Melhor disco do ano em março = Lê Almeida

Sexta-feira dia 18 de março foi um dia louco.

A pauta do dia é política. Precisei dar um olé para respirar e ser feliz e me taquei no fim do mundo para ver o lançamento do novo disco do Conjunto Lê Almeida. Made in Villar dos Telles e composto por Lê Almeida (guitarra e voz), João Casaes (guitarra), Bigú Medine (baixo) e Joab Régis (bateria e voz).

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Lá no MIS a grande atração era a exposição do Tim Burton, ingresso caro e disputadão.

Já no caso de Lê Almeida, paguei 7 a meia e tinha ingresso pra burro.

Encontrei um auditório enorme e um projeto independente muito legal, o Estéreo MIS,  que convida 1 banda brasileira independente por mês para fazer um show.

Eu sei que estava ali passando frio para ouvir música boa.

E assim foi, sou uma pessoa cri-cri (chamam assim as pessoas de alma crítica) e o único porém da noite foi o ar condicionado forte (as vezes uma benção em determinadas ocasiões).

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A banda começou.  O novo disco é hipnótico. Geralmente tenho preferência pelos hits estilo Ramones, 1,2,3, 4 e músicas rápidas. Me deixei levar pelas músicas compridas, gostosas e na real, não queria que nenhuma acabasse. No projetor vídeos bizarrinhos sobre abrigos nucleares, viagens espaciais, dancinha sem sutiã, estradas sem fim, embalavam o som. Cara, cada música do novo disco é um hit. Dava quase para ver as ondas sonoras. A banda toda feliz, se entregando pro som. Parecia um ritual mesmo, guitarra caprichada, destruidora. Não faço aquelas resenhas metaleiras destacando o guitarrista virtuoso, mas putaqueopa, saudades de me apaixonar por guitarra. Obrigada Lê por invocar o meu amado J Mascis, o unicornio mágico. O som era autêntico, redondo, carregado de fuzz acho que cada um lembraria de algo que gosta muito, como eu lembrei do Dinossaur Jr e do Yo La Tengo mais porradeiro. A voz, hummmm, as vezes até o Sigur Rós, hehehe.

O batera tocando só de meia listrada, descendo a mão na bateria. Pohan, era show sentado, mas na minha cabeça eu estava flutuando e pensando na galera que eu queria que estivesse ali para testemunhar aquilo.

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Ah, você vai encontrar por aí várias resenhas sobre o disco… o que eu recomendo mesmo é que você dê um play ali. Escute e feche os olhinhos. Eu não queria que o show acabasse mais, não queria que chegasse a hora de acabar as músicas e pan, ir para casa. Fiz o que tinha que fazer, comprei o vinil, o fanzine e o cd. E agora estou aqui passando essa corrente do bem para você. Corre atrás dos caras, eles são muito bons. 2016, o ano doido que mal começou e já tem o disco do ano: Mantra happening. Segura essa, meu Brasil.

 

(Fotos tiradas do Facebook da banda por Filipa Andreia, vejam mais trabalhos dela no www.o-porta-retrato.blogspot.com )

 


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Raquel Gariani

Ogra feliz <3