X-Men: Apocalipse

Existe um fato que não podemos reclamar da Marvel, especialmente quando vamos falar sobre os seus mutantes: suas heroínas são as personagens mais fortes de todo o grupo. Mas do que adianta você ter uma Emma Frost – a Rainha Branca do Clube do Inferno – interpretada por uma atriz belíssima, se sua versão péssima mostra a personagem como uma vilã que serve apenas como uma prostituta de luxo? Essa distorção aconteceu em X-Men: Primeira Classe e é apenas uma de várias que observamos desde 2000, nas tentativas da FOX de acertar o passo em criar uma franquia em que mocinhos e vilões são amados e idolatrados pelos fãs. Será que X-Men: Apocalipse, novo filme da franquia, finalmente chegou lá?

X-Men sempre foi um grande veículo para falar sobre intolerância, ódio discriminação e preconceito, além de uma forma de identificação com um período difícil que todos nós passamos: a adolescência. Criados em 1963 pela dupla Stan Lee e Jack Kirby, os mutantes fizeram sucesso e nos anos 80 se tornaram os quadrinhos que mais vendiam na Marvel. Na década de 90 a base de fãs aumentou com o desenho animado da própria FOX, levando os X-Men ao alcance até daqueles que não tinham acesso as HQs. Logo a FOX decidiu levar os mutantes para as telas grandes.

Filmes de super-heróis existem praticamente desde que os próprios heróis foram criados, mas foram evoluindo com os anos. E assim como as próprias HQs tiveram seu auge, nós entramos no que talvez seja a “Era de Ouro” dos filmes de heróis, afinal nunca tantos foram feitos e festejados. Existe um questionamento de qual foi o filme que começou essa onda e, apesar de ser uma opinião, eu acredito que a primeira franquia moderna foi o primeiro filme dos X-Men lá em 2000. Escalando atores consagrados como Patrick Stewart, Ian McKellen, Halle Berry e Anna Paquin, dirigido por Brian Singer e apresentando um australiano desconhecido, mas muito carismático, Hugh Jackman, como Wolverine, o primeiro filme dos X-Men, foi um enorme sucesso de público. O seu sucesso levou a duas continuações: a de 2003, que apesar de ser um sucesso de bilheteria não foi o sucesso esperado com a crítica;  e de 2006, que não foi um sucesso nem de crítica e nem de bilheteria, especialmente se compararmos com os filmes que já despontavam na época.

O problema dos filmes de 2000 estava na falta de relacionamento entre os fãs e os personagens. Se a maioria do elenco era composta por adultos, os mutantes dos filmes já estavam no auge de seus poderes, onde estavam os conflitos de verdade com os quais os fãs podiam se relacionar? A tentativa de usar o elenco mais jovem ficava desconexa com os outros personagens e algumas histórias ficaram simplesmente confusas, como o Noturno de Alan Cumming (amo o ator) em X-Men 2. E eventualmente em 2011, a FOX decidiu fazer um recomeço contando a história do início da vida de Xavier e Magneto em X-Men: Primeira Classe.

X-Men: Primeira Classe deu uma sobrevida para os mutantes e criou muitas expectativas para o segundo filme dessa nova fase – X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido, afinal estamos falando de um filme baseado em um quadrinho de Chris Claremont, um dos maiores roteiristas e criadores de mutantes (Emma Frost, Vampira, Gambit, Lince Negra, Fênix, Mística, são apenas algumas de suas criações). Além de ser o fim que se despede do elenco “original” dos filmes do inicio de 2000

X-Men: Apocalipse é ao mesmo tempo um filme de começo e um filme de fim de séries. É como se a fala do Apocalipse: “E das cinzas do mundo deles, construiremos um mundo melhor!” resumisse perfeitamente o significado do filme. Bryan Singer, mais uma vez, elege os seus escolhidos, no caso um elenco um pouco maior do que apenas 4 Cavaleiros – James McAvoy, Michael Fassbender, Evan Peters, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, entre outros – retornam para seus papéis, consolidando-os. J-Law faz uma Mística menos dependente de Xavier ou Magneto, mostrando pela primeira vez que a personagem pode desenvolver o seu potencial.

A trilha sonora é excelente, as cenas de efeito especial muito bem feitas e eu achei os efeitos 3D interessantes em alguns momentos como no começo e nas cenas da Psylocke. O filme não é perfeito, é claro, mas eu não gosto de entrar em detalhes específicos para não dar os famosos spoilers. Entretanto as adaptações de X-Men: Apocalipse, não comprometeram a minha diversão ou imersão na história, e saí empolgada para o próximo filme da franquia.

Nas palavras do próprio Bryan Singer: “Apocalipse é o verdadeiro nascimento dos X-Men”. O novo time? Psylocke, Anjo, Noturno, Cyclope, Jean Gray, Jubileu e Tempestade. Passado na década de 80, o filme apenas introduz as novas personagens para o público deixando um gosto de quero mais. Agora é esperar e ver o que esses novos X-Men irão encarar e como eles serão mostrados. Vamos esperar que exista espaço para o crescimento de personagens importantes e icônicas como Psylocke, Jean e Tempestade sem virarem apenas apelo sexual ou mulheres mandonas e “chatas” de acordo com a cartilha machista de quadrinhos.  


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Silvia RC Almeida

Dona da coluna Filmes da Sil no blog F-utilidades