A diversidade nos animes e mangás – uma katana de dois gumes!

Olha a invasão na coluna dazamigas! *hoho*

Pois é gente, hoje é tudo junto e misturado! Eu e a Cecihoney lindona, minha irmãzinha de coração há uns 10 anos, e uma das editoras da coluna Nerdiversidade… Resolvemos juntar forças para discutir um assunto que envolve ambas as colunas e nos interessa bastante! 😉 Será uma matéria escrita a quatro mãos e por isso vamos ir dialogando com vocês e entre nós mesmas durante o texto.

Pegue sua toalha e DON’T PANIC! ><‘

Vai ser uma experiência muito legal! *juro pro’cê!* Nós pensamos em tudo e por isso… Iremos intercalar nossas falas/ideias/diálogos usando nossas cores favoritas… E essa aqui, obviamente é a minha. ^^

Assim, fica tudo um chuchuzinho pra você não se perder e é uma ótima desculpa pra nós usarmos bastante cor e deixarmos o texto bem divoso. *haha*

Bem, começando aqui… Eu gosto de anime desde muito pequena, quando meu pai alugava VHS obscuros nos saudosos anos 80 e eu via coisas como Fábulas de Esopo, Voltes V, Baldius e Macross… Porém, foi na adolescência, com o “boom” do anime e mangá no Brasil iniciado com Cavaleiros do Zodíaco, que eu comecei a ter mais acesso e descobri que no Japão o mercado de animação não era como o ocidental, voltado só pras crianças (algo que está mudando aqui. YAY!), mas sim que haviam produtos diferenciados por idade, gênero e até orientação sexual! Como a Sarinha Tomoyo-chan já comentou em *matérias anteriores.

*Pra quem não sabe de que matéria a Ceci está falando, só dar uma clicadinha aqui. Já aproveita e dá uma relembrada no lance de idade/gênero/orientação sexual. 😉

Já no meu caso, não me recordo a idade exata de quando tudo começou. Minha família sempre foi cinéfila então tudo o que aparecia a gente via junto. Não existia muito essa coisa de “impróprio” para os meus pais, eles simplesmente aproveitavam o momento para ir me explicando os “fatos da vida”. *haha* Tive sorte de ter uma locadora perto de casa cuja dona, a tia Soninha (muito carinho pra ti aonde quer que esteja S2), era muito legal e caçava uns VHS undergrounds pra dispor pra clientela. Lembro até hoje do quanto fiquei impressionada e sonhei por semanas a fio depois de ter visto os movies Vampire Hunter D, de 1985, e Akira, de 1988, com meu irmão mais velho. Afinal, era uma pirralhinha e devia ter por volta dos oito anos de idade quando isso aconteceu. *hehe*

Então… A princípio achei genial essa diversidade tão grande, aliás, ainda acho lindo que não seja tudo apenas pra criança, mas ao entender melhor como funcionava essa separação eu me desapontei. Começando com o mais básico: idade, acho essa até pertinente. Ao menos no que tange a ter uma programação mais educativa pra crianças. E até acho saudável haver um segmento separado pra adultos… Apesar de sentir falta de fantasia e Sci-Fi nessa área e não ter muita paciência pros clichês dos animes pra adolescentes. Mas ainda consigo trabalhar com isso.

Realmente, nos animes infantis mesmo, eles tentam manter uma ideia mais pé no chão, pois tudo tem bastante moral e ética… Já que a intenção é ajudar a educar os adultos de amanhã. Porém temos fantasia fortes também, como movies Meu Vizinho Totoro e animes mais fofuchos como Hamtaro. Mas admito que de Sci-Fi fica mais difícil achar quando é pra “pequetuchos”. Já pra adolescentes a história é outra e envolve uma porrada de anime doido com temáticas fantásticas e tecnológicas. Só que quando entra na onde de animes “adultos”, parece mesmo que nós não gostamos de fantasia, Sci-Fi, terror, etc. Adoro ver e refletir sobre a vida como ela é… Mas também queria algo mais palpável, profundo e bem resolvido do “mundo dos adultos”, só que com ação, fantasia, aventura, etc de pano de fundo. Sinceramente não entendo a relutância em dizer que tudo isso pode ser visto junto, enfim…

Sim. Agora sobre gênero: essa parte complica muito pra mim, não sei se a vivência trans me deu uma visão mais nublada sobre padrões de gênero, mas é um fato de que eu não consigo vestir 100% destes padrões e no fundo talvez ninguém consiga e apenas tentemos vestir isso por imposição ou condicionamento. Eu sempre quis mais romance nos mangás e animes mais voltados pros meninos, e mais combate, robôs e naves nas histórias voltadas pras meninas. Tanto que quando fiz meu cursinho de mangá tinha um conflito sobre que tipo de mangaká eu seria. Isso, claro, na época em que eu achava que seria estritamente uma desenhista de mangá. rs Por que na minha mente tudo se misturava, curiosamente talvez o que ajudasse foi ter crescido com Macross, um anime típico pra meninos, mas tínhamos bastante romance (e tem Milia Fallyna Jenius, uma das moças mais épicas dos animes de mecha! rs).

Com vocês: Milia Fallyna Jenius! *-*

Particularmente nunca gostei muito desse papo segregativo de anime pra menina e anime pra menino. Mas sabemos que é algo bem típico até hoje no Japão. Você não foi a única a ter conflitos com isso. Apesar de eu não ser lá grandes coisas com desenho *nada de nada, pra ser sincera… haha* eu queria criar as histórias pros fanzines e tals. E sempre sentia essa mesma falta de romance nos animes de mais ação e, em contrapartida, do “quebra pau” e do sangueeee nos animes fofinhos de menina. *sou doida, eu sei. xD* Afinal, só por sermos meninas não temos de seguir estereótipo e padrão nenhum. Existem momentos em que queremos o romance, mas também gostamos das aventuras e de todo o showdown rolando. Toda garota/mulher tem todo o direito de gostar de rosa, mas também de azul, de preto, de amarelo e de toda a cartilha de cores. Toda mulher pode ser meiga e durona, ser forte e delicada, ser curta e grossa ou toda flores e mimos. A gente é uma, é muitas, é tudo ao mesmo tempo e quando quisermos. E por isso queremos ver essa miríade de sensações e reações presente em tudo, pois a vida é assim! Não é meu povo? 😉

E aí é que vem a parte de orientação sexual: como já sabemos (não esquece de dar aquela clicadinha lá em cima), existem segmentos de anime e mangá focados em relacionamentos homossexuais, os famosos Yuri ou Shōjo-ai (Girls Love) e Yaoi ou Shōnen-ai (Boys Love)… Que variam entre algo mais forte a algo mais leve, respectivamente. E a parte mais sexual, então? E quando estamos falamos de Japão, o sexual pode se tornar bastante… inusitado? rs Os termos Lemon (entre meninos) e Orange (entre meninas) são aqueles que tem uma pegada mais explícita e descarada. Pois então… A princípio achei lindo, e bom… é representatividade, né? Sempre bom! Só que comecei a observar umas coisinhas – primeiro que estas histórias em geral circulam sempre ao redor dos romances/amor/sexo e nos raros casos onde tem plots paralelos são mero pano de fundo pros ditos relacionamentos. Parece que muita gente não se incomoda com isso, mas como falei antes… Eu gosto de romance, mas só romance como centro, não dá! O outro probleminha, e talvez o maior, é a forma como isso relega os relacionamentos homoafetivos/sexuais a histórias separadas, deste modo “limpando” a mídia geral e poupando quem acha ofensivo de ver tais relacionamentos. Já penso logo na pessoinha que me disse: “Ah, mas agora nós héteros somos obrigado a ver essas coisas homossexuais?”

You’ve just hit a sore spot there, my friend! Realmente, essa segregação de tudo é ultra tensa. Justamente, como você mesma diria: a ideia não é obrigar, mas sim naturalizar, ou melhor, esclarecer que esse casais são tão naturais quanto casais héteros, pois esses relacionamentos fazem parte da vida tanto quanto qualquer outro. Qualquer “tipo” de relacionamento é um relacionamento gente! Se é que existe “tipo”… Pois já começa por aí, não deveríamos ter de classificar relacionamentos. Amor é amor, ponto. Essa necessidade de rotular, separar, especificar só reforça uma necessidade abusiva e mórbida em mostrar o quanto pessoas não são “normais”, são fora do “padrão”, não fazem parte daquela “família tradicional brasileira” and all that shit. =/

Exato! Isso só faz aumentar a distância entre estas pessoas e a realidade de que existimos, de que namoramos, casamos… Enfim, de que somos tão normais quanto qualquer ser humano pode ser e só não temos vidas mais “no padrão” exatamente por conta do preconceito. E nisto até vemos alguns casais homoafetivos em animes e mangás fora dos segmentos específicos, mas novamente, como tem gente que “não pode ver beijo gay” né… A coisa toda fica só nas insinuações, nos “bromances” ou “sisterhoods” da vida. Ou pior, só ficam mais evidentes no mangá e não nas animações. Uma maneira estranha e suja de “limitar” o acesso. Por exemplo, meu casal favorito dos animes são a Nanoha e a Fate da série Mahou Shoujo Lyrical Nanoha (curiosamente também meu shoujo favorito :P), e rolam inúmeras declarações fofas entre elas, gestos maravilhosos… Elas adotam uma filha e vão morar juntas… e não rola um selinho sequer, não rola nenhuma menção clara de que elas namoram, ou tem um compromisso de fato.

Família da Nanoha! S2

‘Ah, mas precisa ser tudo certinho? Como você é cafona Ceci!’

Sou mesmo, admito! rs É o lado pisciana com vênus em peixes… fazer o quê? rs Mas o fato é: casais hétero tem mais que isso nas animações! Claro que existem outras exceções, existem os OVAs (animes lançados em víde-o/DVD), mas aí como não é na TV pode, certo? (Novamente, “limitar”…) Na parte trans, os animes também sempre me tocaram. O que logo me vem à mente é a Seiko-chan de Lovely Complex, primeira personagem trans com quem me identifiquei! Apesar do drama todo no início, o fato dela ser trans deixa de ser seu único definidor ao longo da série e ela segue como uma moça relativamente “normal”. Também gosto muito dos questionamentos sobre gênero em Shoujo Kakumen Utena. Temos novamente, e claro, muitos exemplos complicados e problemáticos, impregnados de fetiche e exageros.

Essa é a fofa da Seiko-chan! S2

Também amo Utena (por isso dedicamos a imagem de capa a esse casal incrível) e é um dos mangás xodós que tenho na minha modesta coleção. E a Nanoha e a Fate… Own! S2 Tenho minhas action figures delas em local de destaque ao lado dos meus mangás. Afinal, essas garotas (e todas do anime, inclusive a Vita S2) sabem chutar bundas como ninguém! xD Curtia e curto bastante Yuris… Mas preciso admitir: sou babona por tudo Yaoi que aparecer na minha frente. *haha* Lembro de uma ocasião ou outra em que te obriguei, Ceci, a assistir meus Yaois preferidos. *hoho* E quase chorei de emoção quando pude comprar o mangá do Gravitation aqui no Brasil. Poder navegar e encontrar vários projetos de animes do gênero com várias amigas pra poder discutir sobre e shippar mais que tudo no mundo… Quem nunca? É libertador! xD Voltando ao que você disse, pode-se dizer que, inicialmente, o mercado japonês disparou na frente de todos quanto a lidar e tratar de relacionamentos homossexuais e fora do “padrão”. E com sua inserção aqui no ocidente ganhamos muito material não só para consumir, como também para usar como destaque e discutir essas exatas questões aqui nesses lados do planeta. Porém, como conversamos outro dia e você bem colocou, o mercado japonês acabou se congelando em seus padrões dos meados dos anos 90. E não é a toa que a mega crise japonesa se faz presente em muitos fatores e setores, assim como da produção de anime e mangá e da própria cultura que possui cada vez mais aspectos estagnados e antiquados. But, porém, todavia muito temos a que agradecer, pois influenciaram o ocidente a explorar melhor as possibilidades em seu mercado de animação também e, talvez, seja graças a isso que hoje tenhamos igualmente mais representatividade no mercado ocidental. Como a galera pode conferir nas sessões de HQ aqui do nosso portal.

Espero que tenha gostado tanto quanto nós duas dessa matéria meio bate-papo minha e da Cecihoney! Deixamos muitas ideias para você refletir, né? Não se acanhe e pode entrar em contato conosco para trocarmos figurinhas! Poder conversar livre e abertamente é sempre muito importante e vital! E garotas, aqui VOCÊS são nossa VOZ! 😉

E pra encerrar vou deixar com vocês um pequeno vídeo de uma das melhores e mais engraçadas cenas de anime Yaoi que já vi até hoje… Quem já viu Gravitation com certeza vai lembrar que chorou de rir da fofura desse trecho.

Jaa Ne! 😉


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Sarinha Tomoyo-chan

Um bichinho fofo saltitante cor de rosa que ama chocolate, cafuné e abraços. *o* Ávida gamer de jogos da Steam, Blizzard e Level Up! Apaixonada <3 por Harry Potter, Star Trek/Wars, Indiana Jones, Karekano, Gankutsuou, Clannad, Fate Stay Night… E muitas outras toneladas de filmes, animes, mangás, games, séries e livros. Sites como Netflix e Crunchyroll, tanto quanto lugares como FNAC e Livraria Cultura têm fortuna garantida nas mãos dela! xD | EMAIL: sarinha.tomoyo-chan@minasnerds.com.br