Em Batman vs Superman, é a Mulher Maravilha quem vence

Sempre que é lançada uma grande adaptação dos quadrinhos, o público divide opiniões. Batman vs Superman não é diferente: vi pessoas que amaram e outras que odiaram, vi várias comparações com Os Vingadores e outros filmes de super-heróis. Independente das opiniões, o fato é que o filme deu o que falar.

Dirigido por Zack Snyder, o filme começa nos mostrando Batman nada feliz com as atitudes do Superman: muitas pessoas o consideram um herói, ao passo que Bruce Wayne acha que o Superman pode ser o fim da humanidade. Vários conflitos vão acontecendo e deixam a população dividida entre os que acreditam que Superman é um deus e os que acham que ele deve ser controlado − tudo isso enquanto Lex Luthor vai armando seu plano.

Talvez o resumo que eu tenha feito do filme pareça confuso, mas é um reflexo do roteiro: é uma bagunça. A história precisava falar dos dois heróis principais e, além de não fazer isso lá muito bem, ainda coloca várias outras histórias paralelas. Batman vs Superman tenta falar de tanta coisa ao mesmo tempo que acaba nos mostrando várias cenas desconexas, confusas e que não se encaixam com toda a trama. Batman tem umas sequências de sonhos que quase parecem piada, ao mesmo tempo que tudo quase acontece rápido demais. Um roteiro mais bem trabalhado, simples e com cortes bem feitos poderia impedir que o filme ficasse cansativo.

Muitas coisas acontecem sem ter muito motivo, personagens adivinham o que precisam fazer, certos diálogos não se encaixam (além de parecerem forçados)… Tudo é muito confuso − mais para o final do filme os acontecimentos se encaixam melhor, mas nesse ponto eu já estava cansada.

Além da duração do filme, o tempo dentro de Batman vs Superman é muito complicado. Apenas um exemplo: Batman é obviamente mais lento que Superman – afinal, o Superman voa! Em certo momento, cada um deles vai para um lado da cidade cumprir sua missão. Por algum motivo que ainda não descobri qual é, Batman consegue atravessar parte da cidade, bater em bandidos e resolver o “problema” em questão antes do Superman simplesmente voar para outro ponto da cidade, mesmo os dois tendo saído do mesmo lugar na mesma hora. Sinceramente, se acontecesse uma vez eu não ligaria, mas isso se repete ao longo do filme.

Não, eu não esperava um filme engraçado com cores vibrantes como Os Vingadores, inclusive prefiro o tom sombrio e sério de Batman vs Superman; além disso houve momentos em que a fotografia e a trilha sonora chamaram minha atenção, mas nada adianta com um roteiro falho.

O filme não é de todo ruim, a mensagem que ele tenta passar é algo muito interessante de se pensar: todo o endeusamento dos heróis e como isso afeta uma sociedade politicamente. Como decidimos o certo e o errado para alguém que consideramos um deus? Como encarar o rastro de destruição que é deixado em nome do “bem maior”? Essas são questões ótimas para se trabalhar quando falamos de heróis, mas a mensagem acabou se perdendo.

Outro ponto interessante é como Superman e Batman acabam servindo como opostos, não só de bem e mal, dia e noite. Superman tem um grande respeito pela lei e o certo, já o Batman não tem problema em fazer justiça com as próprias mãos. Socialmente, por mais que Bruce seja o bilionário, ele aparece muito mais sozinho e sombrio, em contraste com um Clark que tem uma pessoa que ama ao lado e aparece mais sorrindo, além de ter parte da família por perto, coisa que Bruce não tem.

Lex Luthor foi uma presença curiosa no filme. Por um lado, não achei de todo ruim um personagem com a personalidade excêntrica que vimos, que em algumas horas até me lembrou um pouco o Coringa, mas em alguns momentos não entendi suas motivações e ações. Aliás, isso não é algo que só Lex faz, alguns personagens simplesmente mudam de opinião e postura porque… Bem, o roteiro deve ter dito que já era hora, né?

Alguém também poderia avisar os produtores que Lois Lane é uma personagem que pode servir para outras coisas além de ser salva. Comecei a ficar empolgada quando ela foi descobrindo parte dos planos de Lex, mas em várias cenas sua função se reduzia a ser salva pelo Superman e servir para o arco dele.

No meio de tanta bagunça, não é para menos que a Mulher Maravilha tenha se destacado, pra mim ela foi a vencedora do tal “duelo” e o que mais me animou durante o filme. Depois de muito do mesmo e um cansaço sem fim, vê-la entrar em cena me fez comemorar. É uma pena ela ter aparecido tão pouco e, por isso, quase não ter desenvolvimento, mesmo assim Gal Gadot faz todas as suas cenas valerem a pena. Mas nem tudo são flores e ainda há homem que não consegue escrever uma heroína sem uma cena dela sensualizando no meio da batalha.

Batman vs Superman falha em ser a aventura épica que se propõe, muitas pessoas gostaram e, quanto mais perto do final, de fato mais divertido fica, além de trazer alguns elementos interessantes para o gênero de heróis. Para mim, porém, o que mais se destacou foram as falhas no roteiro, que deixaram vários momentos pouco convincentes.


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Clarice França

Connect to Database. Origem: Reino do Sonhar. Classe: Radialista, escritora e amante de histórias. Reputação: Campeã do Labirinto e de Kirkwall, Heroína de Ferelden, Herdeira de Andraste, Comandante Shepard, Paragade, Dovahkiin, Witcher, Dobradora de Fogo, Targaryen e Corvinal.