HQ: Um guia para iniciantes

IMAGEM NOVA

Com o sucesso cada vez maior de filmes de super-heróis como Batman vs Superman e Guerra Civil, é natural que mais e mais pessoas se interessem em conhecer a fonte das histórias que possibilitaram a existência desses filmes e uma pergunta muito frequente de novos fãs é “Por onde eu começo a ler HQs?” uma pergunta legítima  já que as HQs de heróis possuem quase 80 anos de publicação initerrupta.

O ponto mais importante para quem está começando a embarcar na leitura de quadrinhos é entender que  as revistas não são os filmes, parece bobo dizer isso, mas a confusão pode acontecer e estranhamentos como “Mas no filme foi diferente” são bem comuns. Acontece que os filmes são ADAPTAÇÕES de várias histórias que aconteceram ao longo de muitos anos de publicações e devido ao tempo de tela escasso as histórias normalmente são simplificadas, ou modificadas para maior aproveitamento, o que gera ao mesmo tempo ódio e deleite nos fãs mais radicais. Deixando isso claro, voltamos ao nosso guia;
É muita ingenuidade achar que a melhor forma de fazer alguém ler HQ seja  “do começo, oras!”. O começo é sempre um bom ponto de partida, mas QUAL começo? Porque desde sua origem nos anos 1930, a maioria dos heróis passou por reformulações que vão desde o uniforme até sua origem.
Então vamos aos tópicos:

O que você gostaria de ler?

Nas HQs de super-heróis a variedade de temas é gigante. Você prefere as histórias pontuadas por ficção científica da Tropa dos Lanternas Verdes ou a  Space Opera de Guardiões da Galáxia? O horror gótico de Hellblazer ou a psicodelia da Patrulha do Destino? Ou prefere caos urbano e noir do Batman ao mundo High-Tech do Homem de Ferro?  Por isso é essencial prestar atenção ao seu gosto antes de escolher um título para começar.

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Origens e Arcos Essenciais

Depois de escolher seu personagem, ou grupo favorito você precisa conhecer sua origem. Talvez todo mundo saiba a origem do Batman, do Superman e do Homem-Aranha graças às 769 versões para cinema desses heróis, mas nem todo mundo conhece a origem  da Mulher Maravilha, ou de todas as formações dos X-men. Como dito anteriormente, a história de origem do personagem pode mudar muito, seja para se encaixar na versão cinematográfica, ou simplesmente para não se chocar com o espirito do tempo, acompanhando a nossa evolução social e política. Por isso esse barulho todo sobre os uniformes das heroínas não faz nenhum sentido, já que  NADA nas HQs está escrito em pedra.
HQs de origem são muito frequentes atualmente já que, pelo menos por parte da DC Comics, a nova política é reiniciar a numeração de suas séries a cada 3 ou 4 anos, fazendo com que sempre tenha alguma HQ de origem nas bancas. Algumas dessas HQs se tornaram clássicos (falaremos deles mais tarde) e a tendência é que independente do que aconteça pela frente, aquela vai ser a versão que os roteiristas usarão como base para suas histórias. Esse é o caso de A piada mortal, Arma X, Batman Ano Um, Elektra Assassina, etc. São arcos fechados que apresentam as primeiras aventuras dos heróis, ou vilões, suas motivações, traumas e assim por diante. Por isso o Tio Ben sempre morrerá, Krypton sempre explodirá e o Capitão América sempre lutará a Segunda Guerra Mundial.

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Caso você já conheça a origem do personagem porque assistiu às 9780 versões cinematográficas, você tem duas opções para conhecer o personagem a fundo. O primeiro caminho é aproveitar um reboot e acompanhar a série desde seu primeiro número, como foi o caso de Novos 52 na DC que já se encaminha para um novo começo de seus títulos com Rebirth, zerando os números de algumas séries. A segunda opção, é correr atrás dos clássicos. Em qualquer pesquisa básica sobre por onde começar a ler HQs é possível encontrar uma lista com as melhores HQs daquele personagem,  talvez essa lista não esteja atualizada em relação aos arcos apresentados nos filmes, o que pode frustrar quem veio dessa mídia para as HQs. Mas se você quer começar por aí não tenha medo, algumas das melhores histórias do Homem-Aranha, por exemplo, vieram logo nos anos 1960 com Stan Lee,  Steve Ditko, John Romita Sr. e Jack Kirby (Eu até faria um pacto com Mefisto para ter mais arcos como Homem-Aranha nunca mais nas bancas) e são bastante relevantes para os filmes até hoje. Mas então é preciso sair comprando tudo o que você vê na banca? Felizmente não! Hoje podemos encontrar no mercado brasileiro boas opções de coleções de encadernados com alguns desses arcos mais importantes dos personagens da a Marvel e da DC, como é o caso da Eaglemoss com 60 títulos como Batman : Logo dia das Bruxas, Liga da Justiça : Ano Um, Lanterna Verde: Crepúsculo Esmeralda, O último filho de Krypton, entre outros e a Salvat, que por sua vez traz aos brasileiros títulos da Marvel como O espetacular Homem-Aranha: De volta ao lar, Capitão América: Soldado invernal, Planeta Hulk, Dinastia M e muito mais. É só escolher a sua favorita e começar a colecionar.

Coleção Graphic Novel Salvat

Linha do tempo e Mega Sagas

Cronologia e continuidade sem dúvida são as PIORES partes para quem está começando a ler HQs sem nenhum conhecimento prévio. Pois é,  eu sei que o Robin não tinha nenhuma espada naquele filme com o Chris O’Donnel (Alguém ainda lembra do Chris O’Donnel?) e isso vai exigir muita paciência e pesquisa por parte do interessado. Lembrem-se que as HQs não seguem uma linha temporal linear, já que seus personagens são eternamente jovens e precisam mudar de acordo com a exigência do mercado.  Para isso é legal conhecer pelo menos um pouco desses mega eventos que costumam ser pontos de referência na cronologia. A DC, como eu disse antes, é campeã em fazer isso desde A crise nas infinitas Terras  (quando você ouvir alguém se referir ao personagem “pré-crise” é sobre esse arco que estão falando) de 1986 que organizou seu Multiverso. Nos últimos dez anos tivemos outras crises no universo  DC como Crise de Identidade, Crise Infinita e Crise Final, além dos spin-offs gerados por esses acontecimentos.  O que é Crise para a DC é Guerra para a Marvel e eventos como Guerra Civil e Guerras Secretas também reformularam as coisas pela Casa das Idéias, se você encontrar algum título com essas palavras na capa, pode acreditar que alguma coisa relevante para os universos das editoras está acontecendo.

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Autores

Pode ser que os nomes Alan Moore ou Frank Miller não sejam estranhos aos seus ouvidos e isso é uma vantagem. Muitos roteiristas de quadrinhos famosos começaram suas carreiras nas HQs de heróis cuidando justamente da reformulação de personagens e títulos antigos. O próprio Alan Moore foi responsável por trazer O monstro do Pântano de volta da década de 1980, assim como Frank Miller repaginou o Demolidor, a Gail Simone fez um trabalho legal em Deadpool e a G. Willow Wilson é a responsável pela nova Miss Marvel. Acompanhar os  trabalhos desses roteiristas com seus personagens  pode ser uma linha cronológica mais fácil de se lidar e quanto mais você lê, mais você passa a entender sobre esse universo específico. Se você der a sorte de gostar de um personagem mais “jovem” do que o Superman, ou o Batman, como é o caso do Constantine em Hellblazer, é possível acompanhar o trabalho do roteirista, como nesse caso o Alan Moore, o que ajudaria tanto a conhecer o “modus operandi” do roteirista quanto a pegar a origem do personagem sem precisar ler nada antes.

 

Não se acomode!

Agora que você já entendeu por onde começar a ler as histórias de super-heróis e já desenvolveu uma obsessão por arcos e cronologias, que tal tentar algo diferente? As HQs de super-heróis são apenas uma parte do fantástico mundo da arte sequencial e cada vez mais temos títulos que abordam outras visões de mundo. A editora Image vem fazendo um ótimo trabalho com publicações de grande qualidade e indicadas a vários prêmios, é como se essa editora estivesse ocupando o vácuo deixado pela Vertigo de uns anos para cá.  De histórias medievaisfantásticas, às distopias do mundo real e universos futuristas. Que tal ler um mangá? Ou uma HQ nacional? Você já ouviu falar daquela autora nova que faz uma WebComic super legal? As editoras Nemo e Avec  também estão fazendo um bom trabalho no Brasil, trazendo o melhor das HQs européias e orientais, com traduções cuidadosas e um ótimo acabamento. Existem diversos títulos que valem a pena conhecer e que ainda não atingiram o grande público,confira a coluna de HQ Arte aqui no Minas Nerds para conhecer mais sobre essas Graphic Novels  e , claro,  dividir seus achados com os amigos, nada mais chato do que um nerd que não compartilha.

Quanto custa uma HQ?

Vamos falar das diferentes formas de se obter e ler uma HQ. O preço médio de uma revista hoje em dia gira em torno de R$ 19,00 tendo o céu como limite já que um encadernado pode chegar fácil aos R$300,00. Se tentar acompanhar vários títulos de uma vez verá seu salário desaparecer rapidinho, mais um motivo para selecionar bem o que vale a pena ou não de ser lido, acompanhar resenhas confiáveis de quem já leu pode facilitar a sua vida e poupar muito dinheiro. 

Você pode considerar uma assinatura mensal e receber essas HQs em casa por um valor mais em conta, ou visitar lojas especializadas como a Comix Book Shop em São Paulo, ou a Point HQ no Rio de Janeiro que são o paraíso para garimpar e conhecer material novo, você sempre pode contar com a experiêcia de quem trabalha nesse ramo para indicar coicomics_by_comixology_logo_black_textsas novas, além de ser possível encontrar material mais antigo nos estoques. Se na região onde você mora não existir esse tipo de loja, a maioria delas possui lojas virtuais.
Por falar em lojas virtuais, a Amazon é um gigante do ramo e sempre tem quadrinhos em oferta por lá, saber esperar por uma boa promoção pode ajudar a economizar.
Aplicativos como o Comixology também é uma  boa opção para comprar HQs digitais por um preço similar ao das capas impressas,  porém  temos a barreira do idioma, já que a maioria das HQs não estão traduzidas. No Social Comics você paga uma mensalidade para ler quantos títulos quiser, mas como o formato ainda é novidade nem todas as editoras do mercado fazem parte do acervo.
Pegar emprestado é sempre uma ótima opção, trocar HQs com amigos também vai te ajudar a construir um repertório de histórias maior gastando muito pouco e ainda gera uma boa interação com outros fãs.
O importante de consumir as HQs originais é apoiar o mercado e seus profissionais, além de estimular as editoras a continuar com títulos de qualidade já que são as vendas que medem o sucesso de uma revista.

Agora é só separar um bom espaço no seu quarto, pois eu garanto que assim que você começar a sua coleção não vai querer parar e se você já é leitor assíduo e tem outras dicas para quem está começando, não esqueça de comentar.


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