Relendo Harry Potter e a Pedra Filosofal

Há uns meses, resolvi reler Harry Potter. Porém, com tantos livros na pilha, por que reler um livro pela 25ª vez? (ou algo assim, já perdi a conta!). Eis que em dezembro, conheço o projeto Vamos Re(Ler) Harry Potter, da Ana Karolina, do canal Universo ao Quadrado. A ideia era reler um livro por mês em grupo e discutir as experiências. Topei! Combinei que faríamos isso no meu canal (Who’s Geek) também e levei a discussão para o gurpo do Minas Nerds no Facebook. A adesão foi muito bacana e várias meninas também quiseram participar.

Vou contar para vocês sobre a minha experiência de reler Harry Potter e a Pedra Filosofal em janeiro de 2016. Primeiro, é preciso dizer que li pela primeira vez em abril de 2001, aos oito anos, poucos meses antes de sair o filme. Além disso, preciso ressaltar que já li o livro inúmeras vezes nos últimos anos, e praticamente sei de cor várias passagens. Outro ponto importante é que essa foi a primeira vez que li no original em inglês, para aproveitar uma coleção muito bonita que ganhei em um quiz, por saber o nome da professora de Aritmancia (Septma Vector, para futuras referências).

Por ser a primeira vez em inglês, li consideravelmente mais devagar, prestando mais atenção no vocabulário da autora do que das outras vezes. Uma coisa que ficou claro, principalmente após minha tia ter apontado isso em uma discussão, é que a escrita é bem simples. Nada rebuscada, sem palavras difíceis — quando elas existem, são explicadas —, e bastante condizente com a faixa etária dos personagens. Além disso, me surpreendi com a demora da aparição de Hogwarts. Foram mais de cem páginas lidas até a escola finalmente aparecer. Mas isso não é, nem de longe, um problema, porque a introdução do mundo do Harry com os Dursley é muito boa. Também nos é apresentado o Beco Diagonal, Gringotes e tantas outras coisas do mundo bruxo.

Harry Potter e a Pedra Filosofal

Todo esse começo continua mágico. A apresentação do mundo dos trouxas e dos bruxos, a descoberta do Harry, os pensamentos que passam na cabecinha dele… As aulas, Hogwarts, o começo da amizade dele com o Rony, e muitas páginas depois com a Hermione, todas essas coisas continuam sendo incríveis. Quase quinze anos depois, Harry Potter não me decepcionou em nenhum momento. Virar a página que dizia “mas não era Snape” e descobrir quem estava naquela sala, nos últimos capítulos, ainda foi uma revelação chocante. Ainda mais considerando que me lembrei da primeira leitura, e da minha reação. Saí procurando minha mãe para discutir com ela, porque fiquei muito surpresa.

Infelizmente, durante a minha leitura nosso amado Alan Rickman, que interpretou um Snape sem igual nas telas do cinema, faleceu. E foi no mesmo dia que “cheguei” em Hogwarts, então na hora que li a primeira descrição dele, quase comecei a chorar. Precisei fechar o livro e respirar fundo, inclusive durante a primeira aula de poções, porque são coisas que não conseguia ler sem a voz dele. Fora que fiquei chocada e abalada com sua ida tão repentina.

Considerando que li em inglês, mas todas as outras em português, pude comparar o original com a tradução, e posso dizer que não me incomodo com a maioria das adaptações feitas pela Lia Wyler. Vou explicar: traduzir nomes não é muito legal, mas convenhamos que uma criança de oito anos, a idade que li pela primeira vez, já achava difícil pronunciar Dumbledore, imagina Griffindor ou Slytherin. Porém, nem tudo são rosas, e pensando hoje, talvez Muggles virar trouxas tenha sido bem chato, assim como o tratamento do Hagrid e da McGonagall, somente no primeiro livro, está como Rúbeo e Minerva. Isso foi uma tentativa de aproximar o tratamento pelo primeiro nome como fazemos no Brasil, mas como isso não acontece nos outros e fica estranho, achei desnecessário. Mas, de resto, não me incomoda como acontece com tantas pessoas. Porém, sei também que muita coisa não estava clara para a tradutora na época: os pais do Harry eram o que foi chamado de Monitores-Chefes, mas como o Hagrid os chama de ‘Perfects’, acabou saindo melhores alunos da escola, ou coisa assim.

Acho importante também destacar um ponto que apareceu na discussão do grupo: as referências às pessoas gordas no livro. Não tinha me atentado a isso antes, mas os Dursley (pai e filho) são gordos e isso é descrito de forma pejorativa. Porém, precisamos lembrar que tudo no livro é do ponto de vista do Harry, e que ele é imaturo e foi agredido por aquelas pessoas durante toda a infância. O ódio que sente de Duda e do Tio Válter são muito grandes, e isso transparece sempre que os menciona. Mas, todavia, contudo, esse é um ponto que deve ser debatido sim, que é perigoso sim, porque eu consigo entender a questão do ponto de vista do Harry. Que o mundo não é como ele descreve, a começar pelo Snape. MAS, é importante lembrar que nem todas as pessoas, principalmente as crianças, vão perceber dessa forma e isso pode ser bastante chato para muitas delas.

Para encerrar, deixo aqui um vídeo que fiz, falando sobre a leitura. Mas posso dizer que Harry Potter cresceu comigo, mas continua ali, esperando para ser relido, revisitado e para que todas aquelas coisas que me encantaram no passado possam me encantar novamente. Hogwarts sempre estará ali para aqueles que queiram visitá-la, e é bom participar desse mundo mágico novamente. É importante dizer que isso não é bem uma resenha, mas uma análise dessa releitura.


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Gabriela Colicigno

Leitora desde criança, jornalista, booktuber e apaixonada por palavras, é viciada em chocolate, computador e livros de fantasia.