Pelo fim da vergonha de jogar certos tipos de games

Há muito do que se reclamar quando se é uma mulher que gosta de games, mas ao invés de usar este espaço apenas para mostrar os problemas que enfrentamos, também gostaria – quando possível – de ajudar a melhorar o cenário. Por isso, ao invés de escrever sobre a pose da personagem Tracer, em Overwatch, ou como ainda continuamos sendo assediadas em jogos online, quero sugerir um novo tópico: o fim da vergonha de jogar certos tipos de games.

O mundo é um lugar cheio de julgamentos, principalmente quando o assunto é videogame, então não fiquei exatamente surpresa quando vi um tópico no grupo do Facebook do Minas Nerds perguntando quais jogos amamos, mas temos vergonha de gostar de jogar. Claro que o objetivo do tópico não foi apontar o dedo para ninguém e que, no final, todas as meninas ficam felizes em saber que não estão sozinhas por gostarem de jogar Candy Crush, dating sims (alô, Hatoful Boyfriend) e até Minecraft. Entretanto, fiquei pensando: por que raios temos que ter vergonha de gostar desses jogos?

Entendo o pé atrás que ficamos ao falar que gostamos de certas coisas que não são consideradas boas o suficiente pela sociedade. Passei grande parte da faculdade de Letras me sentindo mal porque escolhi o curso para ser tradutora por conta de Harry Potter, enquanto todo mundo lá parecia ter lido Dostoiévski durante a adolescência, mas quem disse que Harry Potter não é literatura? Listas de literatura, acadêmicos e até o Papa podem falar que não é, mas se eu gosto, por que ter vergonha?

Não é como se gostar de joguinhos do Facebook fosse a mesma coisa que traficar drogas ou roubar dinheiro público, né? E também não estamos jogando aqueles games japoneses pornográficos nos quais as personagens são infantilizadas e/ou sexualizadas (by the way, isso sim deveria envergonhar os jogadores).

OK, entendo que um jogo simples para celular ou navegador não teve o mesmo trabalho (e financiamento) de um título AAA, além de ter gráficos e premissas mais simples. Entretanto, ainda é um jogo – do mesmo modo que Tetris e Pong sempre serão jogos. Por isso, convoco todas à luta pelo fim da vergonha de gostar de jogos que dizem não ser jogos!

Claro que você não precisa sair com uma camiseta e uma bandeira com a logo do seu jogo favorito tentando convencer as outras pessoas a gostar dele, mas apenas tente o exercício de ficar ainda melhor em seu jogo preferido toda vez que alguém rir de você ou fazê-la se sentir culpada por gostar dele! Além disso, sinta-se a vontade para compartilhar aqui, no grupo do Minas Nerds, em suas redes sociais* e até em rodas de amigues quais são os seus jogos preferidos – afinal, o tempo é seu, o hobby é seu e a gamer é você!

Eu começo: sou apaixonada por jogos de dança com tapete (saudades Dance Dance Revolution) e sou viciada em jogos estilo Hidden Object (aqueles com cenários bagunçados nos quais você deve encontrar determinados itens – muito parecido com meu quarto, aliás, rs). E você, qual é seu jogo preferido?

* Só evite ficar mandando convites de jogos em redes sociais porque estes sim são chatos, hehe.


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Dani Rigon

Tradutora/redatora, viciada em livros, gamer e chefona da Impetus e-Sports. Gosta de gatos, sorvete e sotaque inglês. Se arrepende muito de ter vendido seu N64.