Conheça os Malditos Dramaturgos!

Acena teatral em São Paulo é dividida basicamente entre os grandes espetáculos musicais e os teatros de grupo. O Malditos Dramaturgos! é um coletivo de, bem, dramaturgos e se encaixa dentro desse segundo tipo.

Malditos Dramaturgos!

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Em outubro de 2013, a dramaturga Vana Medeiros, então aluna da SP Escola de Teatro, viu nos compartilhamentos de texto dentro da escola algo que precisava ser expandido e continuar para “além da sala de aula”. Com o nome Malditos Dramaturgos já em mente, ela chamou dois amigos, os dramaturgos Livy e Filipe P., para começar o que inicialmente era apenas um grupo de estudos.

“…[O nome] Era muito bom pro coletivo porque vem de uma ideia, que já está ruindo, mas que a gente precisa combater cada vez mais. A ideia de que o teatro contemporâneo não precisa de dramaturgia,” Vana Medeiros que conversou conosco para falar a respeito do coletivo e do projeto mais recente deles.

Mais do que um grupo de estudos

Entre maio e junho de 2014, o grupo que vinha se reunindo semanalmente para ler e discutir os textos uns dos outros, e começou a sentir a necessidade de levar isso para além das conversas. As peças já tinham evoluído muito nas trocas entre os amigos.

Surgiram duas parcerias importantes: com a Livraria Martins Fontes e com outros colegas do teatro (atores, diretores, cenógrafos etc). Essas foram algumas das bases para os eventos que começaram a surgir nessa época: leituras dramáticas e sarais com os textos começaram a ser realizados pelo menos duas vezes por semestre e assim continuam.

No começo, as próprias pessoas da livraria não sabiam muito bem como preparar um evento de dramaturgia, mas hoje ele faz parte da rotina semestral da loja na Avenida Paulista, com a presença dos próprios funcionários em meio à plateia das leituras dramáticas.

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“No sarau, subiram várias pessoas que estavam na Livraria, todo mundo se interessou muito pela coisa do sarau. […] Uma casal de uns 50 anos teve que sair no meio [da leitura] e eles pararam o evento no meio e falaram como eles tinham gostado muito, que ele era do Marketing e ela era da parte de Administração, e que eles nunca tinham contato com ‘pessoas como a gente’ no dia-a-dia e que eles estavam muito felizes de terem contato com uma coisa artística.”

Além das leituras, o coletivo realiza workshops. Entre eles se destacam Roteiristas Por Um Dia, com foco em roteiro para sitcom, e Grandes Dramaturgas Contemporâneas cuja intenção é jogar um pouco de luz nas mulheres que escrevem para teatro.

Ocupação na Funarte

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Mesmo após dois anos juntos, o grupo nunca havia escrito um texto teatral deles. Em 2015, com esse desejo em mente, começaram a escrever projetos para diversos editais, até ganharem o de Ocupação da Funarte para 2016.

O tema da pesquisa, Amor e Violência, foi traçado em conversa e a ocupação seria para levantamento de material, workshops e uma leitura da primeira versão do texto. A ocupação começou de fato em agosto, com três sessões de psicodrama (um processo de psicoterapia em grupo que dramatiza uma situação de forte carga emocional) para levantar o material: uma sobre amor, uma sobre violência e uma sobre a junção dos dois temas.

A ideia de levantamento de material para a escrita da peça por meio do psicodrama surgiu em conversa com a atriz e psicodramatista Ariadne Senna, que já estava no projeto como atriz, e foi também ela que conduziu as sessões que rolaram entre 23/08 e 13/09. As sessões eram abertas ao público, e a maior delas teve 23 pessoas, poucos eram conhecidos do grupo, tendo sido atraídos pela divulgação.

A peça de esquetes, onde cada cena é escrita por um dos dramaturgos, mostra a visão dessas vivências dos meses de agosto e setembro. Cada uma mostra uma faceta de como o amor e a violência andam muito próximos, como a ideia de amor idealizado é muito permeada por conceitos violentos.

A primeira abertura desses textos trará outra coisa nova para o grupo: pela primeira vez cada um cuidará da direção da própria leitura, um desafio que reforça as questões que foram despertadas dentro de cada um.

“A ideia é que a gente ouça das pessoas como é que o texto ‘bateu’ pra gente, não mais na Funarte, poder a partir daí nas nossas reuniões poder trabalhar essas cenas. Até o final do ano, se tudo der certo, a gente pretende ter a peça escrita.”

No futuro do coletivo existem muitos planos: além da finalização e montagem da peça, o grupo pretende promover mais workshops, a continuação das leituras dramáticas e outros eventos. Você pode acompanhar as novidades do grupo através do website ou da página no Facebook.

A leitura dos textos escritos por Arthur Martinez, Christina Santos, Filipe P., Livy, Flaviane Gonçalves, Maurício Ferreira e Vana Medeiros para o projeto de Ocupação da Funarte podem ser conferidas na Funarte de São Paulo, na Alameda Nothmann, 1058 nos dias 24, 25 e 26 de outubro às 20h.


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