Paratodos mostra histórias de atletas Paralímpicos

O nacional documentário Paratodos, dirigido por Marcelo Mesquita,roteirizado por Peppe Siffredi e produzido pela Sala12 Filmes, é um longa que faz o telespectador entrar no universo dos atletas paralímpicos. Em Paratodos, conseguimos ver um pouco do cotidiano de oito dos principais atletas paralímpicos brasileiros. Além disso, o filme abre um diálogo sobre a inclusão de pessoas com deficiência na nossa sociedade.

Durante os Jogos Olímpicos do Rio 2016, pouquíssimos ingressos das Paralimpíadas tinham sido vendidos, mesmo o Brasil sendo uma das grandes potencias nos Jogos Paralímpicos. Alguns dias depois da cerimônia de encerramento, as vendas dos ingressos deram um salto e, no dia 23 de agosto, bateram o recorde com 133 mil ingressos vendidos. O interesse da população aumentou e o documentário vem em boa hora para mostrar ao público um pouco mais dos atletas paralímpicos.

Paratodos se divide em oito partes, cada uma focando na história de cada atleta. Começa com uma introdução, passando pelos Jogos Paralímpicos de Londres 2012, até os momentos mais atuais. Com o tempo bem dividido para cada história, o documentário emociona o telespectador com a história dos atletas. Além disso, é possível conhecer modalidades de esportes que são muito pouco divulgadas na grande mídia.

Uma das escolhas mais interessantes da produção foi  mostrar também alguns problemas que esses atletas precisam enfrentar. O documentário fala sobre dificuldades que alguns atletas possuem com questões técnicas das modalidades. Para que a competição seja justa, é necessário que os atletas sejam colocados nas divisões mais adequadas para eles. Isso nem sempre acontece e pode causar injustiças no resultado.

Os atletas mostrados no documentário são:

  • Alan Fonteles (atletismo): Velocista, recordista dos 100 e 200 metros rasos. Fez muito sucesso nas Paralimpíadas de Londres 2012 depois de superar Oscar Pistorius. Com 21 anos, teve as pernas amputadas devido a uma infecção.
  • Terezinha Guilhermina (atletismo): Bateu o recorde na prova dos 100 metros rasos nos jogos paralímpicos de Londres 2012 e hoje é a velocista cega mais rápida do mundo. Descobriu aos 16 anos que tinha retinose pigmentar, uma condição que faz com que a pessoa perca a visão gradualmente.
  • Yohansson do Nascimento (atletismo): Vencedor de quatro medalhas paralímpicas, Yohansson conquistou a primeira ainda com 21 anos. O atleta nasceu com má formação nas mãos, o que não o impediu de fazer história no atletismo.
  • Ricardinho (futebol de 5): Hoje é o melhor jogador de futebol de 5 no mundo. Aos 15 anos entrou para a seleção brasileira. Um ano depois já tinha sido eleito o melhor jogador do mundo na modalidade. Aos 8 anos de idade Ricardinho ficou cego.
  • Fernando Fernandes (canoagem): O atleta tem inúmeros títulos e é referência na paracanoagem: Tetracampeão mundial, bicampeão pan-americano, tricampeão sul-americano, pentacampeão brasileiro e campeão da copa do mundo. Entrou para a paracanoagem algum tempo depois de sofrer um acidente de carro e perder o movimento nas pernas.
  • Fernando Cowboy Rufino (canoagem): Conquistou vários títulos, entre eles ouro no campeonato Pan-americano do México, ouro no Sul-americano e foi vice-campeão Europeu na República Tcheca. Antes de virar atleta, Fernando sofreu quatro acidentes.
  • Daniel Dias (natação): Com 15 medalhas paralímpicas, Daniel recebeu o troféu Laureus, também conhecido como “Oscar do Esporte”, como melhor atleta com deficiência nos anos de 2009 e 2013. Apenas quatro brasileiros que receberam esse prêmio. Nasceu com má formação congênita dos braços e da perna direita.
  • Susana Schnarndorf (natação): É a única da delegação paralímpica brasileira que representou o país nos jogos convencionais e nos paralímpicos. Conquistou a medalha de ouro no mundial de natação do Canadá. Depois dos 30 anos, descobriu que tinha uma doença degenerativa muscular que diminui sua capacidade motora e intelectual

Há também um papel social, não só nos jogos paralímpicos, como também na produção e exibição de Paratodos. É preciso dar espaço e visibilidade para as pessoas com deficiência, que ainda encaram muito preconceito na nossa sociedade.

Paratodos é muito bem produzido, prende o telespectador do começo ao fim e pode trazer ainda mais atenção para os Jogos Paralímpicos do Rio 2016. O filme está disponível no Netflix e os Jogos Paralímpicos começam dia 7 de setembro.

Se você olhar para o que uma pessoa pode fazer em vez do que ela não consegue fazer, a perspectiva muda e perde-se a visão de coitadinho” Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro.


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Clarice França

Connect to Database. Origem: Reino do Sonhar. Classe: Radialista, escritora e amante de histórias. Reputação: Campeã do Labirinto e de Kirkwall, Heroína de Ferelden, Herdeira de Andraste, Comandante Shepard, Paragade, Dovahkiin, Witcher, Dobradora de Fogo, Targaryen e Corvinal.