), aprovou a comercialização do primeiro medicamento destinado ao tratamento de mulheres que sofrem de falta de desejo sexual. O medicamento entrou no mercado sobre o nome comercial de Addyil e pode ser indicado apenas para mulheres que sofrem de distúrbio de desejo sexual hipoativo generalizado adquirido ou HSDD (sigla em inglês).

A notícia da comercialização da droga gerou grande expectativa e o medicamento rapidamente recebeu o apelido de “viagra” feminino. Contudo, essa comparação não representa a realidade. Em verdade, os dois medicamentos apresentam diferenças marcantes. O viagra é utilizado para o tratamento da disfunção erétil em homens e atua aumentando a circulação sanguínea na região peniana e seu efeito pode ser observado poucas horas após a administração da pílula. O flibanserin por sua vez, age regulando neurotransmissores que controlam a libido feminina no cérebro. Seu efeito requer meses de tratamento e as reações adversas mais graves incluem queda na pressão sanguínea e desmaios. Ainda assim, os testes clínicos mostram apenas efeitos moderados.

Mas se demora meses, pode acarretar reações colaterais importantes e os efeitos observados não são expressivos, porque foi um marco? Simplesmente por ser o primeiro e único tratamento para ausência de libido feminina até hoje. Vale lembrar que o mesmo FDA chegou a rejeitar este medicamento em duas oportunidades. Porém, especula-se que sua aprovação tenha sido realizada baseado no simples fato de que não existe nenhum outro tratamento presente no mercado.

O resumo da ópera é, Flibanserin nem é tão bom assim, nem é tão eficaz, mas foi o pontapé inicial. Se compararmos com os (pasmem) mais de 25 diferentes medicamentos visando o tratamento de perda de libido e disfunção erétil masculina. Definitivamente, serve para despertar as indústrias farmacêuticas e estimular pesquisas de novos medicamentos femininos num futuro próximo.

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Já que 2015 foi um ano incrível para ciência, nos resta desejar que 2016 seja melhor ainda.

Feliz Ano Novo!

 

 


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Helen Cristina Miranda

curiosa de nascença/
cientista de profissão