7 Sites que empoderam mulheres na ciência

A proporção de mulheres na ciência é bem menor que os homens e não é surpreendente que no meio de divulgação científica haja também uma menor quantidade de mulheres.

A importância deste tópico foi discutido em um congresso que abordou o cenário hostil encontrado pelas mulheres engajadas com divulgação científica.

A desigualde de gêneros na divulgação científica é resultado de uma conjunção de fatores que também estão associados a desistência de mulheres na ciência. Mulheres são desmotivadas a seguir carreira por encontrar um ambiente não favorável, repleto de assédio sexual e sexismo.

Além disso, a falta de rede de conexões para promover mulheres e a escassez de mulheres como fontes de inspiração para aquelas que estão iniciantes, também são as causas da diferença entre proporção de homens e mulheres na ciência e na divulgação científica.

Um exemplo sobre o sexismo na divulgação cientifica pode ser visualizado em um dos vídeos, que aborda este mesmo tema, do canal Nerdologia apresentado pela Paloma Mieko que é bióloga e pesquisadora. Este vídeo recebeu mais de 12.000 dislikes pela audiência que discordou pelo fato do vídeo ser feito por uma mulher e não pelo Atila Iamarino, comunicador científico e criador de todos os vídeos do canal com exceção deste.

Após um seminário durante o evento organizado pelo BEST (Brazilians in Engineering, Science and Techonology) sobre divulgação científica, onde MinasNerds também participou, Átila revelou que é bem mais fácil divulgar ciência quando a pessoa é um homem. Ele ainda deu vários vários exemplos de acontecimentos relacionados a sexismo com mulheres que divulgam ciência.

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Evento realizado em San Diego, Califórnia, EUA.

Para diminuir esta discrepância e quebrar o estereótipo, há sete sites produzidos por brasileiras que tem como objetivo empoderar mulheres na ciência. Destas 7 plataformas, quatro são produzidos apenas por mulheres.

1. Cientista que virou mãe

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 O site foi lançado na forma de blog em 2010 por duas mulheres, Lígia Moreiras Sena e Loisiana Feuser dos Santos (Niani Feuser). As informações geradas pelo blog se tornaram referência em relação aos temas maternidade, empoderamento feminino e valorização da infância. Em 2015, o blog foi ampliado a uma plataforma com a participação de mais de 30 mulheres mães de diferentes áreas profissionais: cientistas, advogadas, jornalistas e produtoras.

Através de financiamento coletivo, a plataforma produz textos independentes e funciona com a contribuição das leitoras. As leitoras e seguidoras do Cientistas que virou mãe, investem em textos de suas preferências e somente aqueles que atingem o mínimo de financiamento são publicados. Veja aqui como apoiar.

2. Cientistas feministas

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O blog foi criado em 2015 e o conteúdo é exclusivamente escrito por 42 cientistas de diversas áreas. Portanto, é um dos sites desta lista, onde as mulheres produzem conteúdos originais sobre ciência de forma mais abrangente e com frequência regular. Os textos publicados estão divulgados em diferentes categorias como astronomia, biociências, ciências da saúde, ciências humanas e sociais, física, matemática e química.

O maior objetivo do blog é mostrar que mulheres fazem ciência e são capazes de divulgar assuntos científicos de uma forma simples e com precisão. Além de quebrar o estereótipo masculino que existe na ciência, o blog também aborda várias questões na sua coluna dedicada ao feminismo.

3. MinasNerds

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Criado em outubro de 2015, o conteúdo é somente escrito por mulheres que divulgam conteúdos relacionados da cultura pop que engloba games, literatura, história em quadrinhos, cinema e também tem uma coluna dedicada a ciências. É um dos poucos websites que divulga cultura pop e ciência e único desta categoria que empodera mulheres e ciências.

A coluna de ciências é escrita pelas editoras Isabelle Tancioni e Helen Miranda que abordam semanalmente avanços publicados em artigos científicos, descrevem conceitos científicos importantes e também apontam importantes obstáculos encontrados pelas mulheres na ciência. Além disso, entrevistam e convidam outras cientistas para descreverem a importância das suas áreas de pesquisa.

4. Mulheres na Ciência (site 1) 

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Há 2 sites denominados Mulheres na Ciência. O primeiro foi lançado em 2013 e não está mais ativo. A última postagem tem data de 2015. Contem textos sobre várias cientistas que foram importantes para o desenvolvimento de sua área. A maioria destes conteúdo foram traduzidos por outras fontes como Mujeres que Hacen la Historia.

5. Mulheres na Ciência (site 2)

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O segundo site com mesmo nome foi lançado em janeiro de 2016 com objetivo de divulgar e apoiar a pesquisa científica gerado por mulheres. Com a veiculação de notícias produzida por outras fontes e alguns textos próprios, Mulheres na Ciência publica de 10 a 60 notícias por mês.

O site relata estudos realizados por mulheres cientistas, oportunidades e ganhadoras de prêmios e bolsas. Você pode contribuir com o conteúdo indicando um trabalho de uma cientista através deste link. O site se compromete a produzir 1ª edição de uma revista contendo trabalhos e o prazo para submissão de artigos científicos para a até 21/12/2016.

6. Ciência & Mulher

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Site lançado em junho de 2016 com a iniciativa da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) para enaltecer trabalhos e projetos realizados por mulheres. Assim como Mulheres na ciência, Ciência & Mulher publicam conteúdo próprio e reproduzem reportagens publicadas por agências de notícias. Tem como principal objetivo combater a disparidade de gêneros na ciência, estimulando a produção científica e a permanência das cientistas em suas carreiras.

7. Cientistas de primeira viagem

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O mais recente site desta lista, criado em julho de 2016, tem como objetivo empoderar mulheres nas áreas das ciências exatas, engenharias e matemática, onde a desigualdade de gênero é maior. O projeto tem colaboração conjunta das cientistas do Museu de Astronomia e Ciências Afins e estudantes do ensino médio de escolas do Rio de Janeiro. Há poucas postagens e torcemos muito para que este veículo de divulgação se perpetue, pois é importantíssimo para quebrar o estereótipo que menina na área de exatas não combina.

Revisão de texto: Helen Miranda.

 


Os artigos aqui publicados são de total responsabilidade de suas autoras e editoras.

Isabelle Tancioni

Sou veterinária, cientista, hipster, Tiki, nerd, geek. Gosto de comics, música, cartoons, animais, plantas.