Capitão América – Guerra Civil: o ano está salvo

Capitão America – Guerra Civil, estreia nas salas de cinema de todo país na próxima quinta-feira, dia 28 de abril e a expectativa dos fãs, e até de quem está nessa pelo hype, por que não? Está enorme e com razão.

O marketing da Marvel não dá ponto sem nó e praticamente todos os filmes, desde Homem de Ferro lançado pela Marvel Studios, em 2008, foram pensados justamente para culminar nesta saga: Guerra Civil.

Mas por quê diabos eles brigam?

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Nos quadrinhos, os capítulos foram lançados originalmente nos EUA entre 2006 e 2007 e fazem parte de uma longa sequência de histórias que serviram praticamente para reorganizar o Universo Marvel, modernizando seus plots e personagens, trazendo-os para o século XXI.

O ponto central de Guerra Civil, nas HQs gira em torno do Ato de Registro de Super-Heróis, já que, devido a grande quantidade de civis mortos e danos à propriedades públicas e privadas, advindas de atividades e embates entre super-heróis e vilões, acabam por exaltar os ânimos do governo e do poder público, que pedem retratação.

A população começa a questionar o poder dos super-seres, a responsabilizá-los por inúmeras mortes e tragédias, e o governo, por um lado, vê vantagem em exercer controle sobre suas atividades, exigindo assim que todo ser dotado de habilidades sobre-humanas ou com super-habilidades adquiridas através da ciência ou magia, incluindo extraterrestres, deuses e seres humanos envolvidos em atividades de vigilantismo, se registre, revelando sua identidade secreta, para que o governo tenha ciência delas. Assim, o Estado seria responsável por treiná-los e responsabilizá-los em casos de abuso de poder.

Tony Stark, o Homem de Ferro, é favorável ao registro colaborando com o governo, já  Steve Rogers, o Capitão América, não.  Muitos heróis se juntaram aos respectivos times e assim deu-se origem a uma das grandes sagas do Universo Marvel, que traz em sua trama questões éticas, políticas, sociais e psicológicas muito presentes em nossa realidade. O que está em questão não é apenas a adaptação de uma HQ para as telas. É o velho embate entre segurança versus liberdade.

O melhor filme da Marvel

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Já no filme que estreia essa semana, dirigido por Anthony e Joe Russo (carinhosamente chamados de “irmãos Russo”- dirigiram Capitão América – O Soldado Invernal e além disso a ótima série de comédia Arrested Development) os roteiristas levaram em conta a sequência dos 12 filmes Marvel feitos até então e obviamente a IMPOSSIBILIDADE de suprimir inúmeros capítulos de HQ lançados ao longo de quase dois anos em apenas 140 minutos, que seja, de filme.

Portanto, já alerto desde já: ESQUEÇA: O FILME NÃO É TOTALMENTE FIEL AOS QUADRINHOS. E nem por isso deixa de ser magnífico. Aliás, por amarrar tantas pontas soltas deixadas por adaptações errôneas como Era de Ultron, Thor, entre outros, foi um trabalho magistral merecedor nota, inclusive.

Após o sangrento embate com a Hidra ter resultado em inúmeras mortes e praticamente na destruição de Sokóvia, conforme vimos em Era de Ultron, os Vingadores são pressionados pelo poder público, a mídia e diversos governos do mundo a assinar um pacto de responsabilidade, o Tratado de Sokovia, que implica sujeição à ONU e ao governo dos EUA.

Assinar ou não o tal tratado é o que divide, no cinema, as equipes lideradas por Tony Stark, o Homem de Ferro (Robert Downey Jr) e Steve Rogers, o Capitão América (Chris Evans).

Como se esse não fosse um motivo grave o bastante, a porra fica séria mesmo quando entra na equação o Soldado Invernal (Bucky Barnes), recuperado da lavagem cerebral feita pela Hidra (Capitão América – Soldado Invernal- 2014) ele é considerado um criminoso foragido, mas continua sendo o melhor amigo de Rogers e este passa a protegê-lo, dando mais um motivo para que sejam caçados.

A grande família

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Como eu disse logo acima, a Marvel não dá um passo em vão. Todos os lançamentos, tie-ins em séries televisivas, easter eggs e cenas pós-crédito em seus diversos filmes (juntamente com os quadrinhos, claro) firmaram uma base MUITO sólida de relacionamento entre os fãs e os personagens, o que faz com que os enxerguemos como membros da família ou grandes amigos. Portanto, bingo, eis o segredo. Quando você percebe, está envolvido emocionalmente na trama até o pescoço.

E agora, facetas dúbias, comportamentos não ortodoxos se revelam, trazendo-os ainda mais próximos a nós, como seres humanos também passíveis de escolhas emocionais, amarrando a narrativa à força em nossos corações, mas deixando bem claro que no caso deles, enquanto super seres, tais escolhas podem trazer consequências colossais, para toda a humanidade.

O filme é muito bem dividido entre todos os personagens e personalidades, cacoetes, estilo de luta, sotaques e idiossincrasias são muito respeitados. Até a forma como cada herói ataca,ou pula de um prédio, ou responde a um golpe é único e só dele. É muito gostoso de perceber isso, aliás.

Apresenta, sem sombra de dúvida, algumas das MELHORES SEQUÊNCIAS de luta já vistas em filmes de super-heróis. O uso de CGI é muito comedido, privilegiando o embate corpo a corpo que é  muito feroz e intenso, emprestando realmente estilo à direção crua e cheia de adrenalina dos Irmãos Russo.

Fiquei particularmente emocionada com o destaque dado para as sequências de lutas da Viuva Negra (Scarlet Johansson) e Feiticeira Escarlate, (Elizabeth Olsen) as duas únicas mulheres protagonistas do universo cinemático, (nas HQs elas são inúmeras).

As habilidades de luta da Viúva são magistralmente exploradas em planos-sequência de tirar o fôlego. E a maturidade, força e poder de escolha da Feiticeira Escarlate, a forma com a qual ela lida com seus próprios traumas e culpas e limites, a forma como aprende a controlar seu próprio poder, ainda muito cru e inexplorado no cinema, também são um forte indício de empoderamento e maior destaque da personagem dentro da narrativa.

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A apresentação de personagens como T’Challa, o Pantera Negra (Chadwick Boseman) a introdução de heróis como Homem-Formiga (Paul Rudd), Visão (Paul Bettany) e Homem-Aranha (Tom Holland) às equipes é um dos grandes destaques do filme. Os diálogos são certeiros, sagazes, bem-humorados, atuais, possíveis, maravilhosos, dá muito gosto de ver.  E ainda escondem uma série de referências à outros filmes e às séries televisivas da marca, para deleite dos fãs.

A sequência em que Peter Parker aparece é,  com certeza, uma das melhores adaptações de HQ para as telonas. Devido aos embates da Marvel com a Sony (detentora dos direitos cinematográficos do Homem-Aranha, vendidos pela Marvel), o tempo de permanência do personagem em cena é limitado. Portanto, sua aparição e ação contém estritamente o ESSÊNCIAL do personagem, sem enrolação, sem mimimi. O resultado é simplesmente O MELHOR FILME DO HOMEM-ARANHA de todos os tempos. Me arrancou lágrimas dos olhos. De verdade. E ainda tive que gritar um: “Spidey, eu te amo” – pois é, sou dessas.

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A questão da diversidade também é abordada até porque introduz o maravilhoso universo de Wakanda, terra do Pantera Negra, aos cinemas. Muito feliz em saber que finalmente vão fazer um filme com elenco predominantemente negro, habitantes de uma civilização ultra avançada e essencial na narrativa da saga.

Os pontos negativos vão para os vilões Ossos Cruzados (Frank Grillo) E Zemo (Daniel Brühl) que, em contraponto à profundidade e complexidade das personalidades dos heróis, me pareceram rasos e muito pontuais: chegam, fazem vilanias, danam a vida dos heróis, fazem um discurso de meia tigela, vitimista, tentando justificar seus atos, (porque vilões precisam justificar seus atos? Que mundo é esse em que devemos ter PENA dos vilões? Achei isso bem chato) e desaparecem. Fim.

O final também foi bastante anticlimático, em relação à tensão elevadíssima durante todo o tempo de exibição da trama, mas meio que “se livra” de pontas soltas que podem vir a dar dor de cabeça à roteiristas nos próximos filmes. Mas obviamente que, a essa altura do campeonato, o espectador está tão enlevado com o filme que acaba nem levando isso em conta.

Guerra Civil é, sem dúvida, o melhor filme da franquia Vingadores e abre um caminho largo e esperançoso para a agenda de lançamentos cinematográficos sequenciais da série para os próximos anos, a saber: Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017), Pantera Negra (2018) e Vingadores: Guerra Infinita  Parte 1 (2018) e Parte 2 (2019), que, por acaso, também vai contar mesma equipe criativa de Guerra Civil.
Portanto, não temam. O bagulho é bom MESMO. Vale bater palma, vale chorar de emoção, vale apertar a mão do crush no ápice da coisa. Vale tudo, porque são, finalmente, os nossos heróis retratados com respeito e fidelidade no cinema. É um marco.  –

Não se esqueçam: Capitão América: Guerra Civil estréia em território nacional na próxima quinta-feira, dia 28/04.


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Gabriela Franco

Jornalista especializada em cultura pop, produtora, cineasta e mãe da Sophia e da Valentina

Criadora do MinasNerds.