Amy Winehouse: A tempestade que nunca cessará

Texto: Michelle Lebensrichter e Gabriela Franco

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Algumas pessoas são como dias nublados, sem graça, passam desapercebidas. Algumas são como grandes tempestades, passam chamando nossa atenção e muitas vezes, de forma inesquecível. Cinco anos se passaram desde sua partida e Amy sempre será a tempestade que nunca cessará em nossos ouvidos, em nossas vidas.

Amy Winehouse, mulher de voz singular e carreira promissora. “Frank” o debut álbum foi o começo do bolo. A cereja veio com “Back to Black”, segundo e último álbum em estúdio. Jazz, soul, R&B, música latina, a mulher que uniu uma sonoridade e voz extravagantes e à letras geniais.
Com o sucesso veio uma vida conturbada, triste, repleta de pressões, destrutivo e com relacionamentos abusivos. Difícil não pensar nas dores que ela suportou ou nas atitudes que tomava para controlar essa dor. Difícil não me identificar com a dor dela e não pensar nas milhares de mulheres que enfrentam essas situações. Difícil acreditar que uma mulher de voz tão imprevisível, singular e tão forte, tenha se esvaído no tempo, na vida e partiu precocemente deixando um marco na história da música.
Todo mundo já está cansado de ouvir essa história. Já aconteceu antes, no caso da morte ou então de uma série de problemas decorrentes da dificuldade em lidar com a fama: Janis Joplin, Jim Morrison, Hendrix, Ian Curtis, Kurt Cobain, Jonh Lennon, Michael Jackson, Britney Spears, Macaulay Culkin, vários outros cantores, jogadores de futebol e atores brasileiros… a lista segue longa.
A fama é traiçoeira, efêmera e aprisionadora. Por trás de todo glamour e dinheiro está o peso de manter-se perfeito e em alta performance para o público, pra garantir vendas e mais dinheiro. O que acaba acarretando em uma vida dupla, porque, vamos combinar, ninguém é perfeito, e você se sente uma farsa enorme porque não consegue se manter lindo e maravilhoso e educado e cantando/atuando bem o tempo inteiro. Já dizia o grande trovador gaúcho Wander Wildner: eu não consigo ser feliz o tempo inteiro!
Isso acaba com você. Te consome, afeta seu trabalho e, no caso desses indivíduos, sua arte e talento. Acaba te transformando em alguém que você não é. Ao olhar ao redor, você se vê cercado de comensais, assessores, agentes, produtores. E quase nunca de amigos. São desconhecidos que podem ganhar uma boa grana em cima de você, contando seus segredos e revelando sua humanidade para a imprensa, caso acordem de ovo virado. Já pensou viver para sempre com esse fantasma?
Está tudo o tempo todo por um fio. Sua carreira, seu trabalho, sua reputação. Tudo o que é sólido se desmancha no ar. Você está no topo do mundo, mas o preço é esse. É terrivelmente irônico e cruel, mas é a verdade.
Amy era uma garota extremamente simples. Criada no subúrbio de Londres, pelo pai taxista e pela mãe farmacêutica que, por um acaso do destino, eram fãs de jazz e ensinaram o gênero à filha.
Era espoleta, era autêntica. Não levava desaforo pra casa. Mas também sabia ser doce e sentimental e quando começou a estudar música na adolescência descobriu um grande talento vocal, deu vazão aos seus sentimentos escrevendo letras incrivelmente reveladoras e verdadeiras. E ganhou fama por isso.
Amy foi mais uma vítima da nossa sociedade machista, preconceituosa. Ela foi mais uma vítima que tentou o tratamento mas não teve suporte da própria família.
Pediu socorro, tiravam sarro dela. Trabalhou quando deveria estar se tratando. Amy sofreu a realidade que várias mulheres desse mundo sofrem.
Ela perdeu a luta mas a nossa guerra continua. Respect Amy Winehouse.

Playlist maravilhosa no Spotify: https://play.spotify.com/user/amywinehouse_islanduk/playlist/57EtSaU22Hw1OmL2NaKsCV


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