Diversidade no RPG

Nesta segunda feira participei da stream Papo de Mestre com o pessoal da Roleplayers, aqui o link pro vide-o da stream no youtube:

Então gostaria hoje de falar sobre o tema além de comentar um pouquinho sobre a experiência maravilhosa.

A inicio o motivo da stream era a criação de uma personagem trans e uma personagem lésbica pras aventuras nas streams futuras da roleplayers e para ambientar o pessoal sugeriram esse bate papo. Em si um gesto muito correto, sim não é apenas um gesto legal, é correto, dar voz de fala e pesquisar com quem tem vivência, afinal não é um mesa de jogo isolada no quintal de casa, é uma stream com bastante acessos e isso trás uma responsabilidade que os amigos da Roleplayers mostraram ter, além da humildade em ouvir e respeitar nossa fala.

O comportamento dos participantes foi lindo, perguntas honestas e inteligentes, ótimas colocações até algumas auto reflexões em particular por parte do pessoal.

Agora falando do tema em si: quando pensamos em gênero e orientação sexual, o aspecto mais importante é o social. Porquanto, em RPG o maior fator sobre estas questão está no cenário, a ambientação é que define o quão bem ou mau vistos são as pessoas fora da cis/heteronormatividade… ou mesmo se existe uma norma, ou quem sabe se não temos uma homonormatividade – afinal um cenário de ficção ou fantasia pode ter quaisquer modelos de sociedade ou normas.

Para pessoas trans, existe ainda a parte biológica e estética no contexto da transição, isso novamente, assumindo que exista sequer distinção de gênero ou sexo biológico em todas as raças. Sim podem haver raças fantásticas onde todos os indivíduos tenho a mesma biologia e capacidades reprodutórias, ou que mesmo diferentes, tenham direitos iguais e papeis sociais equitativos.

Fato é, com essas possibilidades, num mundo mágico você pode ter artefatos como o Cinturão de mudança de sexo, ou poções que substituam tratamento hormonal. Em ambientes de ficção cientifica podemos ter toda a sorte de tecnologia que assista a transição, até transplante de útero ou mesmo a criação de úteros artificiais… por que não?

E claro, mestres não precisam se restringir ao que os livros dizem sobre os cenários, qualquer bom livro de RPG sempre tem aqueles parágrafos incentivando Mestres/Narradores a darem seu próprio toque ao cenário, usando o mesmo apenas como alicerce pra construção de suas campanhas.

E é aqui que entra o próximo aspecto: Mestres, estes devem reforçar e elaborar as questões ao apresentarem NPCs ou lidares com personagens trans criades por jogares. Também cabe a Mestres o dever de manter a ordem na mesa resolvendo situações que possam ser incomodas ou discriminatórias com jogadores trans, gays, bi, lésbicas ou não binarie. Lembrando, claro que numa sociedade onde personagens nessas condições sofrem discriminação é pertinente que NPCs ou mesmo outros jogadores sejam preconceituosos, mas é necessário ter o cuidado com os jogadores e de explicar o quão problemática é esta discriminação.

“Ai Ceci, mas é só diversão!” gente… eu tenho vontade de esviscerar força quando alguém faz esse tipo de comentário, tem que ter muito lado amorzinho de Freiya pra minha porção guerreira não sair de controle. Assim, como bem disseram no chat da stream “Só é divertido se for divertido pra todes!” Então se pra você é só diversão e foda-se o coleguinha que sofre opressões horríveis as quais você não imagina, melhor ir jogar videogame e não se relacionar com seres humanos, ou por mão na consciência e rever seus privilégios -^.^-

Mas é deu pra ver que esse tipo de coisa me deixa hmm… “chateadinha” né? Então vamos ser legais e ter empatia -^.^-

Por fim temos os jogadores, afinal por mais que o mestre tenha cuidado e mantenha a ordem na mesa, os jogadores também precisam ser conscientes, tanto no respeito mutuo quanto na criação de seus personagens. Cabe lembrar que mesmo que no cenário da aventura/campanha não exista discriminação por gênero e orientação sexual, no mundo real existe então cabe pensar bem em como retratar seus personagens diversos, assim como no tratamento dado a outros personagens, NPCs e jogadores.

Por as regras, muitos cenários ou sistema-as não tem regras especificas e nem acho que precisem ter para questões de diversidade. Afinal como dito antes é mais um fator social do que qualquer outra coisa. Alguém poderia contudo complicar ou limitar questões pertinentes a transição no que tange a personagens trans. Por exemplo, no mundo real hormônios podem fazer mal dependendo de como administrados ou de propensões a problemas de saúde dentre outros fatores. Similarmente, num mundo de fantasia a magia pra mudar o corpo pode drenar muita energia, trazer efeitos negativos etc

O ponto é: se for incluir personagens diversos, tente lidar de forma sensível, pense nas consequências pra si e seus colegas de mesa, tenha sensatez e aí sim, divirta-se e muito -^.^-


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Cecihoney

Mulher trans, lésbica, bruxa que trabalha com pixelart pra games e vive com a cabeça em robôs, naves e engrenagens. Transfã, retrô/indie gamer e parte de uma fusão permanente! Dividida entre lacinhos rosas e armamentos pesados :3