Westworld — Um jogo de questionamentos

Atualizado em 03/11/2016 – o filme que deu origem ao argumento da série ‘Westworld’, de 1973, entrou essa semana no catálogo da HBO e está disponível aos assinantes. Assisti e falarei mais sobre ele na matéria especial sobre a primeira temporada (em breve).

“Every hero has a code” (Todo herói tem um código) — esse é o mote da nova superprodução da HBO. No dia 2 de outubro, Westworld (Westworld, EUA, 2016) teve a sua estreia mundial e deixou muitos assinantes perplexos, aflitos e bastante incomodados com a carga de questões sociais em cenas perturbadoras para um roteiro que promete ser tudo menos leve. Como é possível notar pelos créditos de abertura.

Impactante, não? Poética nas imagens e na música, sendo que esta tem um papel importante na narrativa, a abertura nos apresenta construções perfeitas de animais e seres humanos, que são realizadas por braços mecânicos, dentro de câmaras de vidro com tanques repletos de um líquido branco e leitoso. Ao final, vemos uma figura feminina vestida com trajes de faroeste, pistola em punho e cavalgando um belo corcel, ambos cercados pelos braços que os conceberam. Está apresentada Westworld, e de cara podemos notar que que a série vai abordar temas recorrentes na ficção científica.

Casal Nolan no comando

westworld
Imagem promocional do filme Westworld de 1973 (Divulgação)

A série tem como produtores executivos e autores o casal Jonathan e Lisa Joy Nolan. Lisa foi roteirista e co-produtora das séries Burn Notice e em Pushing Daisies. Já o marido Jonathan é o criador de Person of Interest e foi roteirista de filmes como Interestelar e ‘Batman: o cavaleiro das trevas’ (2008 e 2012). Jonathan também figura como diretor da série.

Ter essa dupla de roteiristas funciona muito bem para realizar uma releitura ousada do filme Onde Ninguém Tem Alma (Westworld’, 1973) do diretor Michael Crichton.

O que é?

A série fala sobre um “parque de diversões” povoado por androides, em um cenário de faroeste, onde seres humanos muito ricos pagam para interagir com esses androides orgânicos, que possuem consciência programada. Os clientes podem fazer o que bem entenderem lá — tudo é permitido para eles e as entidades programadas estão presentes para atender a cada desejo, seja ele o mais puro ou o mais perverso que a mente humana pode conceber.

Teddy Flood (James Marsden) e Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood) (HBO/Divulgação)
Teddy Flood (James Marsden) e Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood) (HBO/Divulgação)

Além disso, como em um RPG live action (onde os jogadores interagem uns com os outros interpretando seus personagens em um ambiente determinado), há histórias pré-programadas, as quais os clientes podem facilmente reconhecer como familiares e vivenciá-las. É nesse contexto que são apresentados os personagens principais Dolores Abernathy (Evan Rachel Wood) e Teddy Flood (James Marsden) — o par romântico do série e que sempre está envolvido em encontros e desencontros.

Controlando toda essa imensa estrutura estão Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins) e Bernard Lowe (Jeffrey Wright). O Dr. Ford é o criador das entidades programadas e Bernard é o programador e mantenedor do projeto como um todo, transitando entre os interesses dos outros funcionários e acionistas. No entanto, logo no primeiro episódio temos uma amostra de como a ousadia criativa do Dr. Ford está produzindo algo novo dentro das linhas de programação de seus anfitriões — como são chamados os androides. Se ele fica preocupado com isso? Pelo menos nos primeiros episódios, ele não aparenta preocupação, e tenta justificar sua postura. Vamos ver como isso se desenrola.

E o que esperar?

Cada episódio tem uma hora de duração a primeira temporada terá 10 episódios. O elenco ainda conta com o brasileiro Rodrigo Santoro na pele do anfitrião e vilão Hector Escaton.

Os dois primeiros episódios deram o tom da produção: questionar a crueldade, irresponsabilidade, ganância e outras condutas perversas dos seres humanos e o que essas atitudes podem acarretar. O primeiro episódio destacou os personagens Dolores e seu pai, Peter Abernathy (Louis Herthum), e pontuou sua importância em eventos futuros. O segundo episódio trouxe outra personagem feminina como protagonista, Maeve Millay (Thandie Newton), que levantou outras questões sobre os seres humanos presentes nesse local.

Há personagens femininas fortes, ousadas e destemidas tanto dentro quanto fora do cenário de velho-oeste, sendo estas humanas ou androides. E os dois primeiros episódios mostram as complexidade que a série pretende abordar em relação a elas, e as relações que cada uma estabelecerá para salvar a si mesma e o mundo ao qual pertence.

Agora é esperar que a temporada caminhe por caminhos interessantes, e que os roteiristas mantenham a mão nos próximos episódios.

Onde assistir?

Cada novo episódio é transmitido aos domingos, a partir das 23h (horário de Brasília), nos canais da HBO no Brasil.

Assinantes Net/Claro, Oi TV, SKY Online e Vivo têm acesso também ao serviço online HBO GO para computadores, tablets ou smartphones. Cada operadora tem pacotes específicos com os canais HBO/HBO GO. Consulte a operadora de sua preferência.


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