10 motivos pelos quais nerds fazem (burlesco) melhor – e porque você provavelmente é um de nós.

*Por  Sweetie Bird

Hoje o texto é de uma convidada, a artista Sweetie Bird, que vai falar um pouco sobre a nerdice no burlesco, um tipo de performance que é tão amada por parte das nerds que é inclusive citada pela Sam Maggs no Manual da Garota Geek. Divirtam-se!


 

Nerd. Ou geek. Ou mesmo só CDF. Até porque nem todo mundo sabe o que é burlesco, seja como gênero de performance ou teatral lá trás na história da arte, e se você entende do que estou falando, parabéns, você é chegado em aprender, sim. Pulando aquela historinha da wikipedia de comedia dell’arte, falar de burlesco hoje é falar de striptease. Sim, striptease. Tirar uma ou mais peças de roupa enquanto se provoca a platéia.  Algumas vezes com história, quase sempre com intenção (nem que esta seja só ficar usar uma porrada de strass e ficar bonita de lingerie no palco), muitas vezes com alguma mensagem de empoderamento ou crítica política. A performance burlesca pode ser sensual, pode ser engraçada ou mesmo macabra e soturna (ou tudo isso ao mesmo tempo), mas não precisa ser necessariamente nerdlesque (onde as temáticas são claramente de fandoms como Star Wars ou Star Trek) para ser nerd.

Sweetie Bird por Thiago Marzano

E estes são os motivos pelos quais o burlesco é, sim, muito nerd.

  1. O material de referência é escasso, especialmente em português. É necessário pesquisar, buscar blogs obscuros e assistir muito vídeo no You Tube para entender ou até mesmo conhecer o burlesco e se preparar como artista.
  2. Performers que fazem burlesco fazem parte do, se não todo o, figurino. E se coreografam. Ou pelo menos criam o conceito daquilo com que querem trabalhar. Então é preciso saber um pouco de produção de figurino, de edição de música, de dança (ou expressão corporal), de maquiagem e caracterização. Nerds que são nerds não fazem corpo mole na hora de aprender novas habilidades dentro da sua área de interesse e o mesmo se aplica ao burlesco.
  3. Pesquisar é um dos seus superpoderes. A melhor parte do processo de criação é geralmente a pesquisa, e isso envolve história, contexto, personagem, música e muito mais. Quando decide criar algo dentro de um tema, mergulha completamente no tópico e se perde em imagens de referência, opções e versões de música e detalhes como cartela de cores e nuances de movimentação.
  4. Mídias sociais e novas tecnologias são seus melhores amigos. Não basta criar um personagem e uma performance, é preciso divulgar seu trabalho e criar uma rede de contatos com produtores, outros performers e o seu público. Criar uma presença digital é tão importante quanto criar uma no mundo real, porque isso faz com que o seu trabalho seja visto pelo maior número possível de pessoas.
  5. Você faz amigos em lugares que nunca imaginou. A comunidade burlesca se estende mundo afora, e embora é provável que você seja uma das 5 ou 10 pessoas que fazem parte desta cena na sua cidade, você fala a mesma língua (burlesco) que os amigos que fez online e que moram em Praga, Kyoto ou Winnipeg no Canadá.
  6. Como no meio do cosplay ou dos rpgs, você fala em uma linguagem própria e estranha a pessoas que não fazem parte do seu meio. Pasties, tassle twirling, Preciosa, AB e shimmy ( Mamileiras, rodar peitinho, uma marca de strass, aurora borealis – um tipo de pedra de strass com brilho iridiscente, o movimento de sacudir leve ou intenso que compartilhamos com a dança do ventre) são palavras que você se vê explicando para os “trouxas” quase que diariamente. E quando você encontra pessoas com os mesmos interesses, vocês só falam disso.
  7. Aliás, você só pensa nisso. Lê tudo o que consegue a respeito do assunto, passa o dia inteiro trocando figurinhas com pessoas do meio e acaba acreditando que o mundo é feito quase inteiramente de unicórnios com glitter. Quer dizer, até sair da sua bolha de filtro de busca e perceber que o mundo é muito menos cor de rosa (ou tem muito menos sangue falso) do que você achava.
  8. Nerdlesque existe. E não para de crescer. Não só existem festivais inteiros dedicados apenas a performances inspiradas em Star Trek, Star Wars, Doctor Who e outros fandoms, o burlesco tem começado a permear, graças ao gênero, eventos como a Geek Girl Con (Seattle) e DragonCon (Atlanta).
  9. Geeks, nerds e cdfs costumam crescer com um fascínio por outras culturas, sejam deste planeta ou de outra galáxia. Este fascínio e respeito costuma dar aos nerds do burlesco uma perspectiva muito mais ampla do mundo e um conhecimento de referências e clichés rapidamente reconhecíveis.
  10. Você passa boa parte da sua vida lendo ou pesquisando. Não tem medo de aprender novas habilidades e sabe como aplicar tudo o que já aprendeu na vida, absolutamente tudo, para alcançar um objetivo. Então, honey, não há como negar. Você é nerd.
Sweetie Bird, foto de Ken Elsner
Sweetie Bird, foto de Ken Elsner

*Quem é Sweetie Bird

Começou a fazer neo burlesco no final de 2006 e acidentalmente se tornou uma das pioneiras do gênero no país. Filha de pai americano (ex-judeu) e mãe brasileira (cristã), foi criada como missionária em um daqueles grupos hippies e cresceu achando que Sr. Spock era a criatura mais sexy da galáxia. Brincou de concentrar Chi com os irmãos, não vive sem café, e assistia todos os desenhos japoneses (e super sentais) que passavam na TV antes de inventarem os torrents. É co-fundadora do coletivo burlesco The Burlesque Takeover em São Paulo. O gênero com que se identifica é o de guaxinim de glitter mas não se importa de viver entre unicórnios.

Para ver o burlesco em ação em São Paulo:

Burlesco em São Paulo: https://www.facebook.com/Burlesco-em-S%C3%A3o-Paulo-106084106147566/?fref=ts

The Burlesque Takeover Apresenta Love*Sex*Magic: https://www.facebook.com/events/748330015301909/


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