Life is Strange: 1 resenha do jogo e 5 motivos para querer assistir a série

Antes, uma recomendação: escute aí a trilha sonora do jogo enquanto lê – assim não vai ser nem um pouco necessário reforçar o quanto ela é incrível.

Você já teve aquela curiosidade terrível de querer fazer alguma coisa só pra ver o que aconteceria? Quer dizer, fazer ou dizer alguma coisa bizarra, drástica, idiota ou sei-lá-o-quê e voltar no tempo antes de ter que lidar com as consequências? Então, Life is Strange vai acalentar seu coração.

No jogo, somos Max Caulfield, uma nerd, hispter e aspirante à fotógrafa ( e como isso soa nada original) que descobre um poder de voltar no tempo e alterar o destino. Ao se envolver com uma série de acontecimentos macabros, violentos, sentimentais e meio inexplicáveis, o superpoder vai sendo cada vez mais requisitado e você vai jogar com ela para resolver a história.

Com uma melancolia e suspense amáveis, Life is Strange é sobretudo uma história de amizade. Uma outra personagem, Chloe, vai te acompanhar o tempo todo e acredite: você, pessoa com o controle, vai se apegar e fazer de tudo para mantê-la a salvo. E esse é o primeiro ponto positivo: você se importa muito com a história e com as personagens. Esse é um jogo de escolhas e é bem executado o trabalho de fazer você pensar nas opções e se preocupar com o que vai acontecer

Tipo a vida real, só que dá pra voltar no tempo.

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Personagens

Durante a história, que é dividida em 5 episódios, você imerge na cidade de Arcadia Bay e na Blackwell Academy (uma espécie de universidade de ciências e arte com um monte de gente estudando um monte de coisa e que, no final, é difícil dizer exatamente o que é). Tanto a cidade, quanto o campus da escola têm personalidade: você sente o clima estranho que paira nesses lugares e o presságio de algo catastrófico.

Chloe, que te vai acompanhar durante a história, é o gatilho para as grandes escolhas que você vai precisar fazer. Conhecemos a fundo a história e a família dela, e ao mesmo tempo em que ela é sua guia, que vai te mostrar por onde ir, é também sua maior responsabilidade.

Na escola, você vai conhecer funcionários e alunos com dramas particulares, que também vão interferir no seu avanço. No meio disso, você deixa de ser apenas estudante excluída para se tornar uma personagem feminina forte e bem construída.

Square Nix | Dontnod
Square Nix | Dontnod

Jogabilidade

Lançado pela Square Nix e pela Dontnod, o jogo baseia-se nas escolhas do jogador e na influência que elas terão no desfecho da história, que, claro, vai ser diferente de acordo com os rumos escolhidos (você vai se lembrar de Heavy Rain, Beyond Two Souls e Walking Dead, por exemplo). No entanto, você tem a habilidade de rebobinar e refazer algumas escolhas – como um quebra-cabeça, a sequência das suas ações também pode ser estratégica para cumprir missões.

Enquanto anda pelo campus, principal cenário do jogo, você vai interagir com o cenário e com outros personagens, vai tirar umas selfies e umas fotografias de passarinhos, vai sofrer bullying, trocar uns SMS, arrumar seu quarto e escolher se você quer ou não matar algumas pessoas – esse é o dia a dia da jovem Max, com 18 anos recém-completados.

É um jogo pacato e você tem basicamente todo o tempo do mundo para resolver as missões, explorar o cenário e entender melhor a história. Salvo uma ou outra missão que precisam ser realizadas dentro de um tempo estipulado, a graça aqui é ver o que acontece em seguida.

“Ver o que acontece”

Justamente por isso, quem gosta de mais ação pode ficar meio entediado, especialmente no primeiro capítulo: quando as coisas começam a engrenar, ele acaba. Nos episódios seguintes a coisa toda também se desenrola lentamente e você vai ouvir muita, mas muita, conversa. Os diálogos duram minutos a fio e você vai revirar os olhos quando precisar procurar algo do outro lado do campus.

Square Nix | Dontnod
Square Nix | Dontnod

Visual

Os gráficos são de encher os olhos – não pela complexidade, mas pela beleza da fotografia. Como se pintadas à mão, as cenas tem um climinha meio indie, meio melancólico, meio feliz, e parecem filmadas como uma série…

E tcharam!

Não é que o potencial de ser uma série estava ali o tempo todo e foi descoberto? A Square Nix e a Dontnod anunciaram no blog do jogo os planos para a produção de uma série com atores reais em parceria com a Legendary Digital Studios. O anúncio deixou os fãs com alguns questionamentos e muitas curiosidades.

#1 Os atores: justamente pelo gráfico mais “conceitual”, os desenhos do personagem estão com um pezinho para lá da realidade. A caracterização de uma pessoa real como Max ou Chloe vai ser uma surpresa.

#2 A proposta: tudo bem, no jogo é muito divertido ir e voltar no tempo toda hora só para experimentar as ações. Mas como assistir a isso?

#3 A volta no tempo: a mecânica da volta no tempo tem toda uma física por trás que não é seguida à risca pelo jogo e tudo bem, já que, nele, nós estamos controlando. Mas talvez não faça sentido algum na hora de só assistir.

#4 A adaptação: mídias diferentes, roteiros diferentes. Vai ser um desafio tornar instigante uma história baseada exclusivamente na interatividade em um filme.

#5 As escolhas: o arrependimento bateu forte depois de algumas escolhas e a maior parte delas têm alguma consequência indesejável. Dessa vez, vamos tirar o peso da consciência e só acompanhar o que acontece.


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Aline Pereira

Mestre Pokémon e jornalista. Amante do cinema (e da pipoca com manteiga), compro camiseta de super-herói na seção infantil e nas horas de tédio tento mover objetos com o poder da mente. (Tô no Twitter @alineperr)