Alice Brill e a Loucura

Esse fim de semana saiu a quarta temporada de Orange is the New Black e imagino que todos devem ter feito suas maratonas, mesmo que não seja um seriado especialmente nerd. Assim como a segunda temporada focou na velhice, a quarta mostrou um pouco mais da loucura. Em como a sociedade lida com essa situação e como busca encaixotar pessoas que não se enquadram, com remédios e tratamentos, as encarcerando nas próprias casas, em hospícios ou em prisões sem motivo aparente. Pensando nisso, resolvi falar sobre a série que a fotógrafa Alice Brill fez na Escola Livre de Artes Plásticas do Instituto Psiquiátrico do Juquery, em Franco da Rocha, durante a década de 1950.

Alice Brill nasceu em 1920, na Alemanha, e se refugiou em São Paulo em 1934, quando tinha 15 anos, já que sua mãe judia pressentia maus tempos com o nazismo. Filha de pai artista, pintor e fotógrafo, e mãe jornalista política, Alice foi pintora, gravadora, ensaísta e fotógrafa. Trabalhou para a revista Habitat, de Lina Bo Bardi, documentando a arquitetura de São Paulo e as artes plásticas. Passou a se dedicar com mais afinco à fotografia até o fim da década de 1950, já que era sua fonte de sustento. Doutora pela USP, também escrevia ensaios sobre arte no Estadão e teve três livros publicados. A fotógrafa faleceu em 2013.

Sua obra fotográfica é bastante diversa. Podemos ver fotos de crianças, da arquitetura e da vida urbana paulistanas, retratos de artistas e também as fotos do Juquery, que é o que veremos a seguir. As fotografias, publicadas originalmente em uma fotorreportagem para a revista Habitat em 1950, mostram os internos como artistas, trabalhando ou ao lado de suas obras, do mesmo modo como artistas plásticos famosos são retratados ao lado de suas obras. Assim, Brill dá humanidade e identidade àqueles a que geralmente têm esse direito negado.

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Os desenhos produzidos pelos internos do hospital psiquiátrico foram reunidos em uma exposição no MASP em 2015. Para saber um pouco mais sobre essa exposição e ver algumas das obras exibidas, clique aqui.

Para saber mais sobre a fotógrafa, veja o seu perfil e mais fotografias no site do Instituto Moreira Salles.


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Deborah Happ

Formada em Midialogia, pela Unicamp, com mestrado em Estética e História da Arte, pela USP. Faz umas artes quando dá, escreve por necessidade.