Carol | Cate Blanchett salva o filme

O que leva um filme a ser bom? Que ele vá ser visto e revisto e indicado várias vezes? Um conjunto de fatores? As atuações? O roteiro? Ambientação? Essas perguntas são difíceis de serem respondidas e certamente cada pessoa dará uma resposta diferente.

Se colocarmos o longa Carol que está sendo indicado a seis Oscars nessa equação consigo afirmar que tecnicamente ele é impecável. Os figurinos são deslumbrantes, o cenário e a fotografia soberbos e as atuações marcantes. Entretanto, um único elemento coloca o desempenho do longa em jogo: seu ritmo ou a falta do mesmo.

O diretor Todd Haynes abusa um pouco do fator delicadeza para narrar essa história de amor que é levemente baseada na vida da autora Patricia Highsmith que escreveu “The Price of Salt” de onde origina o enredo do filme. O relacionamento entre Therese e Carol é tratado como se fosse algo extremamente frágil, sensível e que corre o risco de desaparecer se olhado sob outra perspectiva. Afinal, o longa se passa no início da década de 60, uma época em que não se falava sobre esse tipo de relacionamento, especialmente se você fosse casada e muito bem casada. A personagem de Cate Blanchett transita entre querer ser quem é e quem querem que ela seja, algo que provável apenas a atriz consiga realizar com tamanha maestria. Já Therese é o oposto. Mais apática, ela apenas sabe o que não é, e só descobre o outro lado da vida, mais colorido, graças a Carol.

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Tais elementos tendem a se perder ou esmaecer devido ao ritmo arrastado do longa. Talvez tal abordagem possa ser vista de outra forma e na verdade ser a interpretação da descoberta do amor entre o casal principal. Uma história que levou tantos anos para ser contada deve ser tratada com a maior delicadeza e sensibilidade possível. Será? O mundo pode não aceitar bem tais histórias, mas está acostumado a vê-las com frequência, mesmo que a contra gosto da maioria. Então, no fim, a falta do dinamismo e deixar para resolver certos pontos quase no final do filme mais parece um recurso preguiçoso do diretor que preferiu mascarar os problemas enfrentados pela protagonista como se ainda estivéssemos em 1959.

Ainda bem Cate Blanchett soube segurar o filme, como também levar consigo a apática Rooney Mara que só brilha ao lado da atriz veterana, quando sozinha ou interagindo com outros personagens, não se destaca tanto. Outro ponto interessante é a atuação de Kyle Chandler como o marido “traído” de Carol. A interação entre Chandler e Blanchett é de tirar o fôlego e bastante real, como deveria ser mesmo. Provando que o trunfo do filme é realmente a atriz.

Por fim Carol cumpre bem o seu papel, mesmo que de forma mediana. O que é uma pena quando poderia ser bem mais.


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Melissa Andrade

Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão. E sempre disposta a aprender muito mais. Por isso é Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado. Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.