O Último Adeus

images (6)O Último Adeus, de Cynthia Hand, é um livro sobre suicídio. A primeira impressão que tive ao saber qual era o tema foi a de que me deprimiria demais. Perdi pessoas amadas dessa maneira. Então, iniciei a leitura aguardando um peso muito maior do que encontrei. O livro traz passagens muito doloridas, mas, em contrapartida, há outras leves, cômicas, reflexivas, que conhecemos do cotidiano. Lançado no Brasil pela DarkSide Books, tem nas páginas riscos como que feitos à caneta e capa dura, como se realmente fosse um diário. Mais um livro da DarkSide com um belo projeto gráfico.

Na trama, Alexis, ou Lexis, é uma jovem nerd apaixonada por números. Ela integra o clube de matemática da escola enquanto se inscreve em universidades e aguarda as respostas das instituições. Está ocupada nessa rotina quando perde seu único irmão, Tyler.

Ty se suicida na garagem da família e deixa apenas um Post-It colado no espelho do banheiro: “Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio”.

Antes disso, os pais de Lexis e Ty se separaram. O pai, um contador entediado com a vida, foi embora com para ficar com a amante. A mãe formou-se em enfermagem. Após a morte de Ty, ela passa a beber e viver sob o efeito de calmantes quando está em casa. Tanto Lexis quanto a mãe carregam a culpa pelo suicídio de Ty e questionam-se: por que ele chegou a esse ponto? Por que não perceberam que havia algo errado?

Por orientação de seu terapeuta, Lexis começa a escrever um diário como válvula de escape de toda as situações que a incomodam. Assim, O Último Adeus se torna um misto de trechos desse diário e ocorrências do cotidiano extremamente racional que ela vive.Screenshot_20160823-220544_1

Lexis torna-se ríspida e impaciente com as pessoas. Nada mais compreensível diante da tristeza que agora vive, mesmo quando é perceptível que não encara o luto da forma que mais a ajudaria: ela tenta fugir das situações. Quando aceita o luto, é torturada por memórias e questionamentos, vultos e vozes a assombram.

No decorrer do livro, Lexis entende ou passa a aceitar a partida do irmão. Sobrecarregada com seus afazeres e com a culpa, nós a vemos chegar à compreensão daquilo que sente com toda a sua racionalidade, que até atrapalha seu lado sentimental.
Cynthia Hand sabe do que está falando: seu próprio irmão se matou em 1999, aos 17 anos. Não deixe de procurar saber mais sobre a autora.

Não é fácil lidar com a dor e com as sombras que permanecem após recebermos aquela ligação dizendo que alguém que amamos muito se matou. Nossa sociedade ainda é muito preconceituosa e considera o suicídio um tabu. As pessoas têm vergonha de contar que um familiar se suicidou. Muitas também não acreditam que a depressão seja uma doença, que precise de tratamento. Quantos de nós já não ouvimos que depressão é “frescura” ou “falta de na cara”?

Aqueles de nós que perderam alguém dessa forma sempre se perguntarão: “Por que você fez isso? Por que não me chamou? Por quê? Por quê?”. A resposta, jamais saberemos ao certo. Resta-nos permanecer com os bons momentos proporcionados e, se houver como, tentar ajudar aqueles que caminham entre tantas sombras.

Livro: O Último Adeus
Autora: Cynthia Hand
Tradutora: Carolina Coelho
Editora: DarkSide Books
Número de páginas: 368

Este livro foi cedido pela editora para resenha.


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