Review: Stardew Valley é mais do que uma simulação de fazenda

Texto por Natalle Moura

O jogo indie Stardew Valley foi finalmente lançado na última sexta, dia 26/02, para PC na Steam (aqui). Criado do zero pelo desenvolvedor Eric Barone, ou ConcernedApe, o game tem design “pixelado” extremamente detalhista e une o melhor dos jogos Harvest Moon e Rune Factory.

Utilizando C# e passando longe do RPG Maker – comumente utilizado para criar jogos de RPG, o desenvolvedor criou todo o design sozinho ao longo dos quase quatro anos de produção. Anos, aliás, nos quais ele passou compartilhando o passo a passo da criação de cada detalhe do seu jogo em seu blog. Acompanhei o último ano de produção e foi com muita alegria que finalmente joguei Stardew Valley durante o fim de semana, deslumbrada com esse mundinho.

O game é, basicamente, um jogo de simulação de fazenda no qual você planta, cria animais, conversa com as pessoas da cidade e altera toda a cidade. A diferença é que o desenvolvedor foi além de Harvest Moon, franquia que abriu o caminho desse gênero, e Rune Factory, franquia semelhante ao Harvest Moon que possui combate e características de RPG, colocando “inimigos” para lutar em cavernas e incluir escolhas a serem feitas que alteram o mundo e não direcionam apenas a um final esperado.

O que me chamou a atenção nas horas iniciais do jogo foi que eu pude alterar o personagem da cabeça aos pés. Pude escolher o sexo, a cor da pele (com tons exóticos como verde e roxo inclusos!), variedades de roupas, cores, cortes de cabelo e acessórios (é possível colocar barba em qualquer sexo que eu escolher, por exemplo). Além disso, ao terminar minha personagem, descobri que tudo dentro de casa é customizável também!

De boa, dando uma pescadinha em Stardew Valley!
De boa, dando uma pescadinha em Stardew Valley!

O jogo realmente tem detalhes pensados em tudo o que você for fazer. A pesca exige certa destreza com seu mini-game, árvores derrubadas soltam sementes para serem replantadas e existe até um espaço de jogos arcade (que você pode jogar!) dentro da pousada local, por exemplo.

Um dos pontos negativos, no entanto, é que me deparei com diversos estereótipos ao conversar com os moradores locais. Os personagens do jogo deixam a desejar de início, sendo moldados como “loira, maquiagem, só se importa com aparência”, “típico jogador de futebol americano de colégio” e “menina rebelde que pinta o cabelo e vai pro cemitério”.

Por outro lado, encontrei também a carpinteira, do sexo feminino e apaixonada em criar coisas, assim como um cadeirante idoso, o único que vi em jogos do tipo, aliás. Mas, o que mais me chamou a atenção, foi a possibilidade de poder casar com qualquer personagem (entre os 10 disponíveis) que eu queira, independente de gênero. =)

Stardew Valley é um jogo leve, podendo ser jogado em computadores mais antigos, e seu conteúdo rende horas e horas. A história é cativante e é interessante ver os personagens se desdobrarem conforme você faz amizades, além de ser recompensador descer nas minas e lutar com monstros e ser maravilhoso ver sua fazenda crescer do zero.

Eric Barone é um desenvolvedor engajado e resolveu grandes bugs no fim de semana de lançamento, respondendo gentilmente no Reddit e Twitter desde o início do seu projeto afirmando que planeja, ainda, lançar expansões e um modo multiplayer para o jogo. Por isso, aliás, tem uma legião de fãs no Reddit, com direito a um subreddit do jogo bastante ativo, mesmo com apenas poucos dias de lançamento.

Stardew Valley é, com certeza, um dos melhores jogos do gênero que eu já joguei e ele estar no topo de vendas da Steam comprova a força desse game indie. Vale a pena!

Texto por Natalle Moura


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Dani Rigon

Tradutora/redatora, viciada em livros, gamer e chefona da Impetus e-Sports. Gosta de gatos, sorvete e sotaque inglês. Se arrepende muito de ter vendido seu N64.