Precisamos ter uma conversinha sobre a Laura, Capcom!

Eu realmente não queria começar o ano falando mal de alguma empresa ou de algum jogo pela má representação feminina, mas às vezes as pessoas forçam a amizade e nosso amor por games. Este é o caso da Capcom e Street Fighter V com sua nova personagem, Laura, uma lutadora brasileira de jiu-jitsu.

A franquia de Street Fighter sempre foi conhecida por ter personagens do mundo inteiro com características “forçadas” de suas culturas, por vezes mostradas até de forma desrespeitosa. Entretanto, a Capcom parece ter alcançado um novo patamar de absurdo com Laura.

Não é culpa dos vídeo-games que o Brasil é “vendido” ao mundo como o país do futebol e Carnaval, “cheio” de mulheres gostosas e calorosas prontas para receber turistas e dar uma sambadinha. Entretanto, Street Fighter V não precisava ajudar essa ideia, que já e perigosa, com uma lutadora com um decote enorme – aliás, chega até ser feio, visto que o jiu-jitsu, como qualquer outra arte marcial, possui um uniforme que deve ser utilizado e respeitado.

E se você acha que isso é mais um “mimimi” feminista, saiba que até Yoshinori Ono, produtor do jogo, admitiu em entrevista que a imagem de Laura é exagerada. “Ela representa é uma visão exagerada sobre as mulheres brasileiras”, afirmou ele ao UOL Jogos.

Obviamente, a situação podia piorar; e foi o que aconteceu com o vazamento de imagens das roupas alternativas dos personagens de Street Fighter V. Nelas, é possível ver a roupa tosca escolhida para Laura: um shorts jeans curto, uma calcinha asa-delta e um top com underboob (quando aparece a parte debaixo dos seios).

Laura, personagem de Street Fighter V
Pelo menos o cabelo dela é legal!

Apesar de acreditar que pessoas não devem ser julgadas por suas escolhas de roupa, seja curta ou comprida, sinto que essa escolha de roupa não seria feita nem por meninas que curtem um visual mais sexy e ousado para baladas, praias ou baile funk – muito menos seria uma escolha para uma lutadora simplesmente por não ser prática ou segura.

Um dos grandes problemas da falta de diversidade na produção de jogos, para mim, é a falta de empatia e noção. Homem cis nenhum saberá o quão horrível é pular por aí com seios grandes sem ajuda de uma sustentação; imagine, então, lutar. Logo, para quem pensa apenas na punhetagem alheia, não faz diferença a lutadora não ter um simples sutiã ou outro top. Entretanto, para nós, pessoas com razão, e para as leis da física, faz sim toda a diferença.

Lutar de calcinha asa-delta E fio-dental, então? Super fácil e confortável! Aliás, de onde tiraram esse estilo asa-delta? Da década de 80? Não sou a maior frequentadora de praias, mas acredito que ele não seja muito utilizado hoje em dia (me corrijam se eu estiver errada!). Do your research, Capcom!

Por toda fama que a mulher brasileira já tem e por todo o assédio que já sofremos todos os dias, por brasileiros e por turistas – isso sem entrar no grave assunto da prostituição forçada e do tráfico de mulheres -, a roupa alternativa de Laura pela Capcom não é apenas de mau gosto, desrespeitosa ou difícil de imaginar sendo utilizada por uma lutadora, mas é também irresponsável e perpetuadora de uma ideia que já estamos cansadas que tenham sobre nós.

Capcom, melhore (e muito)!


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Dani Rigon

Tradutora/redatora, viciada em livros, gamer e chefona da Impetus e-Sports. Gosta de gatos, sorvete e sotaque inglês. Se arrepende muito de ter vendido seu N64.