A alma do Portishead

Lembro-me de quando era pré-adolescente e assistia televisão todos os dias. Era uma tarde qualquer e um comercial me chamou a atenção. Era uma mulher que caminhava rumo ao mar. Era a Fernanda Voguel no comercial do CVV. A trilha me chamou muito a atenção. Pensei: “Afe que música é essa?”, pouco tempo depois finalmente descobri que era “Glory Box”.
Ao lado de Tricky e Massive Attack, Portishead é um dos grandes pilares do Trip Hop. O que mais me fascina no Trip Hop é a quantidade de elementos incorporados de outros estilos musicais, mas que não fazem a música perder sua essência. Portishead é uma dessas bandas traz uma essência profunda e tocante.
Beth Gibbons é uma mulher sem grandes produções, uma mulher que aparenta ser livre das imposições do mundo da música. Veste-se da maneira que gosta, arruma seu cabelo como quer, usa pouca ou mal usa maquiagem. Ela me transmite uma sensação maravilhosa de liberdade, de podermos ser quem somos, da maneira que bem entendermos.
É daquelas mulheres que nos fazem fechar os olhos, ouvir atentamente sua música, sentir sua alma com a mesma intensidade que a transmite. Algumas músicas soam ácidas, tristes, outras de maneira tão sexy quanto são elas.
Como diz uma amiga querida: “Essa mulher ao vivo é um soco no estômago”. Sem dúvida é a melhor definição para alguém que me toca de maneira tão profunda, com tanta intensidade, isso é arte, isso é música. Implantar seu sentimento enquanto canta e fazer com que as pessoas sintam é um privilégio.
Vejo a voz de Beth como a alma do Portishead. Acho que nada seria tão intenso sem uma voz tão profunda quanto a dela.
Sem mais delongas, deixo aqui um dos meus álbuns favoritos e uma das muitas trilhas do Portishead que me acompanham ao longo desses anos. Enjoy 😉


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