Existem Biomas em Pokémon Go?

Por Luiza Beirão Campos

Há uma grande discussão sobre a distribuição dos pokémons pelas cidades, regiões e países. Já em relação a existência de biomas em Pokémon Go, encontra-se muito pouco material em sites e fóruns.

Uma visão biológica sobre o jogo

No site oficial do jogo e em entrevistas com o criador John Hanke foi dito que sim, existem locais onde são encontrados mais pokémons de certo tipo dentro das cidades e que há uma variação entre cidades, mas ainda não é certo o quanto o bioma presente naquela cidade e região interfere com a distribuição dos diversos tipos de pokémons.

O que são biomas?

Biomas são regiões do mundo onde as características ambientais e físicas têm aspectos similares. Dessa forma, espécies de plantas e animais que vivem nesses locais são específicas a essas regiões e adaptadas a viver nesses locais.

No Brasil temos 6 biomas terrestres distintos: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. Já o bioma marinho está localizado sobre a Zona Marinha do Brasil.Cada um com suas características físicas e ambientais e com suas espécies de plantas e animais específicos.

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Mapa com os seis Biomas brasileiros. Fonte: Wikipédia

Bioma: Mata Atlântica

Como podemos ver no mapa, as regiões onde estão as cidades mais populosas do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Vitória, Aracajú, Salvador, Recife, Maceió e João Pessoa), provavelmente áreas onde há mais pessoas jogando Pokémon Go, estão dentro do Bioma Mata Atlântica.

A Mata Atlântica é formada por florestas densas, chuvosas, em regiões montanhosas e com muita biodiversidade. Muitas espécies animais são típicas da Mata Atlântica como o mico-leão-dourado e outras espécies de macacos.

Nos jogos de pokémon, em regiões de floresta há uma predominância de pokémons de planta, insetos e aves.

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Mata Atlântica. Fonte: Wikipédia

Bioma: Caatinga

A caatinga é um bioma da região nordeste, onde há pouca chuva, sendo que as plantas e animais da região são adaptadas a esse tipo de clima. As plantas são cactos ou árvores que perdem todas as folhas durante o período mais seco. Como exemplos de animais típico do bioma, temos a ararinha-azul e o tatu-bola.

Nessa região, pelos seus aspectos climáticos e físicos, espera-se uma presença maior de pokémons do tipo terra, pedra, fogo e voador.

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Caatinga. Fonte: Wikipédia

Bioma: Amazônia

A região amazônica é muito florestal, com muita chuva e imensa biodiversidade, espera-se encontrar muitos tipos diferentes de pokémons. Da mesma forma como é observado na região de Mata Atlântica, na região amazônica, há mais pokémons do tipo inseto, venenoso e planta. Além disso, por ser uma região chuvosa, bastante pokémons de água.

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Amazônia. Fonte: Wikipédia

Bioma: Cerrado

Outra bioma que vale o destaque é o cerrado. O cerrado é a savana brasileira, região com muita grama, chuva apenas em uma época do ano e poucas árvores. Brasília é a principal cidade brasileira inserida no Cerrado. Alguns animais típicos do cerrado são as emas, o lobo-guará e o tamaduá-bandeira.

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Cerrado. Foto de autoria própria.

Os pokémons encontrados no cerrado são aqueles típicos da região de “grama alta” nos jogos de Pokémon. Muitos pokémons inseto e de planta.

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Insetos, insetos, insetos em todos os lugares. Fotos de autoria própria.

Bioma da vida real versus bioma de Pókemon Go

Independente do bioma, nos grandes centros urbanos, podemos ver que ratattas e pidgeys, animais mais adaptados à regiões urbanas, estão em grande quantidade, principalmente nos centros das cidades e nas áreas mais urbanizadas. Este cenário imita os animais que serviram como inspiração para a sua criação e que são consideradas “pragas urbanas”: ratos e pombas. Em grandes centros urbanos como São Paulo, Belo Horizonte e Brasília é clara a presença desses dois pokémons, mas também de vários monstrinhos do tipo venenoso como Zubats, Ekans e Koffings. Provavelmente, representando a poluição das grandes cidades.

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Área Urbana (Chicago). Foto de autoria própria

A lista de pokémons que são urbanos nos jogos de Game Boy, também se associa bastante com o que encontramos quando jogamos Pokémon Go.

Além disso, nas cidades litorâneas, há uma presença grande de pokémons do tipo água que estão intimamente relacionados com o bioma marinho. No entanto, em cidades altamente urbanizadas como São Paulo, observamos uma alta frequência de pokémons do tipo venenoso como Zubats, Ekans e Koffings.

Na região de Brasília também encontra-se pokémons de áreas urbanas, já que também é um centro urbano. Além da semelhança com a lista de pokémons de grama dos jogos, há uma grande similaridade com a Safari Zone dos jogos clássicos Blue, Red e Yellow. A Safari Zone é uma referência às áreas de Safari na África, onde paga-se para observar uma diversidade imensa de animais nas regiões de Savana. Acredito que a semelhança da “biodiversidade” de Pokémon Go, na região de cerrado, com a Safari Zone é pelo fato de existir uma grande similaridade entre cerrado e savana.

A distribuição de espécies de animais no Pokémon Go tem relação com a vida real?

Há sim algumas diferenças entre cidades, basta conversar com pessoas que moram longe, em outras cidades e estados. Há também a diferença já notada por vários jogadores de países para países. Drowzee por exemplo, é muito comum nos EUA, por exemplo e pokémons de gelo, são incrivelmente raros por aqui no Brasil.

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Existem diversas piadas na internet sobre o número absurdo de Drowzees nos EUA. Fonte: Reddit (https://www.reddit.com/r/PokemonGoUK/comments/4t9l6y/playing_pokemon_go_in_sheffield/)

A grande abundância de Drowzees nos Estados Unidos indica que não há uma relação direta com as espécies que são mais comuns nos locais. O Drowzee seria uma espécie de anta. As antas são encontradas em regiões de floresta, como na Amazônia e Mata Atlântica, aqui no Brasil, e também em florestas no sudeste asiático. Estão longe de ser um animal típico dos Estados Unidos.

Outro exemplo, Doduos e Dodrios são muito comuns no cerrado e podemos compará-los que são animais típicos do cerrado. Embora estes pokémos são encontrados com alta frequência no cerrado, também são visualizados em territórios onde emas não existem como nos Estados Unidos.

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Dodrios (esquerda). Ema (direita). Fonte: Wikipédia

Dessa forma, a fauna não influencia diretamente na distribuição dos pokémons no jogo, mesmo porque, a imensa variedade de animais que povoam a Terra não corresponde com o que observamos para os pokémons.

Conclusão

É interessante que a distribuição dos “ninhos” de pokémons tem uma forte relação com o habitat que é um conceito ecológico usado como uma referência aos locais e condições ambientais onde o estabelecimento, crescimento e desenvolvimento de populações de uma espécie é viável.

Depois de muita observação, acredito que a correlação entre Biomas e pokémon acontece muito mais em relação aos aspectos físicos e ambientais do lugar: áreas com características mais florestais, há um maior número de pokémons típicos de floresta, no entanto, áreas contendo grama, observamos mais pokémons típicos de grama.

É coerente pensar que Pokémon Go segue sim a lógica de biomas. Se certos pokémons estão no código do jogo correlacionados à regiões florestais por exemplo, uma cidade que tem várias áreas florestais (Rio de Janeiro por ex.) vai apresentar dessa maneira, mais pokémons desse tipo. Da mesma forma, pokémons que no jogo estão correlacionados à áreas comerciais ou mais urbanas, vão ser muito mais abundantes em cidades com muitas regiões desse tipo.

O fato de que diferentes pokémons seriam mais presentes em cada Bioma, estando mais adaptados a certos tipos de ambiente, deixa o jogo muito mais incrível e realista. Porém, dificulta mais a captura de cetpos tipos de pokémons e abre a possibilidade das trocas, algo que vai ser implementado em breve e aumentará a interação entre os jogadores de Pokémon Go. A distribuição dos “ninhos” de pokémons tem relação com o habitat da que é um conceito ecológico usado como uma referência aos locais e condições ambientais onde o estabelecimento, crescimento e desenvolvimento de populações de uma espécie é viável.

E você leitora,

Quais pokémons você mais encontra onde mora?

luiza

Luiza Beirão Campos: Bióloga, apaixonada pelos monstrinhos de bolso há anos. De Belo Horizonte, atualmente morando em Brasília. Curiosa em tentar entender o padrão de distribuição dos Pokémons em Pokémon Go.

Referência

Ricklefs RE & Miller GL (1999). Ecology. 4th Edition, WH Freeman, 896pp.

Reponsável pela correção e revisão mais detalhada: Isabelle Tancioni

Revisão de texto: Helen Miranda.

Figura de destaque:  DeepArt


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