Versão Brasileira – Herbert Richers

“Versão brasileira, Herbert Richers” é uma frase nostálgica para muitos. Várias pessoas ouviram essa frase durante a infância sem saber direito o que ela significava, ou como Herbert Richers era importante para a história do cinema e da televisão nacional. Inclusive no falecido Orkut havia até uma comunidade “Quem diabos é Herbert Richers?”.

O livro Versão brasileira – Herbert Richers de Gonçalo Junior, da editora Criativo, é uma biografia bem completa sobre a vida do produtor e dublador. Desde um relato sobre a família Richers até 2009, o ano em que Herbert Richers morreu, vamos vendo como ele se tornou um nome importante e como foi parar no mercado de dublagens no Brasil.

Herbert Richers vinha de família alemã e sempre foi apaixonado por cinema desde pequeno, o que fez que em 1940, mesmo antes da televisão, ele já fizesse parte da indústria do cinema nacional. Entre os títulos em que trabalhou estão Deus e o Diabo na Terra do Sol, Vidas secas, O pagador de promessas e Assalto ao trem pagador. Também participou da produção de chanchadas e quando esses filmes pararam de fazer tanto sucesso, apoiou os movimentos que começavam a surgir, como o Cinema Novo.

Além de perceber as tendências do cinema e saber aproveitá-las, Herbert Richers foi o responsável pela profissionalização das dublagens brasileiras, no final da década de 1950. As técnicas no Brasil não eram muito boas e Richers montou seu estúdio no Rio de Janeiro para melhorar esse cenário, sendo muito exigente na escolha dos atores e também percebendo que ser ator não necessariamente fazia que alguém fosse um bom dublador. É preciso, além de interpretar, prestar atenção nas falas originais. Alguns dos trabalhos que seu estúdio dublou foram Scooby-Doo, Batman, A caverna do Dragão e As aventuras de Tintim.

O livro também aproveita para contar sobre outros acontecimentos na vida de Herbert Richers, como a vez em que mergulhou no mar, salvando oito pessoas de um acidente com um avião da Vasp. A biografia também fala sobre a vez em que um de seus estúdios pegou fogo, no começo da década de 1960, o que inclusive fez que, por um tempo, o acusassem como culpado do incidente.

Ao mesmo tempo que algumas das questões contadas na biografia parecem distantes de nós, outras se mostram bem atuais. O produtor comenta que, enquanto se empenhava para que a dublagem nacional tivesse cada vez mais qualidade, vários críticos e comunicadores falavam que a dublagem era algo que “manchava” a arte do filme, já que tirava as vozes dos atores originais. Herbert Richers afirmava que essa era uma visão muito elitista, já que muitas pessoas preferiam ou só conseguiam ver filmes dublados. Não era todo mundo que conseguia acompanhar o ritmo da legenda, sem contar que muitos não sabiam ler. De vez em quando vemos matérias e argumentos contra ou a favor da dublagem, e independente do que a pessoa ache não dá para negar que essas discussões são parecidas com as que Herbert Richers relata nas entrevistas, sendo portanto relevantes até hoje.  

A biografia tem 192 páginas, com imagens que ilustram o que está sendo contado. Não é um livro muito extenso, mas mesmo assim contém muitas informações e dados. É uma leitura interessante e uma boa recomendação para qualquer pessoa interessada em dublagens, cinema e televisão nacional.


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Clarice França

Connect to Database. Origem: Reino do Sonhar. Classe: Radialista, escritora e amante de histórias. Reputação: Campeã do Labirinto e de Kirkwall, Heroína de Ferelden, Herdeira de Andraste, Comandante Shepard, Paragade, Dovahkiin, Witcher, Dobradora de Fogo, Targaryen e Corvinal.