A Garota no Trem

No filme que entra em circuito nacional nesta quinta, A Garota no Trem (The Girl on The Train – UK- 2016) de Tate Taylor, Rachel (Emily Blunt), por algumas razões dessas que acontecem com todas as figuras trágicas, deixa aos poucos de viver a sua própria história para começar a observar a de outros, através das janelas do vagão do trem que pega todo dia para ir trabalhar na cidade de Nova Iorque. O que ela não espera, é que ao criar personagens para pessoas que existem em um mundo além daqueles trilhos, é que nem sempre a nossa imaginação, corresponde a realidade.  Quem nunca?

A primeira diferença entre o livro A Garota no Trem (The Girl on the Train, Reino Unido) de Paula Hawkins, e o filme homônimo, dirigido por Tate Taylor, que estréia no Brasil no dia 27 de outubro, é que a Rachel do livro mora na Inglaterra. Já a protagonista vivida por Emily, conta sua história nos Estados. Emplacando 13 semanas consecutivas como primeiro lugar entre obras mais vendidas no The New York Times, desde a semana de seu lançamento, o suspense psicológico de Paula, logo ganhou uma versão cinematográfica.

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Ao som de uma trilha composta por Danny Elfman (ex Oingo Boingo e que já tem um carreira longeva como compositor de várias trilhas de sucesso no cinema)  o suspense me cativou com uma narrativa que brinca com o não-linear. Ou seja, assim como Rachel, mais envolvidos nos tornamos em observar, não só nossa protagonista, mas também em entendermos as motivações das coadjuvantes  Anna (Rebecca Ferguson) e Megan (Haley Bennett), e como a vida dessas três mulheres foi influenciada por decisões que as deixaram marcadas, por terem fugido dos padrões convencionais da sociedade.

A necessidade do escape, de fugir da sua própria realidade e criar universos de faz-de-conta, mostra o quanto de controle Rachel quis perder. Mas, sem querer, dentro de suas novas histórias, com suas personagens, ela acaba envolvida e obrigada a se tornar novamente a protagonista de sua vida. E acaba descobrindo mais uma vez que nem a realidade e nem suas fantasias são perfeitas.

É muito difícil discutir alguns filmes, sem estragar a história para a pessoa que ainda não assistiu. Mas eu costumo levar a sério o meu lema #SemSpoilers, e qual a graça de um filme de suspense narrado? Entretanto, A Garota no Trem me surpreendeu positivamente e não só por ser um thriller interessante.

Talvez eu seja otimista demais e imaginativa demais, para enxergar uma mensagem que acho que muitas leitoras adorariam debater. E me arrisco mais, nas entrelinhas do filme, finalmente eu consegui compreender um conceito que é muito aplicado, mas que eu tinha dificuldade de personificar. Ah, e como a loteria do Oscar, não custa nada, arriscaria uma indicação de Melhor Roteiro Adaptado.


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Silvia RC Almeida

Dona da coluna Filmes da Sil no blog F-utilidades