The Hunting Ground é um documentário que todas deveríamos ver!

Mesmo trabalhando diariamente com cinema e televisão gosto de caminhar à margem de ambos os assuntos e sentir que estou descobrindo algo sozinha, sem influências externas. Parei de assistir a trailers tem uns 3 anos, mais ou menos, o que acabou contribuindo bastante para a minha imersão em filmes e séries. E foi basicamente o que aconteceu quando zapeando a Netflix numa madrugada descobri esse documentário.

A princípio não parecia ser muita coisa, sendo bem honesta, fiquei com medo de que fosse cair na mesma rede que tantos outros que abordam o tema fazem e qual não foi minha surpresa quando percebi que estava errada?

Porém, antes de falar dele, deixe-me explicar do que se trata exatamente.

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The Hunting Ground é um documentário que explora os constantes casos de estupro nas faculdades americanas e como nada é feito para acabar com os ataques e punir os agressores. As vítimas são rechaçadas pela administração e obrigadas a continuar convivendo diariamente com o agressor se pretendem concluir o curso e pegar o diploma. Pois bem, duas vítimas decidem agir e tomar uma atitude em relação a isso. 

Annie E. Clark e Andrea Pino se conhecem através de um infortúnio acaso: ambas foram violentadas no campus de uma mesma universidade com anos de diferença. Annie ajuda sua caloura e juntas decidem fazer o mesmo por outras garotas. A iniciativa vai além dos muros daquela única universidade e elas começam a documentar casos ao redor de todo país, aconselhando as meninas e procurando dar todo o apoio possível, o que inclui abrir as portas da casa para recebe-las. Infelizmente, mesmo estando em locais diferentes nos Estados Unidos, a resposta que recebem quando reportam o ocorrido é a mesma e ela nunca é agradável de se ouvir.Tais relatos se misturam a militância de Annie e Andrea, junto as declarações das vítimas, estatísticas de denúncias nas universidades e reportagem nos principais telejornais americanos.

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Numa reviravolta incrível, regada a muita determinação e força de vontade, as amigas encontram uma brecha na lei e assim conseguem chamar a atenção do governo americano para esse problema recorrente e que desde então vem sendo amplamente estudado pelo governo uma forma de acabar de vez com os ataques.

A linguagem utilizada no documentário é bem simples e didática. Os relatos das vítimas, nos quais é impossível não se emocionar, contam com dramatização para que o espectador entenda melhor o que aconteceu naquele dia. Além disso, aponta outras causas dentro do campus (sem ser as festas) que contribuam para perpetuar o comportamento tanto dos agressores quanto dos administradores; como o dinheiro que é investido pelos ex-membros das fraternidades e também os jogos de futebol americano colegiais que alavancam o nome da universidade. Do outro lado, temos um índice de expulsões ou condenações baixíssimo ou quase nulo na maioria dos casos. E os agressores são recompensados, como mostra um trecho do documentário ao falar de um promissor jogador de futebol americano que violentou uma estudante e não foi devidamente investigado pois o rapaz em questão iria assinar contrato com um clube grande. Mas, a menina não teve a mesma sorte e continuou sendo hostilizada por todos.

The Hunting Ground faz questão de esmiuçar todos os diferentes casos de estupro e como eles afetam a vida de suas vítimas que apesar de ser maioria mulheres, há também alguns relatos de homens. Além de mostrar qual foi a decisão de cada uma dessas pessoas após o ocorrido e como a união de todos com uma história triste em comum contribuiu para abrir os olhos do governo americano em relação a essa doença que, infelizmente, acabou tornando-se uma epidemia.

Assista na Netflix!


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Melissa Andrade

Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão. E sempre disposta a aprender muito mais. Por isso é Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado. Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.