Diane Arbus e a obsessão pelo bizarro

Ontem, 14 de março, foi aniversário da Diane Arbus. Quem diria que ela foi pisciana? A fotógrafa nasceu em 1923 em Nova Iorque para uma família judaica de alto padrão. Ela começou a fotografar para a indústria da moda, mas logo enjoou. A fotógrafava se identificava de verdade com os seres marginalizados que fotografava. Perturbada, Arbus se suicidou em 1971, aos 48 anos.

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Diane Arbus, Auto-retrato

Arbus se dedicava a fotografar travestis, anões, gigantes, pessoas com deficiência física e mental e outras figuras incomuns da sociedade urbana – inclusive gêmeos. Ela também tentava encontrar o bizarro em pessoas comuns, como na foto abaixo do menino segurando a granada, em que esperou exatamente o instante certo para que o garoto bonitinho fizesse uma careta e se tornasse, portanto, um monstro.

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É sabido que Arbus estabelecia uma certa intimidade com aqueles que fotografava. O gigante judeu com seus pais, os anões, as crianças estranhas. Entretanto, é possível dizer que Arbus – uma mulher branca, rica, dentro dos padrões de beleza – se apropriava predatoriamente dos defeitos alheios, transformando seus sujeitos em personagens de circos de horrores. Mas quem consegue definir quem é o freak e quem não é? Eu acredito que Arbus tentava apenas dar espaço às pessoas geralmente consideradas invisíveis.

Arbus foca naquilo que aprendemos a não encarar, por educação, mas que, através da fotografia, podemos olhar o quanto quisermos – e ainda chamar de arte.

Diane Arbus, Man Being a Woman, 1960sDiane-Arbus-Identical-Twins diane-arbus-american-1923-1971-untitled-4 diane-arbus-3 Diane Arbus - Identical Twins, Roselle, N.J. 1967artwork_images_138991_257064_diane-arbus


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Deborah Happ

Formada em Midialogia, pela Unicamp, com mestrado em Estética e História da Arte, pela USP. Faz umas artes quando dá, escreve por necessidade.