Onde está a futilidade da moda e da beleza?

Posso afirmar com uma quase total certeza que você já ouviu falar sobre uma tal futilidade existente dentro do mercado da moda e da beleza. E que num momento de crise como o que vivemos atualmente, é exatamente esse tipo de consumo que ficará de lado. Ledo engano. A coisa não está acontecendo bem assim.

O mercado de beleza é um dos raros nichos de negócio que não teve prejuízo na economia. E mesmo assim, ainda ela ainda carrega a fama de fútil. Talvez seja a hora de rever tudo.

Já ouvi dizer que o bater das asas de uma borboleta do outro lado do mundo muda tudo aqui na esquina. Isso também faz um tremendo sentido no que quero dizer.

Desde que ouvi a fala célebre de Miranda Priestly em cena antológica de “O Diabo veste Prada” nunca mais me esqueci, e creio inteiramente que ela tem toda a razão. Ela diz algo parecido com o seguinte: “(…) você que foge da moda das massas, e que acha que escolheu um modelo de roupa aleatório ou uma cor diferente que viu numa arara qualquer, está na verdade levando para sua vida uma tendência de moda que foi pensada e fabricada para te fisgar (…)”. Isso é fato. Se você não tinha se atentado, preste atenção.

A menos que você fabrique sua própria roupa e o tecido, você não está fora dessa realidade. Portanto, encare a verdade, não tem nada de fútil nisso. Futilidade é a falta de identidade. Futilidade também é se preocupar somente com o que não serve para você se sentir bem e sim para seguir um rebanho e se encaixar em alguma tribo inventada para isso.

O mesmo acontece quando o assunto é a beleza. De todos os conceitos relativos que conheço esse é um daqueles de dar nó em pingo d´água. É ao mesmo tempo, complicado e relativo.

A beleza e tudo que se relaciona a ela é o tipo de coisa que deve empoderar as mulheres em vez de lhes causar mais problemas e encucações. A beleza envolve consumo, preconceito e liberdade, tudo junto. Cabe a nós escolhermos. Mas aqui e agora quero falar do lado positivo de tudo isso.

A beleza em conjunto com a moda são formas de expressão e ideias, e seus conceitos vão muito além do consumo e do lucro das grandes empresas. Elas continuarão lucrando de qualquer jeito, portanto, vamos usar isso a nosso favor.

E tem gente fazendo isso certo por aí. E eu jamais me cansarei de dizer que há sim, um universo todo pronto para a gente usar com sabedoria e aprender a escolher, desde produtos, valores, roupas e novos olhares. E isso é apenas a ponta de um grande iceberg que eu adoro explorar. Venham comigo.

Apreciem esse comercial lindo da Shiseido, uma marca japonesa de cosméticos. Essa campanha bombou em 2015 e não é para menos. Certamente seria criticada e vetada no Brasil.

Preciso citar esse vídeo que me emocionou muito. Ainda me espanto em notar como as pessoas são volúveis e cruéis. Nós estamos acostumadas a criar escudos de proteção por dentro e por fora. A maquiagem é um deles e serviu como um passaporte para essa jovem mostrar sua cara literalmente como é. Eu acredito muito na maquiagem como parte da vida, e em como ela pode revelar muito além de um contorno facial.

Essa conversa não termina aqui.

 

 

 


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Giseli Miliozi

Giseli Miliozi Cervino, maquiadora, jornalista e artista, escreve há um bom tempo sobre o universo feminino, moda e comportamento. Adora Star Wars, De Volta para o Futuro, e os anos 80. Acredita na máxima: "Estressada, deprimida, ok, mal vestida e sem batom, nunca!"