Bem-vindas à Academia Gotham

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Quem viveu a infância no final dos anos 1980 e começo de 1990 deve se lembrar de filmes como “Os Goonies”, “Conta Comigo”, “Garotos Perdidos” e “Deu a louca nos Monstros”, filmes infanto-juvenis com uma pegada de suspense e terror, mas cujo tema principal era a amizade e como ela é essencial para a formação de nosso caráter nessa primeira fase da vida.

Porém, como já era de se esperar, todos esses filmes foram protagonizados por meninos e  parece que só recentemente, depois de muita luta e reclamação, a indústria de entretenimento vêm percebendo o filão de garotas sedentas por mistério e aventura comprovados pelo sucesso de títulos como a nova fase da Miss Marvel, escrita por G. Willow Wilson, e  “Moon Girl and Devil Dinosaur”,  ambos publicados pela casa das idéias, mostra que meninas querem sim ler HQs protagonizadas por personagens que as representem.

Em 2014  a DC Comics também investiu  num título para atrair um público mais jovem e feminino  para as suas publicações e o resultado foi  “Academia Gotham” com  todos os elementos necessários para agradar os leitores fãs de Harry Potter e Young Adults fantásticos em geral.

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Ambientada na famosa cidade do Batman, a Academia Gotham é um prestigiado colégio interno para as melhores (e mais ricas) mentes da cidade mais sombria do UDC, a  escola também é assombrada como o diabo e tem em seu terreno um antigo cemitério  onde coisas estranhas sempre acontecem.

Olive Silverlock, em seu segundo ano na escola  deveria se sentir em casa e para ela deveria ser uma grande honra ser  escolhida a dedo por Bruce Wayne, o patrono do colégio, para estudar lá com bolsa integral, mas Olive não sente que pertence a qualquer lugar desde os eventos misteriosos ocorridos nas  últimas férias de verão, ocasião em que sua mãe sofreu um acidente onde a memória da própria Olive foi seriamente prejudicada, deixando-a sem nenhuma lembrança do que se passou.

Sendo assim, ela encontra um pouco de conforto no diário de Millie Jane Cobblepot, um livro escrito por uma garotinha de 12 anos que viveu na época da Guerra Civil de Gotham.

Olive e Millie parecem dividir um segredo em comum, algo que escapa à própria Olive a princípio e para resolver esse mistério ela vai contar com a ajuda de seus amigos; Maps a caloura rpgista fanática por mapas, o irmão dela Kyle com que Olive namorou no passado, Pomeline a antiga rival de Silverlocks que se envolveu em um ritual de evocação que pode não ter dado muito certo e Colton Riviera, o malandro da escola. Pode parecer cliché, mas é a interação entre esses personagens que dá um toque especial à série junto com seu clima gótico de mistério e é justamente  isso o que pode ajudar o fã de livros de fantasia a se interessar pelo universo dos quadrinhos.

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Os roteiros de Becky Cloonan e Brenden Fletcher possuem um  tom adolescente que não fogem muito dos filmes de colégio americano e seus arquétipos, mas oferecem uma boa expansão para o universo de Gotham, mostrando que a cidade é uma personagem tão importante quanto seu herói de capa mais famoso e  para os  leitores veteranos ainda existe uma série de easter  eggs do universo do morcegão para se deliciar. A narrativa visual também é um ponto para Academia Gotham, a arte  de Karl Kerschl, Geyser e Dave McCaig criam uma atmosfera a lá Hogwarts. Desde  a composição das páginas e dos quadrosque  nos obriga a passar os olhos por toda a imagem e explorar  as particularidades do antigo colégio junto com os protagonistas às cores que dão à ambientação seu misterioso toque sobrenatural.

Ainda que com atraso de quase dois anos em relação à publicação nos Estados Unidos, a Panini confirmou o lançamento de Academia Gotham no Brasil em formato de encadernados após o fim da saga Convergência, então logo logo essa HQ estará à disposição dos leitores brasileiros.

Mas quem quiser ler a versão online, pode encontrar aqui 🙂 – Amazon, em inglês

 12573136_10205128165192667_3714200239221236797_n       Marcela Tang

Marcela Tang é uma MinaNerd formada em Comunicação Social, mãe de um rebelde de cabelos cor de fogo e apaixonada por arte sequencial desde quando colocou as mãozinhas em uma revista do Batman no fim dos anos 90.  Gosta de filmes, mas ainda prefere os seriados. Caso encontrasse uma máquina do tempo, voltaria ao passado e  ganharia a vida escrevendo histórias de terror para revistas pulp. Holden Caulfield é o seu melhor  amigo imaginário.


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