Celebremos e lutemos juntas!

Dia da mulher passou, vi muitas campanhas lindas, recebi mensagens fofas – o que pra uma mulher trans tem um significado particularmente especial, já que implica também em aceitação, assim como sermos chamadas pra grupos exclusivos de mulheres entre outras coisinhas.

Mas também é um período de reflexão, e por que não, de gente fazendo bobagem, desde mensagens maldosas, machistas, transfóbicas – nada pessoal comigo, mas admito que hoje eu não me arrisco a ficar olhando timelines de todo mundo e o que me chega em geral, é do bem.

E claro as questões de ignorância ou puro desconhecimento sobre diversidade… marcar homens gays como mulheres, parabenizar homens trans pelo dia da mulher (alguns amigos ficaram particularmente chateados) ou mesmo pessoas não binaries que não querem ser associades como mulheres. Então, nestes casos, cabe também respeitar, guarde o carinho pra demonstrar de outra forma. Parece óbvio, mas se ainda acontece, certamente não é.

Por fim, o desrespeito com as mulheres, amigas reclamando (com razão) de assédio vindo montado num “feliz dia da mulher”, basicamente uma armadilha. Também tem a transfobia com as moças trans, achar que não merecemos a mesma homenagem que as mulheres cis, e até com lésbicas, naquela implicação sinistra de que lésbica machona logo não é mulher de verdade…. absurdo é pouco pra descrever.

Mas tudo isso ao meu ver já é esperado, e piora conforme ganhamos espaço, quanto maior o avanço, maior o desespero em combatê-lo. O que eu gostaria mesmo de falar é justamente sobre o quanto divergimos entre nós mesmas.

Gostaria de pedir que tomemos cuidado, que tenhamos mais empatia e tato com mulheres que sofrem opressões diferentes das nossas. Não adianta brigar pra ver quem sofre mais se é a mulher cis, por ter sofrido o machismo desde cedo, ou a mulher trans que é desumanizada por não ser considerada nem homem nem mulher. Todas precisamos de apoio naquilo onde nos atinge, onde nos machuca.

E também precisamos dar este apoio, e não só restrito a gênero e orientação sexual, mas as amigas negras, gordinhas, portadoras de deficiência, as mais pobres, as que vivem da prostituição. Somos todas mulheres, somos todas dignas de carinho, respeito e proteção!

Claro, como isso não estou dizendo que todas somos oprimidas da mesma forma, nesse cuidado com as amigas, na empatia, cabe sabermos reconhecer quando não é nosso lugar de fala, quando somos privilegiadas (e não nos ofendermos quando apontarem nossos privilégios, mas sim termos humildade), cabe apoiar mesmo que não consigamos entender, apenas acreditar que se alguém se sente mal por uma opressão que não sofremos, então é importante cuidar, é importante apoiar e dar voz.

Várias vezes amigues apontaram racismo ou gordofobia e eu não compreendi o motivo, mas tentei apoiar como pude e no que pude, apoiar é mais importante que entender, é mais viável em muitos casos.

Eu não tenho como fazer uma pessoa cis entender o que eu passei, especialmente antes da transição, há quem fale da tal “socialização masculina”, que dependendo da circunstancia até concede privilégios temporários, mas o sofrimento é tão grande, e o desapego ao masculino também que tudo isso é insignificante, não fosse, não faríamos a transição. Se eu transicionei foi por que desejei o melhor, claro, hoje sofro mais com o machismo, sofro diretamente, ocasionalmente transfobia e lesbofobia? Sim! Mas é menos sofrido do que viver uma vida falsa.

Mas não espero, honestamente, ser compreendida, espero sim ser acolhida e respeitada! Como tenho sido por muitas pessoas queridas, inclusive minha mãe que aos poucos mesmo sem entender, aprende a respeitar no ritmo dela, a cada passo.

Agradeço aqui também as amigas do Minas Nerds, tanto do conselho quanto as editoras, moderadoras do grupo, colaboradoras e as leitoras lindas que nos acompanham com carinho -^.^- Um abraço quentinho a cada uma de vocês e que sigamos unidas, lutando a cada fase por nosso espaço e nossos power ups! We can do it!


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Cecihoney

Mulher trans, lésbica, bruxa que trabalha com pixelart pra games e vive com a cabeça em robôs, naves e engrenagens. Transfã, retrô/indie gamer e parte de uma fusão permanente! Dividida entre lacinhos rosas e armamentos pesados :3