Biologia sintética e a manipulação da vida

Biologia sintética, engenharia genética, engenharia de biomáquinas e biohacking

Talvez você já tenha esbarrado nestas expressões, apesar de não significarem a mesma coisa, elas  estão interligadas de várias formas.

 

A biologia sintética é uma área interdisciplinar que visa aplicar conceitos de engenharia à biologia molecular e bioquímica para redesenhar ou até mesmo criar novos elementos biológicos ainda não presentes naturalmente no ambiente. A facilidade de se replicar DNA em laboratório e a crescente compreensão sobre o genoma atualmente, nos possibilitam não apenas catalogar sequências de DNA, como também alterar e compreender seu funcionamento.

 

Em 2013 a  Glowing Plant project foi a primeira campanha de crowdfunding para aplicação de biologia sintética. O projeto consistia inicialmente de alterar o genoma de uma Arabidopsis thaliana (uma espécie de erva) e introduzir o código genético para a produção de uma luciferase (proteína que produz bioluminescência). A empresa arrecadou o valor de $484.013 em apenas 44 dias muito mais que os $65.000 inicialmente solicitados.  


A bioluminescência é a produção de luz fria por organismos vivos, essa produção se dá  através da quimioluminescência que é a produção de luz como produto de reações químicas. Muitos tipos de organismos a produzem essa luz (bactérias, fungos, artrópodes, peixes, algas, celenterados, moluscos) é muito comum em ambiente marinho e serve majoritariamente para a comunicação, o exemplo mais conhecido é o vaga-lume.

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Créditos da imagem: http://www.glowingplant.com/

 

O caso repercutiu mundialmente, não só pela promessa de ruas com árvores brilhantes no lugar de postes, mas principalmente pelos riscos associados e a aversão da alguns grupos á popularização da edição genética.

Se por um lado empresas e governos mantém essa tecnologia controlada e em sigilo para evitar a invenção de micro-organismos nocivos ao meio ambiente, doenças e armas biológicas, existe quem acredite que a melhor maneira de lidar com isso é a liberação de toda a tecnologia. Esconder e proteger os avanços nesta área são prejudiciais para o desenvolvimento da ciência, imagine o tempo perdido por termos duas equipes de cientistas trabalhando em um mesmo problema sem saber? Isso sem contar que as partes do genoma funcionam como peças a serem encaixadas, padrões diferentes (ou a falta) faz com que o aproveitamento de pesquisas por outros cientistas seja baixo.


Pensando nisso a fundação Biobricks tem como objetivo criar um catalogo global e padronizado de peças biológicas, além de promover educação e popularização dessa tecnologia. Anualmente equipes do mundo inteiro são recebidas em Boston – EUA para a competição internacional de engenharia de sistemas biológicos, ou iGEM (International Genetically Engineered Machine), a maior competição da área foi criada pelo MIT onde equipes precisam resolver algum dos problemas atuais utilizando o catálogo padronizado da Biobricks.

 

Tá, mas e a segurança?

 

Imaginem o seguinte quadro: Uma empresa farmacêutica desenvolve em sigilo uma espécie modificada de bactéria,  que se tratada de forma incorreta pode se transformar em uma arma biológica. Por mais segura que possa estar, ainda existe risco da espécie ser roubada e utilizada para terrorismo, ou até vazar acidentalmente para o ambiente. Claro que o risco de algo assim acontecer quando de divulga todo o conhecimento é maior, mas se mais pessoas tem acesso a informação, mais pessoas têm a capacidade de trabalhar em conjunto e desenvolver um projeto mais rapidamente.

Já se tratando do consumo ou contato com esses seres modificados, a biossegurança é uma parte do processo levada muito a sério, para que participem do iGEM ou sejam utilizadas pela indústria todas os projetos possuem um killswitch, uma espécie de botão de autodestruição que é desencadeado por condições específicas, como radiação solar ou presença de de algum composto.

Os organismos geneticamente modificados ou GMO’s, são por definição qualquer entidade biológica cujo material genético (DNA/RNA) foi alterado por meio de qualquer técnica de engenharia genética, de uma maneira que não ocorreria naturalmente. Muito populares na produção de alimentos os GMO’s são uma alternativa ao uso de agrotóxicos em plantações e para aumentar produtividade, são comuns também na produção de vacinas e medicamentos.

Esse assunto ainda divide opiniões, qual a sua?

 

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Natália é comunicadora científica, estudante de Farmácia, amante de jogos analógicos e apaixonada por cultura Maker e Hacker.
Integra a equipe da Diretória de Divulgação Científica da UFMG e o time 2016/2017 iGEM UFMG.
twitter.com/frauhell

 

 

 

 

 

Revisão: Helen Miranda & Isabelle Tanjoni 


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Helen Cristina Miranda

curiosa de nascença/
cientista de profissão