O Renascimento da Mulher Maravilha

Os fãs de quadrinhos tiveram uma semana agitada com a contagem regressiva para o lançamento americano de Rebirth, o soft-reboot da DC.
A nova série pretende reorganizar a cronologia do universo DC, assim como reestruturar a história de alguns personagens.  A expectativa sobre o destino dos heróis é grande e com a Mulher Maravilha não seria diferente.
Em entrevista para o site Comic Book Resources, o novo trio de criação do título da amazona  deu algumas informações sobre a nova fase heroína que vivencia o momento mais popular desde sua criação com  todo o destaque que ela recebeu em Batman vs Superman e com o filme solo chegando ano que vem.

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O novo time de criação  composto por velhos conhecidos de Diana conhece a responsabilidade, os roteiros serão de Greg Rucka, autor de boas fases da Mulher Maravilha como Hiketeia (que tem o confronto icônico entre Batman e a Mulher Maravilha), Rivalidade Mortal e Petrificada.  A arte da nova fase ficará dividida entre Liam Sharpe nos números ímpares que mostrarão Diana nos dias atuais (Ano 10), enquanto os números pares ficam a cargo de Nicola Scott recontando a origem da  princesa (Ano 1) e seu caminho para se tornar a Mulher-Maravilha, Scott enfatizou que quer mostrar mais da personagem do que apenas seu lado guerreiro que é apenas uma das facetas da personalidade de Diana. Eles querem focar no poder que a  Amazona tem para inspirar as pessoas à sua volta, ao mesmo tempo torná-la  uma personagem mais acessível a todos os públicos e instigante para os leitores novos e antigos.
O trio promete manter muito do que foi feito por  Brian Azzarello e Cliff Chiang na elogiada fase dos Novos 52, mas também usar o material mais clássico da Mulher-Maravilha, puxando para um lado mais místico e misterioso em suas histórias.

O primeiro one-shot da Mulher- Maravilha Rebirth sai em 8/06/2016 nos Estados Unidos e a série regular começa a ser distribuída no dia 22/06/2016.



Breve Histórico


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Há 75 anos, o psicólogo William Morton Matson, também responsável pelo desenvolvimento do polígrafo, criava a Mulher-Maravilha, uma personagem que mesclava conceitos feministas com a mitologia grega clássica.  Nas palavras de Morton, a Mulher-Maravilha era “A propaganda psicológica de um novo tipo de mulher, que deveria comandar o mundo”.
A princesa Diana foi moldada com a argila mágica da ilha de Themyscira e trazida à vida pelo amor de sua mãe, a rainha amazona Hipollyta, e a intervenção de diversas deusas da mitologia grega que deram à criança dons divinos como força, beleza, coragem e inteligência. A história da princesa amazona sempre foi muito cheia de simbolismo, ela foi a primeira criança a nascer na ilha de Themyscira nos 3 mil anos em que as amazonas lá viveram, suas conterrâneas foram criadas pelas deusas a partir das almas de mulheres mortas por homens.
Sua primeira história foi publicada em 1941 em All Stars nº 8  conta a história de seu nascimento e sua partida da ilha. Quando as deusas decretaram que as amazonas enviassem uma representante de Themyscira para o mundo dos homens, Hipollyta organizou um torneio para que a vencedora fosse nomeada embaixadora, mas proibiu Diana de participar. A princesa desobeceu as ordens da mãe e lutou disfarçada, ganhando assim a  honra e a responsabilidade de representar as amazonas. Em Sensation Comics nº1  ela chega nos Estados Unidos e se torna uma heroína. Nas histórias de Matson (1941-1947, Diana precisava lidar com injustiças e a desiguladade entre homens e mulheres, com o passar do tempo o enfoque maior foi para a alta fantasia e histórias baseadas nos conflitos com os deuses do Olimpo.
Nos anos 1970, a Mulher-Maravilha ganhou uma série de TV na qual Lynda Carter estrelava no papel principal.
Em 1986 um grande evento chamado Crise nas Infinitas Terras modificou todo o Universo DC e com ele a amazona de Themyscira. Greg Potter, George Perez e Len Wein  reestruturaram a personagem e recomeçaram praticamente do zero definindo  algumas de suas características presentes até hoje,  o forte sentimento de justiça social e a sua conexão com os outros deuses do Olimpo se fortaleceram e foram continuados pelos escritores seguintes como John Byrne e Greg Rucka. Dessa fase destaco a saga Deuses e Mortais  que mostra a primeira missão da Mulher Maravilha contra Ares e um desafio ao qual ela é submetida por Zeus e deve descer às profundezas para resgatar um tesouro há muito perdido.
Em 2011 o título da Mulher Maravilha foi recomeçado pelo escritor Brian Azzarello que trabalhou nele por três anos em parceria com Cliff Chang. A fase de Azzarello foi um tanto polêmica, pois o autor resolveu dar um pai para Diana e esse progenitor seria  o próprio Zeus. A fase foi marcada  pela guerra familiar entre os deuses que ganharam personalidades tridimensionais mais bem trabalhadas, além de enfocar o fardo que é ser um deus, fardo que Diana assume com toda a dignidade da maior heroína da Terra.
Em 2015 foi lançada a HQ digital Lendas da Mulher Maravilha, uma mini série em nove edições escrita por Renae De Liz que reconta as origens da heroína e mostra o esforço de Diana para se tornar a melhor dentre as amazonas.

Para quem tem mais interesse em conhecer a personagem a fundo, a historiadora e repórter do New York Times, Jill Lepore,  escreveu um livro todo dedicado à história da personagem e de seus criadores,

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The Secret History of Wonder Woman
Jill Lepore
449 Páginas

 


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