Unicórnios existiram, mas são diferentes das estórias que conhecemos

Desde criança ouço estórias com unicórnios e sem dúvida é uma das minhas criaturas favoritas. Também já escutei várias histórias sobre a possível existência de unicórnios no mundo real. Uma delas é sobre um circo (Ringling Brothers circus) que dizia que tinha uma apresentação com unicórnios. Na verdade, os unicórnios eram caprinos que tiveram seu botão do chifre removido e transplantado no meio da testa. Assim o par de chifres era transferido de um lugar para crescer em outra localidade da cabeça, produzindo um único chifre. Este procedimento foi desenvolvido em 1933 e essa técnica cirúrgica foi até patenteada.

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Fonte da foto: https://www.flickr.com/photos/wayfinder/22102725

 

Enfim, tudo era manipulação.

 

Recentemente, um grupo da Universidade de Tomsk State University relataram a descoberta de restos de um fóssil do animal chamado Unicórnio da Sibéria (Elasmotherium sibiricum). Este estudo foi publicado na revista American Journal of Applied Sciences pelo grupo de cientistas do Cazaquistão e da Rússia. Nesse artigo, eles descrevem um novo sítio arqueológico perto de Kozhamzhar na região de Pavdolar Priirtysh, onde foi possível encontrar restos de outros animais, como da espécie de Mamute (Mammuthus trogontherii chosaricus), além do unicórnio da Sibéria. Os fósseis foram entregues no Museu da Natureza (Pavlodar State Pedagogical Institute) no outono de 2010.

Restos de fósseis de animais desta espécie também já foram encontrados na Hungria, na Sicília e em localidades do leste Europeu. Estudos de 1878 sugerem que estes animais possivelmente atingiram 4-5 metros de comprimento. Ainda, é descrito como criatura robusta e gigante que chegava a pesar 4 toneladas, com dimensões de 2 metros de altura. Mais semelhante aos rinocerontes, este animal ainda era bem diferente da figura que vimos nas lendas com a imagem de um equídeo.

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Crânio fossilizado revela Unicórnio da Sibéria transitava na Terra 29.000 anos atrás.

Projeto liderado pelo cientista russo Andrei Shpansky, os autores analisaram os parâmetros morfológicos do crânio do unicórnio da Sibéria e também investigaram o material através do uso de datação por radiocarbono através da técnica espectrometria de massa com aceleradores (AMS radiocarbon, em inglês). Com isso, eles concluíram que o animal morreu há 29.000 anos atrás, mostrando que estes animais viveram na Terra em um período mais recente que se havia pensado. Portanto, este estudo mostra que estas criaturas não foram extintas há 350.000 anos atrás. Eles conviveram com humanos na idade da pedra e há relatos de uma tribo da Sibéria que descreve a morte de um “boi gigante” que possuía um chifre único, uma possível referência ao Unicórnio da Sibéria. Embora algumas pessoas acreditem que estas criaturas talvez tenham influenciado o aparecimento da figura do unicórnio na mitologia, não sabemos sobre a veracidade deste fato.

Os autores ressaltam que entender o passado nos permite fazer previsões mais apuradas sobre os processos naturais no futuro próximo.

No mundo que idealizamos o esbelto e alvo como características de beleza padrão, o Unicórnio da Sibéria encontra barreiras para ser aceito. Enfim, nem só humanos sofrem com a padronização de beleza , animais também, mesmo aqueles que não existem mais. Veja a página do website The ugly animals que mostra animais que fogem do padrão de beleza também tem o direito de serem preservados. Afinal, nem todos animais são fofinhos como pandas.

Desenho: Allan Faustino https://www.threadless.com/product/1000/runnin_rhino

Fontes: Clique nas palavras em negrito

Revisão: Helen Miranda

 


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Isabelle Tancioni

Sou veterinária, cientista, hipster, Tiki, nerd, geek. Gosto de comics, música, cartoons, animais, plantas.