Funcionária da Nintendo é demitida em meio a ataques do Gamergate

Em mais um episódio de “Desapontadas, porém não surpresas” no mundo dos games, a funcionária Alison Rapp acaba de ser demitida da Nintendo após sofrer ataques e denúncias do Gamergate (aquele grupo que diz lutar pela ética no jornalismo de games, mas que só sabe assediar mulheres).

Conhecida por fazer parte da Nintendo Treehouse, grupo de localização de jogos da empresa, a jovem revelou em seu Twitter que foi demitida depois que gamergaters , também conhecidos como homens sem ter o que fazer, começaram a caçar coisas sobre sua vida pessoal e reclamar para a Nintendo na tentativa de demiti-la – e deu certo.

Segundo sites internacionais, Alison começou a ser alvo de ~gamers revoltados~ por conta de mudanças entre versões japonesas e norte-americanas de jogos como Xenoblade Chronicles e o último Fire Emblem, que tiveram elementos controversos para a cultura ocidental retirados. A questão é que Alison trabalhava apenas na área de marketing e relações públicas e não tinha nada a ver com as decisões tomadas, mas foi considerada a culpada da história mesmo assim por sempre ter sido mais vocal em defesa do feminismo na Internet.

Para o Kotaku, a Nintendo afirmou que a demissão de Alison não teve nada a ver com as denúncias recebidas, mas sim com o fato da empresa descobrir que a jovem possuía um segundo trabalho freelancer no site Moonlighting (algo que, olha só, foi denunciado por uma pessoa anônima). Por sua vez, Alison admite que utilizava o site de empregos para freelancers como ajuda para pagar o empréstimo de sua faculdade e que não acredita que a Nintendo realmente tenha problemas com isso.

Em seu Twitter, Alison ainda explicou que estava sofrendo assédios na Internet há algum tempo e que, após voltar de sua lua de mel, foi retirada da função de porta-voz e impedida de realizar tarefas de PR para jogos. Além disso, a jovem revelou que a Nintendo já tentou impedi-la de falar sobre cultura de estupro em seu Twitter e que ela era constantemente lembrada de que se fizesse mais piercings ou tatuagens seu trabalho como porta-voz estaria em perigo. Para ela, é claro que a empresa teve problemas com várias das denúncias feitas por gamergaters e resolveu que a jovem não servia para representá-la.

No fundo, mesmo que a Nintendo esteja certa e tenha demitido Alison por seu segundo emprego, não podemos deixar passar o fato de que a empresa se manteve calada durante todo o tempo em que a jovem foi assediada por decisões feitas pela própria empresa. Por isso, shame on you, Nintendo!

E para a galera que retirou a moça da Nintendo por não concordar com as mudanças em jogos: espero que os próximos games continuem “sendo censurados” para serem mais saudáveis ao Ocidente – principalmente para ver a cara de tacho de vocês por não poder mais culpar Alison.


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Dani Rigon

Tradutora/redatora, viciada em livros, gamer e chefona da Impetus e-Sports. Gosta de gatos, sorvete e sotaque inglês. Se arrepende muito de ter vendido seu N64.