NASA anuncia novas evidências de água na lua Europa

Evidências reforçam a existência de jatos de vapor d’agua, semelhantes aos gêiseres, em Europa, a lua mais estudada de Júpiter. Os jatos de plumas d’agua são arremessados a mais de 200 quilômetros de distância e puderam ser observados pelo telescópio Hubble. Estas evidências foram anunciadas pela NASA dia 26/09 através de uma coletiva de imprensa aberta ao público. O estudo completo será publicado na revista Astrophysical esta semana.

Vida extraterrestre, siga as águas (Follow the water)

A composição química e física da água é essencial à vida terrestre. Por esta razão, a busca por vida extraterrena está estritamente ligada à busca por água em outros planetas ou satélites. As plumas d’água que são ejetadas periodicamente da lua Europa foram observadas pela primeira vez em 2012, em forma de uma aurora proveniente da interação entre os campos eletromagnéticos de Europa e Júpiter. Naquela ocasião foram detectados emissões no comprimento de onda característicos da dissociação de água. Análises espectroscópicas do fenômeno indicaram que a explicação mais plausível seria a existência de vapor d’água expelidos da superfície de Europa em forma de jatos.

Na coletiva de imprensa desta segunda-feira, a NASA mostrou os resultados gerados por uma outra equipe de cientistas, utilizando uma técnica diferente da usada em 2012. Os pesquisadores Paul Hertz (NASA), William Sparks (Space Telescope Science Institute), Britney Schmidt (School of Earth and Atmospheric Sciences at Georgia Institute of Technology) e Jennifer Wiseman (NASA) utilizaram uma nova técnica de análise com luz ultravioleta feita pelo telescópio Hubble (foto). Como as plumas d’água são transientes, nos últimos dois anos, foram obtidas dez fotos para análise e em apenas três destas fotos foram identificadas evidências de vapor d’água.

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Credito: NASA, ESA, W. Sparks (STScI), and the USGS Astrogeology Science Center

Oceano Alienígena

Os cientistas acreditam que exista um oceano de gelo envolvendo a superfície de Europa. A observação de jatos de vapor d’água é fundamental para exploração deste oceano e para a investigação de vida extraterrestre. A erupção de água da superfície de Europa garante acesso a esse oceano sem a necessidade de escavação por quilômetros de gelo em um ambiente desconhecido. É com base nessa acessibilidade e com o objetivo de investigar a composição desses jatos que a NASA lançará em 2020 a missão “EUROPA flyby”.

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Credito: NASA

O fenômeno de gêiseres de água não são exclusivos de Europa. Em 2015, imagens semelhante foram obtidas de Enceladus, uma das luas de Saturno, através da sonda Cassini. Como estas luas conseguem manter um oceano líquido em baixo da crosta de gelo da superfície ainda é um mistério. Desvendar como isso ocorre e saber qual a composição destes oceanos são alguns dos grandes desafios para astrônomos e astrofísicos na atualidade.

Planetas ou luas habitáveis

Quando questionados sobre que tipos de indícios poderiam ser encontrados para a confirmação de vida alienígena, os cientistas responderam que:

“Este é um tema ainda muito discutido e ainda não existe consenso sobre o que efetivamente pode ser classificado como vida. Já o conceito de habitabilidade sim, é bem definido e este será o foco da nova missão.”

Habitabilidade é a medida do potencial habitável de planetas e satélites (luas). O descobrimento de ambientes extraterrestres habitáveis não significa necessariamente identificação de vida alienígena. Alguns dos fatores necessários para que um planeta ou satélite sejam considerados habitáveis são água, energia e nutrientes (elementos químicos como oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio por exemplo). Estamos muito próximos de encontrar ambientes capazes de sustentar vida. O próximo passo será encontrar vida propriamente dita e a partir deste momento, a realidade estará mais próxima da ficção.

Quer saber mais?

Hubble Website: http://hubblesite.org/newscenter/archive/releases/2016/33/video/

NASA press release: http://www.nasa.gov/press-release/nasa-s-hubble-spots-possible-water-plumes-erupting-on-jupiters-moon-europa

Revisão: Isabelle Tanjoni

Créditos da figura em destaque: NASA, ESA, and G. Bacon (STScI)


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Helen Cristina Miranda

curiosa de nascença/ cientista de profissão