Os mundos de Tim Burton

A trajetória de Tim Burton parece com a de todos nós, outsiders . Passou anos tentando se encaixar e imitando o estilo de seus mestres para arrumar um emprego e, quando finalmente resolveu ser ele mesmo, explorar suas próprias estéticas e linguagens, voltar às origens, se encontrou e fez um nicho de seguidores, inclusive seu humilde narrador.

Tim nasceu em Burbank, na Califórnia, e, apesar do sol de Hollywood, passou a maior parte da infância trancado em casa, desenhando e vendo filmes de terror antigos. Se formou em artes na CalArts e seu primeiro emprego foi na Disney, onde teve que adaptar seu estilo para o jeito Disney de fazer as coisas, até que ele resolveu que não conseguia desenhar certinho e voltou a fazer seus personagens tortos. Ganhou espaço para fazer Vincent, seu primeiro curta autoral sobre um menino que queria ser Vincent Price. A partir daí, só sucesso.

Quando anunciaram que haveria uma exposição do Tim Burton no MIS, eu fiquei muito feliz porque poderia comprar o catálogo que deixei de comprar quando fui à exposição em Los Angeles, em 2011. De lá para cá, a exposição mudou bastante. Em Hollywood, o foco era nos objetos de cena e na trajetória fílmica de Tim. Uma sala para cada filme, storyboards, roteiros originais, figurino, bonequinhos de stop-motions. Tudo maravilhoso, visto de pertinho, mostrando como nossos filmes preferidos e nossos sonhos foram construídos. Ao centro, montado em uma parede enorme, estavam suas ilustrações, de várias décadas diferentes, sempre mantendo aquele estilo Tim Burton, o senso de humor macabro, os trocadilhos, as linhas tortas e expressivas.

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Vesti minhas meias listradas em homenagem ao mestre.

Em São Paulo, quase não há props. As salas dedicadas a cada filme tornaram-se pequenas paredes. O destaque é dado aos desenhos, aos processos de criação do autor. Os desenhos – feitos em diferentes suportes, desde jornal até uma série surpreendente feita sobre guardanapos – foram colocados à altura dos olhos, separadamente, de modo que seja possível olhar um por um. Ao observá-las, percebemos ideias que se repetem, conceitos que permanecem em toda a sua obra.

As duas montagens mostram duas exposições bem diferentes, cada uma com suas particularidades. Ambas nutrindo os pequenos vícios dos fãs e surtindo o mesmo efeito: uma vontade absurda de fazer arte.

Exposição:
até 15 de maio
das 10h às 20h (terça à sexta-feira)
9h às 21h (sábado)
11h às 19h (domingos e feriados)

Domingo R$ 12 (inteira) R$ 6 (meia).
Terça-feira entrada gratuita com retirada de senha na Bilheteria do MIS.


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Deborah Happ

Formada em Midialogia, pela Unicamp, com mestrado em Estética e História da Arte, pela USP. Faz umas artes quando dá, escreve por necessidade.